Violeta Santos Moura/Reuters
Violeta Santos Moura/Reuters

Bolsas da Europa e Ásia se recuperam de perdas recentes, mas Nova York cai

Investidores europeus e asiáticos optaram por já precificar uma possível reabertura dos países, apesar do avanço da covid na Ásia; em Nova York, alta da inflação dos EUA preocupa

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2021 | 17h30

As Bolsas da Ásia e da Europa fecharam em alta nesta terça-feira, 18, com o mercado asiático se recuperando de perdas recentes, enquanto os europeus se mantêm positivos com o processo de reabertura do bloco. Já em Nova York, o clima foi de queda, com os investidores à espera do posicionamento do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sobre a economia dos Estados Unidos.

Divulgada hoje, a segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro no primeiro trimestre registrou queda de 1,8%, confirmando a segunda recessão técnica na região durante a pandemia. Apesar do dado, a Capital Economics estima que a imunização da população europeia deve ajudar na retomada. Ainda na zona do euro, saiu também a balança comercial de março, que mostrou leve queda nas exportações, e alta de 5,6% nas importações. 

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que a perspectiva a curto prazo nas economias da União Europeia é positiva, graças à vacinação, que ainda é lenta. Ela alertou, no entanto, que ainda há "incertezas" provocadas pela pandemia e, por isso, é "essencial que as políticas fiscal e monetária na Europa não sejam alteradas tão cedo". 

Nos EUA, o dia também foi de grande expectativa pelo posicionamento do Fed sobre a economia americana. Hoje, a entidade divulgou o discurso que o vice-presidente para Supervisão, Randy Quarles, fará na Câmara. No texto, Quarles diz que a economia dos EUA está "iniciando uma forte recuperação, que ainda não está completa". Em seu discurso, ele sinalizou ainda que algumas "empresas e famílias estão vulneráveis" e que o papel do Fed, neste momento, "é apoiar o sistema financeiro e a economia até o fim desta transição".

Bolsas de Nova York

Em Nova York, o temor de que a inflação não seja "temporária", como vem afirmando o Fed, colaborou para derrubar os índices, em especial as ações do setor de tecnologia. Os três maiores índices, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq caíram 0,78%, 0,85% e 0,56% cada.

Já favorecidos por uma possível alta da inflação, vista como um sinal da retomada da economia americana e também o fim de medidas de estímulos, como os juros baixos, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano voltaram a subir hoje. Os papéis com vencimento para dez e trinta anos avançaram 1,6% e 2,36% cada. A alta desses ativos ajuda a derrubar a cotação da Bolsa, por serem opções mais seguras de investimento, promovendo uma debandada de recursos.

Bolsas da Europa

Na Europa, os índices fecharam majoritariamente em alta, com os investidores já precificando o processo de reabertura do bloco. O índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, fechou em alta de 0,17%, enquanto a Bolsa de Londres subiu apenas 0,02%, afetada hoje pela realização de lucros das mineradoras.

Milão, Madri e Lisboa ganharam 0,31%, 0,07% e 0,70% cada. Na contramão, as Bolsas de Paris e Frankfurt caíram 0,21% e 0,07% cada, com ações do setor de telecomunicações recuando nos dois países.

Bolsas da Ásia

No continente asiático, investidores deixaram o avanço da doença em países como Taiwan, Cingapura e Índia em segundo plano, optando por já precificar uma possível reabertura da economia local. A Bolsa de Tóquio subiu 2,09%, apesar da queda de 5,1% do PIB do Japão entre janeiro e março, enquanto Hong Kong avançou 1,42% e Seul se valorizou em 1,23%. 

Os índices chineses de XangaiShenzhen avançaram 0,32% e 0,17% cada. A Bolsa de Taiwan teve forte ganho de 5,16%. Na Oceania, a bolsa australiana também subiu 0,60%, com os ganhos liderados por ações de mineradoras e petrolíferas.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa, com investidores acompanhando as negociações em torno do acordo nuclear que envolve Irã e potências econômicas mundiais. Informações publicadas pela BBC sobre um possível anúncio sobre o tema, a ser feito amanhã, derrubaram os preços do óleo, mas as quedas foram atenuadas após um representante russo dizer que questões não resolvidas sobre o tema ainda permanecem. Caso seja fechado, o acordo pode aumentar a oferta de petróleo no mercado, em um momento no qual a demanda ainda está prejudicada pela pandemia,

O barril do petróleo WTI com entrega prevista para julho fechou em baixa de 1,18%, a US$ 65,50, enquanto o do Brent para julho recuou 1,08% (US$ 0,75), a US$ 68,71. /MAIARA SANTIAGO, GABRIEL CALDEIRA, MATHEUS ANDRADE E IANDER PORCELLA

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