Koji Sasahara/AP
Koji Sasahara/AP

Mercados internacionais fecham em alta com chance de estímulos nos EUA e decisão do Fed

Investidores monitoraram de perto a decisão do BC americano de continuar incentivando a economia, além de ver com otimismo a possibilidade do Congresso dos EUA aprovar um novo pacote fiscal

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2020 | 07h30
Atualizado 17 de dezembro de 2020 | 19h20

Os mercados acionários da Ásia e da Europa fecharam majoritariamente em alta nesta quinta-feira, 17, com investidores avaliando a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de continuar apoiando a economia dos EUA, além da possibilidade de mais estímulos fiscais no país americano. Também ajudou no bom humor, o andamento dos planos de imunização ao redor do mundo.

Hoje, o site americano Politico informou que os senadores Mitch McConnell (republicano, líder da maioria na Casa) e Chuck Schumer (democrata, líder da minoria) declararam que o pacote fiscal está próximo de ser fechado. A ajuda pode chegar a US$ 900 bilhões e será direcionada aos setores mais atingidos pela crise decorrente da covid-19

A notícia se somou a decisão do Fed, de manter em 0% e 0,25% a taxa de juros americana. Já o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, disse que vai continuar utilizando os instrumentos necessários para apoiar a economia dos EUA. Com isso, ficou em segundo plano a decisão do Banco da Inglaterra (na sigla em inglês, BoE). Hoje, o banco comunicou decisão de manter os juros básicos em 0,10% ao ano e o volume do programa de relaxamento quantitativo (QE) em 895 bilhões de libras.

Além disso, o dia de hoje foi marcado por notícias envolvendo a imunização contra o coronavírus. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a vacinação começará na União Europeia nos dias 27, 28 e 29 de dezembro. O bloco, segundo noticiou a Reuters, concluiu um acordo que garante 200 milhões de doses da potencial vacina da americana Novavax. Ainda na Europa, a agência reguladora da UE marcou para 6 de janeiro uma reunião para discutir a liberação do imunizante da Moderna. Já a Pfizer, em comunicado, garantiu a distribuição de 50 milhões de doses de sua vacina em 2020.

Bolsas de Nova York

Renovando recordes, o índice Dow Jones encerrou o dia em alta de 0,49%, acompanhado pelo S&P 500, com ,58% e pelo Nasdaq, com 0,84%. A ação do Google, porém, contrariou e caiu 0,95%, depois de procuradores-gerais de 38 estados americanos abrirem ação judicial contra a empresa por supostas práticas anticompetitivas com objetivo de preservar o monopólio no mercado de buscas.

Entre as ações em destaque em Wall Street no pregão de hoje, a do Twitter avançou 1,11%, com anúncio de que a rede social descontinuará os serviços do Periscope.

Bolsas da Ásia

Na Ásia, também ficaram no radar notícias as locais, como uma reunião na China para estabelecer diretrizes econômicas para o próximo ano e o avanço da covid-19 na Coreia do Sul. Entre as Bolsas, as chineses Xangai e Shenzhen subiram 1,13% e 0,93% cada, enquanto o japonês Nikkei subiu 0,18%. Ações ligadas a tecnologia e games estiveram entre os destaques, mas as do setor de transportes recuaram.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng teve alta de 0,82%, terminando na máxima do dia, com a perspectiva de mais estímulos fiscais nos EUA apoiando o humor. Já o sul-coreano Kospi caiu 0,05% e em Taiwan, o Taiex caiu 0,32%. Na Oceania, a Bolsa de Sydney fechou em alta de 1,16%, após o governo da Austrália melhorar suas perspectivas para a economia e a situação fiscal nos próximos anos.

Bolsas da Europa 

A expectativa de que a União Europeia e o Reino Unido fechem um acordo comercial para o pós-Brexit ainda nesta semana levou as bolsas europeias a fecharem em alta nesta quinta. Com isso, o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em alta de 0,30%. A Bolsa de Frankfurt teve ganho de 0,75% e Paris subiu 0,03%.

Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 0,12%, 0,17% e 0,61% cada. Na contramão do clima favorável do velho continente, a Bolsa de Londres caiu 0,30%, com a espera pelo acordo pós-Brexit. No entanto, a libra, moeda inglesa, se valorizou frente ao dólar e ultrapassou a marca de US$ 1,36, o que não acontecia há dois anos

Petróleo 

Os contratos futuros mais líquidos de petróleo encerraram em alta, impulsionados pelo otimismo com a decisão do Fed de aumentar o seu programa de compras de títulos públicos, injetando mais liquidez no sistema financeiro. A perspectiva de melhora da economia global por meio de vacinas contra a covid-19 e o avanço das negociações por um pacote de estímulos fiscais também são monitorados positivamente por investidores. 

Em resposta, o WTI para fevereiro fechou em alta de 1,13%, cotado a US$ 48,54 o barril, enquanto o Brent para o mesmo mês avançou de 0,82%, a US$ 51,50 o barril. Para o analista de mercados da Oanda, Ed Moya um eventual problema na aprovação e distribuição de vacinas é o único fator que oferece grande risco aos preços do petróleo neste momento. "Problemas de transporte e alguma lentidão na vacinação das pessoas podem começar a levantar dúvidas de que voltaremos à normalidade em meados do terceiro trimestre de 2021", afirma Moya./ MAIARA SANTIAGO, PEDRO CARAMURU E GABRIEL CALDEIRA  

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