Jeon Heon-Kyun/EFE/EPA
Jeon Heon-Kyun/EFE/EPA

Mercados fecham sem sentido único com avanço da covid e falta de estímulos nos EUA

Universidade John Hopkins prevê que o mundo deve ultrapassar 70 milhões de contaminações nesta sexta; mesmo nesse cenário, os EUA não conseguem definir as novas medidas de incentivo fiscal

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2020 | 07h30
Atualizado 11 de dezembro de 2020 | 19h26

Os mercados acionários da Ásia e da Europa fecharam sem sinal único, nesta sexta-feira, 11, de olho no avanço do coronavírus no mundo e também diante do impasse nas negociações de novas medidas de estímulo fiscal nos Estados Unidos. Além disso, a falta de um acordo econômico pós-Brexit também ajudou a azedar o humor dos investidores.

Contribuiu para o mal-estar o avanço da covid-19 na Europa. Enquanto o Reino Unido reduziu o período de auto isolamento de 14 para 10 dias, Portugal, assim como a Alemanha, registrou novo recorde de óbitos diários com 95 mortes em 24h. Já em Nova York, o governador Andrew Cuomo ordenou a suspensão do serviço interno em restaurantes na cidade de mesmo nome. Segundo levantamento da Universidade John Hopkins, o mundo deve ultrapassar 70 milhões de contaminações ainda nesta sexta.

Diante do avanço da doença, preocupa a falta de ação dos Estados Unidos quanto a novas medidas de incentivo. O senador democrata Tim Kaine garantiu que as negociações estão avançando, mas ponderou que ainda há divergências em muitas áreas nas negociações com Washington. Já o senador e líder republicano na Casa, Mitch McConnell, defendeu que seu partido e os democratas façam concessões para chegar logo a um acordo.

Também pesou o impasse nas negociações do pós-Brexit, nome que se dá para a saída do Reino Unido da União Europeia. Segundo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta sexta, as negociações com os britânicos para um acordo comercial "continuam distantes em questões fundamentais", como o uso das águas de pesca do Reino Unido e a forma de estabelecer uma competição justa entre as empresas de ambos os lados. De acordo com Ursula, no domingo, líderes de ambos os lados irão decidir se há condições para um acordo.  

Bolsas de Nova York

O avanço do coronavírus no país americano preocupou os investidores, após os EUA bater recordes de mortes em 24 horas. Os índices S&P 500 e Nasdaq fecharam em queda de 0,16% e 0,23%, respectivamente, mas o Dow Jones subiu 0,16%, impulsionado pela ação da Walt Disney. A expansão da plataforma de streaming da companhia (Disney+) animou investidores no pregão de hoje e os papéis da companhia subiram mais de 15%.

No acumulado semanal, o Dow Jones teve queda de 0,57%, o S&P 500 recuou 0,96% e o Nasdaq caiu 0,69%. Já as ações de bancos se saíram mal nesta sexta-feira, com o JP Morgan recuando 0,63% e o Goldman Sachs, 1,80%. O avanço da pandemia nos EUA também prejudicou ações de empresas aéreas. A American Airlines recuou 5,23% no pregão de hoje, acompanhada por JetBlue Airlines, com 4,52% e United Airlines, com 2,58%.

Bolsas da Ásia

No Japão, o índice Nikkei fechou em baixa de 0,39%, após a queda das ações do setor imobiliário e de empresas de transporte. Nos mercados chineses, a Bolsa de Xangai terminou em queda de 0,77%, enquanto a de Shenzhen caiu 1,31%. O quadro continua a ser de volatilidade nas praças chinesas, após os índices terem atingido nas últimas semanas seus níveis mais altos neste ano. Na Oceania, o índice S&P/ASX 200 fechou em queda de 0,61%, mas ainda conseguiu marcar a sexta semana consecutiva de ganhos.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng teve alta de 0,36%, já na Coreia do Sul, o índice Kospi subiu 0,86%. Papéis de varejistas estiveram entre os destaques, com o quadro apoiado também por dados de exportações preliminares considerados positivos. Em Taiwan, o índice Taiex subiu 0,09%.

Bolsas da Europa 

A possibilidade de que o Reino Unido acabe por sair da União Europeia sem acordo comercial com o bloco aumentou a cautela dos investidores nesta sexta, reforçada ainda mais pelo avanço de casos da covid-19 no bloco europeu. Nesse cenário, o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou com baixa de 0,77%.

Em Londres, a Bolsa caiu 0,80%, com a queda das ações dos bancos Lloyds e Barclays, de 4,49% e 4,02%, respectivamente. Paris cedeu 0,76% e Frankfurt teve queda de 1,26% - com o agravamento da pandemia da Alemanha, das 30 empresas que compõem o índice, apenas três encerraram o dia no azul. Milão, Madri e Lisboa tiveram baixas de 0,97%, 1,46% e 1,10% cada.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa nesta sexta-feira, diante do risco de que o avanço da segunda onda da pandemia em diversas regiões do mundo pressione a demanda pela commodity energética. A cautela dos investidores prevaleceu ante a perspectiva de que uma vacina contra a covid-19 possa ser liberada em breve pelo Food and Drug Administration (FDA, na sigla em inglês), a agência reguladora americana. 

O WTI para janeiro fechou em queda de 0,45%, em US$ 46,57 o barril, enquanto o Brent para fevereiro recuou 0,56%, a US$ 49,97 o barril, sem conseguir se segurar no patamar dos US$ 50 o barril, ao qual retornou essa semana pela primeira vez desde março. Na semana, porém, houve avanço nos dois contratos, com o WTI com ganho de 0,67%, e o Brent, de 1,46%./ MAIARA SANTIAGO, PEDRO CARAMURU E GABRIEL CALDEIRA

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