Koji Sasahara/AP
Koji Sasahara/AP

Mercado internacional fecha sem sentido único com petróleo e eleições nos EUA

Investidores monitoraram de perto o andamento das eleições para o Senado americano e a falta de disposição do presidente Donald Trump, em reconhecer a vitória de Joe Biden para a presidência dos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2021 | 07h30

Os investidores monitoraram com atenção o andamento das eleições para o Senado americano, em um dia de tensão com a cerimônia de reconhecimento da vitória do presidente eleito, Joe Biden. Nesse cenário, as Bolsas da Ásia e de Nova York fecharam sem sentido único nesta quarta-feira, 6. Já a Europa teve alta generalizada, com a aprovação do uso da vacina da Moderna pela agência reguladora da União Europeia.

Animou os índices logo pela manhã, a confirmação de que os democratas conseguiram conquistar uma das duas cadeiras disponíveis para o Senado no Estado da Geórgia. A outra cadeira, segundo agências de notícias e a rede televisiva americana NBC, também iria para o partido de Biden - o que daria o controle da Casa para os democratas. A informação ainda não foi oficialmente confirmada.

Por outro lado, causa preocupação a falta de reconhecimento da vitória de Biden pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump. Nesta quarta, após seu vice-presidente, Mike Pence, se recusar a barrar a cerimônia que oficializaria a derrota do republicano, apoiadores pró-Trump invadiram o Congresso americano e suspenderam a sessão.

No âmbito da covid-19, a União Europeia deu mais um passo adiante e aprovou nesta quarta o uso da vacina da Moderna. Com a decisão da agência reguladora do bloco, a expectativa agora é pela aprovação também da Comissão Europeia. Vale lembrar que a UE já liberou o uso do imunizante produzido pela Pfizer com a BioNTech.

Bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York terminaram a quarta-feira sem sinal único, de olho no cenário político americano. De um lado, animou a chance dos democratas já terem conquistado o controle do Senado dos EUA. Do outro, causou tensão nos índices já no final do pregão, a invasão do Capitólio por apoiadores pró-Trump. Em resposta, o mercado americano arrefeceu os ganhos.

O Dow Jones fechou em alta de 1,44% e o S&P 500 subiu 0,57%, mas o Nasdaq caiu 0,61%. Como um controle democrata no Legislativo americano pode se traduzir em mais regulações contra as chamadas "giant techs", Apple registrou baixa de 3,37%, Microsoft caiu 2,59% e Facebook, 2,83%. Já outros setores se saíram bem, com a perspectiva de estímulos. Bancos estiveram entre os destaques, como Goldman Sachs, com alta de 5,40%, JP Morgan, com 4,70% e Citigroup, com 5,75%. 

Bolsas da Ásia

A assinatura de um decreto por Donald Trump, que bane transações com oito aplicativos de software chineses, incluindo o Ant Group Alipay e o WeChat, foi mal recebida pelos investidores asiáticos e deixou os índices sem sentido único. De olho no aspecto negativo do noticiário, o índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, fechou o dia em queda de 0,38%, assim como o Kospi, de Seul, que baixou 0,75%. Na Oceania, a Bolsa de Sydney cedeu 1,12%. 

Na China continental, os índices Xangai Composto e Shenzhen Composto subiram 0,63% e 0,26% cada, enquanto em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,15%. O bom resultado foi apoiado pelo andamento das eleições no Senado americano, que apontam para uma vitória democrata. 

Bolsas da Europa 

Além da aprovação de uma nova vacina, indicadores econômicos favoráveis ajudaram no bom desempenho dos índices europeus. Na Alemanha, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto subiu de 51,7 em novembro para 52 em dezembro de 2020. O mesmo indicador saltou de 49 para 50,4 no Reino Unido e de 45,3 a 49,1 na zona do euro, ambos na mesma comparação.

Em resposta, o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou com alta de 1,36%, enquanto a Bolsa de Londres subiu 3,47%, Paris, 1,19% e Frankfurt, 1,76%. Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 2,40%, 3,20% e 3,19% cada. 

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta quarta-feira, à medida em que investidores seguem repercutindo o corte repentino de 1 milhão de baris por dia (bpd) na produção da commodity pela Arábia Saudita, em decisão anunciada ontem. Os preços do petróleo ainda ganharam impulso após o Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos informar queda bem maior que o projetado por analistas dos estoques da commodity no país na semana passada.  

Em resposta, o WTI para fevereiro subiu 1,40%, a US$ 50,63 o barril, retomando o nível de US$ 50, que na última segunda-feira havia sido atingido pela primeira vez desde fevereiro de 2020. Já o Brent para março avançou 1,31%, a US$ 54,30 o barril./ MAIARA SANTIAGO, EDUARDO GAYER E ANDRÉ MARINHO

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