Jerome Favre/EFE
Jerome Favre/EFE

Bolsas da China têm maior queda desde 2016 após Trump anunciar tarifa

No Twitter, o presidente dos Estados Unidos afirmou que vai impor mais tarifa sobre produtos da China. Trump também disse que US$ 325 bilhões em produtos chineses até agora não tarifados devem passar a sofrer, em breve, tarifas de 25%

Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2019 | 08h42

As bolsas asiáticas tiveram uma segunda-feira, 6, de baixas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar em sua conta no Twitter no último domingo, 5, que vai impor mais tarifa sobre produtos da China e ameaçar o país com uma nova rodada de elevação de tarifas mais adiante. Com isso, as bolsas chinesas registraram sua maior queda diária desde 2016. No Japão e na Coreia do Sul, as bolsas não operaram por causa de feriados locais.

No domingo, Trump afirmou que durante dez meses a China tem pagado tarifas aos EUA de 25% sobre US$ 50 bilhões no setor de alta tecnologia e de 10% sobre US$ 200 bilhões em outros produtos. "Os 10% subirão para 25% na sexta-feira", anunciou ele.

Além disso, o presidente americano disse que US$ 325 bilhões em produtos chineses até agora não tarifados devem passar a sofrer tarifas "em breve", de 25%. "O acordo comercial com a China continua, mas muito lentamente, enquanto eles tentam renegociar. Não!", escreveu.

A notícia funcionou como um banho de água fria no apetite por risco em geral nos mercados internacionais, pressionando as bolsas asiáticas. A Bolsa de Xangai fechou em queda de 5,58%, em 2.906,46 pontos, seu maior recuo diário desde fevereiro de 2016. A Bolsa de Shenzhen teve baixa de 7,4%, a 1.515,80 pontos, também na maior queda diária desde fevereiro de 2016.

Entre as ações mais negociadas em Xangai, Air China caiu 9,56%, Anhui Conch Cement recuou 3,60% e Bank of China teve queda de 2,83%.

Diretor de estratégia de investimentos do Banco de Cingapura, Eli Lee afirmou que os riscos nas negociações entre chineses e americanos "claramente aumentaram". Para ele, há uma chance em três de que esse diálogo acabe em ruptura, após o passo dado ontem por Trump.

Lee acredita que as ameaças podem ter sido uma tática de negociação para elevar ao máximo a pressão antes da próxima rodada de conversas, mas Trump também poderia estar inclinado a desistir de um acordo se não julgasse que ele lhe traria benefícios políticos.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng registrou baixa de 2,90%, a 29.209,82 pontos, maior recuo diário desde outubro. Ping An Insurance teve queda de 4,8%, enquanto ações de cassinos em Macau recuaram cerca de 5%. WH, uma grande produtora de carne de porco considerada um indicativo do sentimento do comércio EUA-China, recuou 6,8%.

Na Bolsa de Taiwan, o índice Taiex fechou em queda de 1,80%, a 10.897,12 pontos, sua pior variação diária desde dezembro. / Com informações da Dow Jones Newswires.

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