Kazuhiro Nogi/AFP
Kazuhiro Nogi/AFP

Bolsas da Ásia fecham sem sinal único, enquanto Europa opera com ganhos

Aprovação de um aumento na ajuda financeira aos americanos pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos influenciou várias praças asiáticas; após feriado, Londres repercute acordo comercial entre Reino Unido e União Europeia no Brexit

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2020 | 08h06

Os principais mercados da Ásia não tiveram direção única, nesta terça-feira, 29. Houve recuo em Xangai, mas Tóquio subiu, na máxima de fechamento desde agosto de 1990, após recorde nas bolsas de Nova York. O fato de que a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou um aumento na ajuda aos americanos apoiou os negócios em várias praças.

No Japão, o índice Nikkei fechou em alta de 2,66%, em 27.568,15 pontos. Entre os destaques em Tóquio, M3 subiu 4,8% e ANA Holdings, 4,7%. Havia também bastante atenção no país às notícias sobre tendências da covid-19 e seus potenciais impactos na atividade local.

Na China, a Bolsa de Xangai encerrou em baixa de 0,54% e a de Shenzhen, de menor abrangência, caiu 0,64%, a 2.258,37 pontos. Ações ligadas à indústria, inclusive de siderúrgicas, e empresas vinculadas ao carvão estiveram entre as maiores baixas. Papéis ligados ao consumo, que vinham de altas recentes, também recuaram hoje.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng teve alta de 0,96%, a 26.568,49 pontos. O Citigroup comenta que ações de incorporadoras em Hong Kong podem ter desempenho superior ao do Hang Seng no primeiro semestre, diante da recuperação da pandemia, enquanto o setor de luxo pode se beneficiar da potencial volta dos turistas.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi subiu 0,42% em Seul, para 2.820,51 pontos, na máxima histórica de fechamento. A praça sul-coreana teve ações de farmacêuticas entre os destaques, com os estímulos nos EUA no radar. Celltrion avançou 10%, após a farmacêutica oficializar pedido a autoridades locais para aprovar o uso emergencial de um tratamento potencial contra o novo coronavírus, o CT-P59.

Em Taiwan, o índice Taiex recuou 0,08%, em 14.472,05 pontos, após oscilar entre altas e baixas durante o pregão.

Na Oceania, na Bolsa de Sydney o índice S&P/ASX 200 subiu 0,53%, a 6.700,30 pontos. Trata-se do terceiro dia consecutivo de ganhos para a bolsa australiana, com papéis dos setores financeiro, de tecnologia e imobiliário entre os destaques e a política dos EUA também como apoio à tomada de risco.

Bolsas da Europa

As bolsas europeias exibem ganhos nas primeiras horas do pregão, embora, no caso de Milão, não muito distante da estabilidade. O destaque nesta terça-feira fica por conta de Londres, que sobe mais de 2%, na volta de um feriado ontem, com isso reagindo apenas hoje à notícia do acordo comercial entre Reino Unido e União Europeia no Brexit. Além disso, a chance de mais estímulos à economia nos Estados Unidos apoia o apetite por risco.

O índice pan-europeu Stoxx 600 subia 1,07%, a 402,83 pontos, por volta das 6h30 (de Brasília), superando portanto a marca dos 400 pontos.

O acordo comercial entre Londres e Bruxelas foi concluído apenas perto do fechamento do dia 24. Com o feriado do dia seguinte e o de ontem em Londres, a bolsa local reage à notícia apenas hoje. Negociador chefe da UE sobre o tema, Michel Barnier celebrou nesta terça-feira o fato de que o pacto traz maior estabilidade às relações, além de dizer que ele foi um "alívio".

Além disso, ajuda o humor o fato de que a Câmara dos Representantes dos EUA votou por elevar os pagamentos aos americanos de US$ 600 a US$ 2 mil, no pacote de auxílio diante do choque da covid-19. O Senado americano deve apreciar o tema nesta semana, talvez já nesta terça-feira.

De qualquer modo, o novo coronavírus e seus impactos seguem como uma preocupação no radar. Em relatório sobre a Espanha, o BBVA lembra que as autoridades continuam a gerir uma crise sanitária, com continuadas notícias sobre contagiados e falecidos, mas também comenta que a aprovação de vacinas contra a covid-19 e a possibilidade de que nos próximos meses ocorra vacinação em massa no continente ajudam a sustentar melhores expectativas.

Às 6h39 (de Brasília), a Bolsa de Londres subia 2,54%, Frankfurt avançava 0,52% - tendo atingido hoje máxima histórica intraday - e Paris tinha alta de 0,59%. Milão operava com ganho de 0,12%, Madri subia 0,61% e Lisboa, 0,69%. No câmbio, o euro subia a US$ 1,2243 e a libra tinha alta a US$ 1,3493.

Petróleo

O dólar recua ante outras moedas principais nesta madrugada, após a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos votar a favor de um aumento nos pagamentos diretos aos americanos, no mais recente pacote de ajuda diante da pandemia da covid-19 e seus efeitos. O movimento no câmbio ajuda o petróleo a subir, com foco também na perspectiva de maior força da economia americana com a medida, que pode ser confirmada nesta terça-feira pelo Senado americano.

Às 4h41 (de Brasília), o dólar caía a 103,67 ienes, o euro subia a US$ 1,2249 e a libra tinha alta a US$ 1,3500. O índice DXY, que mede o dólar ante outras divisas fortes, tinha baixa de 0,31%, a 90,055 pontos. O petróleo WTI para fevereiro subia 0,88%, a US$ 48,04 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para o mesmo mês avançava também 0,88%, a US$ 51,31 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), após ter fechado em baixa ontem, durante sessão volátil, na qual houve otimismo sobre estímulos nos EUA, mas também cautela ante os impactos da covid-19 na atividade e nas perspectivas para a demanda pela commodity. 

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