Lee Jin-man/AP
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Mercados internacionais fecham mistos de olho em recuperação da economia dos EUA

Na quinta, o presidente Joe Biden assinou o pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão e a expectativa agora é que a medida aumente ainda mais o retorno dos títulos do Tesouro americano

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2021 | 08h00
Atualizado 12 de março de 2021 | 20h17

Os principais índices do exterior fecharam mistos nesta sexta-feira, 12, após o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, assinar na quinta-feira um histórico pacote de incentivos fiscais avaliado em US$ 1,9 trilhão, que deve ajudar na recuperação da economia americana. O temor, no entanto, é que o feito volte a pressionar o rendimento dos títulos do Tesouro americano.

A escalada dos rendimentos dos bônus de títulos públicos europeus e americanos foi retomada hoje, depois de uma breve pausa na véspera, quando o Banco Central Europeu (BCE) sinalizou intenção de acelerar o programa de compra de ativos ao longo do ano. O contido avanço de 0,3% no índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos chegou a limitar os retornos dos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA), mas a trajetória ascendente acabou prevalecendo. 

A expectativa é que o novo pacote sancionado por Biden ajude na recuperação da economia americana o que, consequentemente, resultaria na alta da inflação dos EUA no longo prazo. Como o rendimento dos Treasuries está diretamente ligado aos índices inflacionários, o retorno desse ativo tenderia a ser maior, provocando uma debandada dos mercados acionários.

Na agenda de indicadores, a produção industrial na zona do euro surpreendeu e avançou 0,8% em janeiro ante dezembro, de acordo com dados divulgados pela União Europeia hoje. "Esperamos que a produção industrial continue servindo de importante contraponto ao setor de serviços, que ainda segue afetado por medidas de restrições para conter a disseminação do coronavírus", analisa o economista Bert Colijn, do ING.

Bolsas da Ásia

Como na Ásia, a Bolsa de Tóquio subiu 1,73%, enquanto a de Seul avançou 1,35% e a de Taiwan se valorizou 0,47%. Na China, a Bolsa de Xangai teve alta de 0,47% e a de Shenzhen garantiu modesto ganho de 0,17%. Na Oceania, a Bolsa australiana seguiu a maioria das asiáticas e avançou 0,79% em Sydney.

A exceção na Ásia foi a Bolsa de Hong Kong que teve expressiva queda de 2,20%, em parte influenciado pelas ações da empresa de jogos Tencent, em baixa de 4,41%. O regulador de mercados da China multou essas e outras dez empresas de internet por violação de leis antitruste.

Bolsas da Europa

O mercado europeu também fechou misto, com o índice pan-europeu Stoxx 600, que reúne as principais ações da região, em baixa de 0,26%. A Bolsa de Londres teve alta de 0,36%, a de Paris subiu 0,21% e a de Madri avançou 0,60%.

Na contramão, a Bolsa de Frankfurt teve queda de 0,46%, a de Milão cedeu 0,03% e a de Lisboa recuou 0,49%.

Bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York fecharam sem direção única nesta sexta-feira, com investidores reagindo à alta nos retornos dos títulos da dívida pública americana, o que pressionou os índices. O  Dow Jones fechou em alta de 0,90%, enquanto o S&P 500 subiu 0,10% e o Nasdaq fechou em queda de 0,59%.

As ações de tecnologia tiveram as maiores baixas. Facebook teve queda de 2,00%, Microsoft, de 0,58%, Apple, de 0,75% e Alphabet, de 2,41%. Na semana, o Dow Jones avançou 4,07%, o S&P 500 acumulou alta a 2,64% e o Nasdaq registrou ganhos de 3,09%.

Petróleo 

O petróleo fechou em baixa nesta sexta-feira, corrigindo ganhos após registrar fortes altas nas duas sessões anteriores, impulsionado pela assinatura de um novo pacote fiscal nos EUA e a melhora da perspectiva de demanda global pela commodity em 2021 pela Organização Mundial dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Hoje, além do movimento de reajuste, pesou sobre o óleo a valorização do dólar ante moedas concorrentes. A alta da divisa americana torna o petróleo mais caro e, portanto, menos atraente a investidores que negociam em outras moedas.

WTI com entrega prevista para abril encerrou a sessão com perda de 0,62%, a US$ 65,61. Na comparação semanal, o contrato recuou 0,73%. Já o barril do petróleo Brent para maio recuou 0,59% hoje e 0,20% na semana, fechando o dia cotado a US$ 69,22. /MAIARA SANTIAGO, ANDRÉ MARINHO E GABRIEL CALDEIRA

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