Bolsas da Europa fecham em forte queda

Pressão maior veio da China, com investidores temerosos com efeitos da redução da liquidez do mercado

Álvaro Campos, da Agência Estado,

24 de junho de 2013 | 13h30

LONDRES - As bolsas da Europa fecharam em forte queda nesta segunda-feira, 24, pressionadas pelos receios sobre uma crise de liquidez no mercado interbancário da China, além de uma redução nas projeções de crescimento para o país. Nem mesmo uma melhora acima do esperado na confiança das empresas da Alemanha foi suficiente para animar os investidores. O índice pan-europeu Stoxx perdeu 1,69%, fechando a 275,66 pontos.

As condições do mercado financeiro chinês mudaram drasticamente. Nos últimos dias, com a perspectiva de mudança nos EUA, a oferta de dinheiro diminuiu no interbancário chinês e, por consequência, as operações de crédito entre instituições financeiras ficaram mais caras. Empréstimos entre bancos chegaram a ser fechados na semana passada com juro de 11%, muito acima da taxa de 3% praticada no mês passado.

A subida do custo do dinheiro acontece porque parte dos recursos que estavam investidos em mercados emergentes - como o Brasil e a China - tem saído em direção aos EUA. Entre investidores chineses, porém, a situação levantou a hipótese de que haveria uma reação do Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês). Mas nesta segunda-feira aconteceu exatamente o contrário: o BC chinês informou que a liquidez está em um "nível razoável" e ainda apelou aos grandes credores para que ajudem a restaurar a calma no mercado local.

Enquanto isso, o Goldman Sachs reduziu as estimativas para o crescimento econômico da China em 2013 e 2014, diante dos sinais cíclicos fracos e do recente aperto das condições financeiras. Para este ano, a instituição financeira prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) chinês cresça 7,4%, em vez de 7,8% como estimado anteriormente. Também houve corte na previsão para 2014, que passou de +8,4% para +7,7%.

Na Europa, o índice Ifo de sentimento das empresas aumentou pelo segundo mês consecutivo, para 105,9 em junho, de 105,7 em maio, ficando bem acima da média de longo prazo de 101 e superando as previsões dos economistas, de uma leitura inalterada. Já na Itália, o índice de confiança do consumidor subiu para 95,7 em junho, de 86,4 em maio, segundo a agência nacional de estatísticas Istat. Além disso, o superávit da Itália no comércio com países de fora da União Europeia subiu para 3 bilhões de euros em maio, em comparação com o superávit de 341 milhões de euros registrado no mesmo mês do ano passado.

Mesmo assim, o índice CAC-40, da Bolsa de Paris, perdeu 1,71%, fechando a 3.595,63 pontos. A siderúrgica Vallourec apresentou uma das maiores retrações, com queda de 3,69%. A varejista Carrefour teve baixa de 3,19%, após fontes afirmarem que a companhia estuda a venda de suas unidades na China e Taiwan. Já a Lafarge foi a única componente do índice a fechar no território positivo, com alta de 1,94%, depois de vender suas operações de gesso nos EUA para o fundo de private equity Lone Star, por US$ 700 milhões.

Em Londres, o índice FTSE teve retração de 1,42%, encerrando a sessão a 6.029,10 pontos. A Vodafone subiu 0,03%, depois de revelar hoje uma oferta de 7,7 bilhões de euros pela alemã Kabel Deutschland.

Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX caiu 1,24%, para 7.692,45 pontos. Os destaques de queda foram a companhia química Lanxess (-3,78%), a empresa aérea Lufthansa (-3,43%) e a farmacêutica Merck (-2,88%).

Em Milão, o índice FTSE-Mib teve queda de 0,93%, para 15.112,38 pontos. O índice IBEX-35, da Bolsa de Madri, registrou perda de 1,91%, para 7.553,20 pontos. O índice PSI-20, da Bolsa de Lisboa, caiu 2,95%, para 5.290,84 pontos. Fonte: Dow Jones Newswires.

Tudo o que sabemos sobre:
europabolsas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.