Eugene Hoshiko/AP
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Mercado internacional fecha em queda com investidores avaliando pacote de Biden nos EUA

Investidores acreditam que pacote de US$ 1,9 tri anunciado pelo presidente eleito tenha de ser consideravelmente reduzido para ser aprovado, mesmo com a maioria democrata no Congresso

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2021 | 07h31
Atualizado 15 de janeiro de 2021 | 18h29

Os principais índices do exterior fecharam em queda nesta sexta-feira, 15, com os investidores avaliando os desdobramentos do novo pacote fiscal trilionário anunciado pelo presidente eleito, Joe Biden, que corre o risco de ser reduzido pelos parlamentares. Além disso, também preocupou o avanço da covid-19 no mundo.

Apesar do pacote de US$ 1,9 trilhão de bem-vindo para apoiar a recuperação econômica, existe uma interpretação de que o projeto, de tão robusto, terá de ser enxugado para ser aprovado pelo Congresso com mais facilidade, segundo afirmam os estrategistas da canadense TD Securities, prevendo que o pacote de socorro deve ficar mais perto de US$ 800 bilhões

Mesmo com o Senado americano nas mãos dos democratas, é preciso ao menos que 10 republicanos votem a favor, o que torna a aprovação mais desafiadora, destacam os analistas da TD. O pacote foi anunciado por Biden na última quinta-feira, 14, e uma das principais medidas envolve o pagamento direto de US$ 1,4 mil aos cidadãos americanos, para complementar os US$ 600 já aprovados.

Além disso, as atenções se voltaram para o coronavírus, após a Universidade Johns Hopkins anunciar que o mundo atingiu hoje a marca recorde de 2 milhões de mortos pela covid. Além disso, na Europa, circula a notícia de que a Pfizer irá reduzir o ritmo de distribuição de vacinas para países europeus a partir da semana que vem. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, contudo, afirmou que a farmacêutica garantiu o cumprimento do cronograma já acordado.

"Enquanto isso, a recuperação da Europa é estrangulada por lockdowns adicionais e um programa de lançamento de vacina desastrado", diz o estrategista-chefe de mercados globais da Axi, Stephen Innes, em nota aos clientes.

Bolsas de Nova York

 Além da preocupação ante a chance de aprovação do pacote de Biden, a volatilidade no mercado acionário americano também aumentou com o início da temporada de balanços corporativos. O Dow Jones recuou 0,57%, o S&P 500 teve queda de 0,72% e o Nasdaq cedeu 0,87%. Os três fecharam com perdas semanais.

A ação do JP Morgan, que surpreendeu em lucro e receita, recuou 1,79%, a US$ 138,64. O papel do Wells Fargo, que registrou receita abaixo do esperado, cedeu 7,80%, a US$ 32,04. Já a ação do Citi, que também frustrou em receita, teve perda de 6,93%, a US$ 64,23. 

Bolsas da Europa

Ante a preocupação com o avanço da pandemia, os índices da Europa fecharam em baixa. O índice pan-europeu Stoxx-600, que abriga as principais empresas do continente, caiu 1,11%, enquanto Londres teve baixa de 0,97%. A Bolsa de Paris recuou 1,22% e Frankfurt cedeu 1,44%.

Milão, Madri e Lisboa tiveram baixas de 1,13%, 1,69% e 1,51% cada. Todos os principais índices europeus encerraram com perdas semanais.

Bolsas da Ásia

Na Ásia os índices fecharam sem sentido único, com alguns deles precificando como positivo o pacote de estímulos dos EUA, mesmo com a chance dele ser reduzido pelo Congresso. As Bolsas chinesas ShenzhenXangai tiveram altas de 0,27% e 0,01% cada. Hong Kong subiu 0,41%. 

Na contramão, considerando a possibilidade da proposta ser reduzida, as Bolsas de Tóquio e Seul caíram 0,62% e 2,03% cada, enquanto Taiwan recuou 0,58%. Na Oceania, a bolsa australiana fechou na estabilidade.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa hoje, com a cautela em meio ao avanço da covid-19. Além disso, o pacote de resgate da economia anunciado por Joe Biden não teve o efeito de trazer otimismo no mercado, já que há ceticismo sobre sua aprovação no Congresso e a velocidade disso. Existe ainda desconfiança sobre as capacidades de cortes na produção por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), com uma parte das nações sofrendo por questões fiscais.

WTI para fevereiro fechou em baixa de 2,26%, a US$ 52,36 o barril. Já o WTI para março, contrato mais líquido, fechou em baixa de 2,24%, em US$ 52,42 o barril. O Brent para março recuou 2,34% a US$ 55,10 o barril, com queda de 1,59% na comparação semanal./ MAIARA SANTIAGO, IANDER PORCELLA E MATHEUS ANDRADE

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