Jeon Heon-Kyun/EFE/EPA
Jeon Heon-Kyun/EFE/EPA

Mercados internacionais fecham majoritariamente em alta com planos de vacinação contra a covid

Países do continente europeu, um dos mais afetados pela pandemia, já se preparam para imunizar a população; Reino Unido, França e Rússia já fazem planos

Maiara Santiago e Gabriel Caldeira, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2020 | 07h30
Atualizado 02 de dezembro de 2020 | 19h11

A maioria das Bolsas da Ásia e da Europa encerraram o pregão desta quarta-feira, 2, em alta, com os planos de vacinação contra o coronavírus de países no continente europeu, um dos mais afetados pela segunda onda da pandemia. Nova York também fechou sem sentido único, com alguma expectativa por mais estímulos.

O otimismo de investidores nesta quarta se justifica em especial pelo anúncio de que o Reino Unido autorizou o uso emergencial da vacina contra a covid-19 da Pfizer e BioNTech, e deve começar a vacinar a população já na semana que vem. No entanto, a rápida decisão foi criticada pela União Europeia, que disse ter um plano de imunização mais completo. Nos bastidores, a medida foi vista como uma manobra política do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

Vale lembrar que além da Pfizer, a Moderna também entrou com um pedido para uso emergencial de sua vacina em desenvolvimento nos Estados Unidos e na Europa. O imunizante da americana teve 94,5% de eficácia contra o vírus, segundo uma primeira análise. 

Um plano similar de imunização projetado pela Rússia reforçou a expectativa de recuperação econômica em 2021 em todo o mundo. Na última terça-feira, 1, Emmanuel Macron, presidente da França, disse que também pretende fazer uma campanha de vacinação em massa já no primeiro semestre de 2021.

Bolsas de Nova York

Nesta quarta, líderes democratas no Senado defenderam, em nota, que governo e oposição trabalhem a partir da proposta de US$ 908 bilhões revelada na última terça-feira, 1, por um grupo de parlamentares dos dois partidos. Em comunicado conjunto, a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, e o líder da minoria no Senado, Chuck Schummer, alertaram para o risco de uma nova recessão, caso não haja entendimento no legislativo por uma legislação de alívio.

Os democratas defenderam que a proposta de ontem seja usada como esboço. "Claro, nós e outros ofereceremos melhorias, mas a necessidade de agir é imediata e acreditamos que com negociações de boa fé podemos chegar a um acordo", ressaltaram. Com a chance de novas medidas de incentivo, os índices de Nova York fecharam majoritariamente em alta. Dow Jones subiu 0,20% e o S&P 500 ganhou 0,18%, a 3668,99 pontos (novo recorde de fechamento). Já o Nasdaq recuou 0,05%.

Bolsas da Europa 

Com os investidores atentos ao possível começo da imunização no continente, ficou em segundo plano a fala do negociador-chefe da União Europeia para o Brexit, Michel Barnier, que afirmou que um acordo comercial com o Reino Unido pode não sair, aumentando a chance de um rompimento bruto entre os dois blocos. Mesmo assim, a Bolsa de Londres teve alta de 1,17%, a maior do continente.

A Bolsa de Paris teve leve ganho de 0,02%, enquanto Madri e Lisboa avançaram 0,90% e 0,81% cada. Na contramão, Frankfurt caiu 0,52%, após a informação de que líderes estaduais e federais da Alemanha estudam expandir as medidas restritivas para frear o aumento de infecções pela covid-19. Milão também caiu 0,56%.

Bolsas da Ásia e Pacífico

Em Tóquio, o índice Nikkei subiu 0,05% acompanhado pelo sul-coreano Kospi, com ganho de 1,58%. Na China, o índice Shenzhen encerrou o dia em alta de 0,22%. Os três foram bastante influenciados pelo clima positivo global da última terça, quando o mercado asiático já estava fechado. Na Oceania, a Bolsa de Sidney encerrou o pregão perto da estabilidade, em alta de 0,03%. 

Outros índices acionários asiáticos, contudo, marcaram queda nesta quarta-feira: o de Xangai, de 0,07% e o Hang Seng, de Hong Kong, de 0,13%. Pesou sobre eles a tendência vendedora dos papéis da Xiaomi, após a fabricante de smartphones anunciar planos de levantar por volta de US$ 4 bilhões em debêntures. Só em Hong Kong, os papéis da empresa caíram 7,07%.

Petróleo 

Os contratos futuros mais líquidos de petróleo fecharam em alta nesta quarta-feira, impulsionados pela queda dos estoques da commodity nos Estados Unidos e pela perspectiva de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) decidam pela extensão dos cortes na produção em 2021. O WTI para janeiro fechou em alta de 1,64%, a US$ 45,28 o barril, enquanto o Brent para fevereiro avançou 1,75%, cotado a US$ 48,25 o barril.

Sobre os dados, os estoques de petróleo nos EUA caíram 679 mil barris, para 488,042 milhões de barris, na semana passada, informou o Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) do país. Analistas ouvidos pelo Wall Street Journal previam queda de 1,9 milhão de barris no período./ COLABOROU ANDRÉ MARINHO

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