Bolsas da Europa caem com receios sobre grupos financeiros

Fechamento positivo em Wall Street também não foi suficiente para garantir alta nos mercados da Ásia

Nathália Ferreira, da Agência Estado,

26 de novembro de 2009 | 08h54

As bolsas europeias operam em forte queda em dia de fraco volume por causa do feriado nos EUA, com os investidores optando por embolsar lucros devido às preocupações com a situação da economia global e problemas no Dubai World. O sentimento de aversão ao risco contribui para que o dólar recupere parte dos ganhos, após ter atingido o menor nível em 15 meses frente a uma cesta de moedas, enquanto o ouro spot recuava depois de ter renovado o recorde de alta mais cedo.

 

Às 8h16 (de Brasília), a Bolsa de Londres perdia 1,75%, e Frankfurt recuava 1,94%. Mais cedo, às 7h10 (de Brasília), a Bolsa de Paris caía 2,0%. Embora todos os setores estejam no vermelho, bancos e mineradoras eram destaque de queda. Esses dois segmentos lideraram os ganhos na Europa este ano, com as mineradoras subindo 85% no ano até agora e os bancos, 50%. No mesmo horário, o euro caía 0,13%, a US$ 1,5092, enquanto a libra perdia 0,74%, a US$ 1,6547; e o dólar subia 0,38%, a 86,72 ienes.

 

Na quarta-feira, 25, o Dubai World, conglomerado que atua nos setores de imóveis a portos, com passivos de quase US$ 60 bilhões, pediu uma "paralisação" de seis meses no pagamento da dívida do grupo, o maior de Dubai. A Moody's Investors Service e a Standard & Poor's rebaixaram fortemente a dívida de várias instituições ligadas ao governo de Dubai. No caso da Moody's, as instituições rebaixadas perderam o status de grau de investimento.

 

As comemorações de Ação de Graças nos EUA reduzem as atividades nos mercados, afirmou Daniel Roy, chefe de estratégia com derivativos do Newedge Group, mas os problemas no Dubai World lembraram os investidores de que a crise de crédito ainda não acabou. Segundo ele, esse é o primeiro problema realmente ruim no cenário rosado de afrouxamento quantitativo dos últimos meses, embora ainda não haja motivo para alarmes falsos.

 

"Continuamos acreditando que provavelmente teremos que ficar acostumados em lidar com risco soberano em 2010 e que ficar vendido em risco soberano é uma boa maneira de fazer hedge contra posições de risco compradas", acrescentou Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank.

 

O fechamento positivo em Wall Street na quarta-feira também não foi suficiente para garantir alta na Ásia. Na Bolsa de Tóquio, pesou nas ações de exportadoras o declínio do dólar para o menor nível em 14 anos ante o iene. O ministro das Finanças do Japão, Hirohisa Fujii, disse mais cedo a repórteres que é o "momento de acompanhar os mercados de câmbio cuidadosamente", em um sinal de que o Japão pode reforçar o monitoramento dos mercados cambiais. Mas operadores acreditam que o comentário não sinaliza uma intervenção imediata.

 

A Bolsa de Hong Kong também sofreu com o enfraquecimento dos bancos  chineses. O índice Hang Seng caiu 401,39 pontos, ou 1,8%, e terminou aos 22.210,41 pontos.  As Bolsas da China mais do que devolveram os fortes ganhos da véspera e fecharam com queda acentuada. A possibilidade de um aperto na política monetária e os planos dos bancos de elevar capital continuaram a pesar no sentimento dos investidores. O índice Xangai Composto caiu 3,6% e encerrou aos 3.170,98 pontos. Já o Shenzhen Composto perdeu 3,5% e terminou aos 1.171,72 pontos.

No pregão europeu, porém, o dólar conseguia recuperar terreno depois de o índice da moeda contra uma cesta de divisas ter atingido o menor nível em 15 meses, de 74,17. Segundo analistas, o fato de as moedas terem rompido diversos níveis técnicos significativos favoreceu alguns ajustes, mas os motivos para a fraqueza do dólar, tais como os juros baixos nos EUA por um período prolongado, continuam intactos.

 

O ouro tentou manter a trajetória de alta exibida nas últimas sessões e chegou a renovar a máxima histórica no mercado à vista, com a notícia de que o Sri Lanka recorreu ao Fundo Monetário Internacional para comprar o metal precioso. Embora a compra tenha sido pequena, apenas 10 toneladas, marca outro voto de confiança no ouro e ocorre no momento em que os investidores buscam segurança contra riscos de bolhas inflacionárias em outros ativos.

 

Participantes do mercado também citam forte demanda especulativa no ouro, que dá fôlego para que o metal siga subindo. Mas a valorização do dólar no pregão europeu abriu espaço para correção no ouro. Às 8h16 (de Brasília), o ouro spot caía 0,88%, a US$ 1.183,22 a onça troy. As informações são da Dow Jones.

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