Koji Sasahara/AP
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Bolsas da Ásia têm forte queda de olho na economia dos EUA; Europa e NY fecham em alta

Nem mesmo o fato de Jerome Powell, presidente do banco central dos EUA, ter reafirmado que não vê necessidade de mudar sua atual política de juros ultra baixos, melhorou o ânimo do mercado asiático

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2021 | 07h30
Atualizado 24 de fevereiro de 2021 | 18h23

Os principais índices do exterior fecharam sem sinal único nesta quarta-feira, 24. Enquanto na Ásia o clima foi de baixa generalizada, ante temores sobre o recente aumento nos juros dos títulos da dívida americana, o que afeta o mercado de risco, Europa e Nova York fecharam com altas generalizadas, após dados positivos animadores sobre a economia e a covid-19.

O avanço recente dos juros dos Treasuries (títulos da dívida americana) de mais longo prazo, tem pressionado ações que acumulam forte valorização, como as de tecnologia. Desde a semana passada, o juro da T-note de 10 anos tem se mantido nos maiores níveis em 12 meses.

Há preocupações também de que uma eventual aceleração dos preços leve, por conta da alta da inflação, leve o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), e outros bancos centrais, a começarem a normalização de suas políticas ultra-acomodatícias de juros baixos. O presidente do Fed, Jerome Powell, disse ontem que não pretendia mudar sua política monetária, que envolve agressivas compras de ativos, mas mesmo assim, os investidores continuaram receosos.

No continente europeu, a disparada no rendimento dos treasuries chegou a segurar os ganhos dos índices, mas o otimismo em relação à covid predominou no final do pregão. Por lá, o Reino Unido já trabalha em um plano para relaxar o lockdown até junho e, de acordo com reportagem do Telegraph, esse prazo poderá ser encurtado se a imunização for bem-sucedida. 

Bolsas da Ásia 

Na Ásia, a Bolsa de Hong Kong liderou com perda de 2,99%, após o governo local revelar planos de elevar um imposto sobre negócios com ações. Por outro lado, Hong Kong também anunciou um pacote fiscal de US$ 15,4 bilhões para ajudar o território a se recuperar da crise gerada pela pandemia de covid-19, que levou a economia local a contrair 6,1% no ano passado.

Já a Bolsa de Tóquio teve queda de 1,61%, na volta de um feriado no Japão, enquanto a de Seul recuou 2,45% e a de Taiwan, 1,40%. As chinesas Xangai e Shenzhen tiveram baixas de 1,99% e 2,03% cada. Na Oceania, a Bolsa australiana ficou igualmente no vermelho e caiu 0,90% em Sydney

Bolsas da Europa

Os ganhos predominaram nas principais Bolsas europeias, com o índice pan-europeu Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, fechando em alta de 0,46%. A Bolsa de Londres avançou 0,50%, a de Paris, 0,31% e a de Frankfurt, 0,8%, depois que a Alemanha revisou para cima o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre de 2020, para um crescimento de 0,3% no confronto com os três meses anteriores. 

A Bolsa de Milão ganhou 0,96%, ajudada pelo salto de 9,16% na ação da Telecom (controladora da TIM Brasil), que informou lucro líquido 100 vezes maior no quarto trimestre de 2020 na comparação com igual período de 2019. Madri e Lisboa tiveram altas de 0,21% e 0,11% cada.

Bolsas de Nova York

Ajudou no bom humor do mercado de Nova York, a fala do vice-presidente do (Fed, o banco central americano), Richard Clarida, de que vê sinais de retomada nos EUA e de que não há nada de errado nos fundamentos da economia americana.

Por lá, Dow Jones encerrou em alta de 1,35% e renovou seu recorde histórico de fechamento. Já o S&P 500 avançou 1,13% e o Nasdaq, 0,99%.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta hoje, após um começo de sessão negativo, com o mercado devolvendo parte da valorização no preço do barril desde o começo do ano. Entretanto, o Departamento de Energia (DoE) americano informou que os estoques de petróleo subiram 1,285 milhão de barris na semana, ante previsão de recuo de 4,9 milhões.

Em resposta,  o WTI para abril fechou em alta de 2,51%, cotado a US$ 63,22 o barril, enquanto o Brent para igual mês avançou 2,55%, a US$ 67,04 o barril. Desde o começo do ano, o preço do barril já aumentou mais de 30%, e o avanço com relação a novembro do ano passado, quando disputas entre produtores e pessimismo com o cenário da pandemia de covid-19 derrubaram o petróleo, é de 75%, de acordo com o Commerzbank. /MAIARA SANTIAGO, ANDRÉ MARINHO E MATHEUS ANDRADE

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