Bolsas da Europa operam em direções opostas em dia tenso

Investidores acompanham a tentativa de captação da Grécia e a confirmação de Bernanke no BC dos EUA

Daniela Milanese, da Agência Estado,

25 Janeiro 2010 | 07h58

Enquanto os principais mercados no Brasil estão fechados nesta segunda-feira, 25, em razão do feriado de aniversário da cidade de São Paulo, os investidores internacionais já começam a encarar uma semana fortemente carregada. Os próximos dias prometem muita agitação no exterior: se não bastasse a agenda pesada, com números importantes, diversos temas formam uma onda de tensão e prometem volatilidade.

 

Na Europa, os investidores acompanham a tentativa de captação da Grécia, envolvida em forte turbulência motivada pelo elevado déficit fiscal. O país contratou seis bancos para uma emissão de bônus de cinco anos em euro. Às 7h40 (de Brasília), as bolsas de Paris (-0,33%) e Frankfurt (-0,60%) recuavam, enquanto Londres subia 0,09%.

 

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O euro subia 0,11%, para US$ 1,4148, e a libra tinha ganho de 0,25%, para US$ 1,6155. Na comparação com o iene, o dólar valia 90,28 unidades (+0,36%). No mesmo horário, o petróleo recuava 0,28%, para US$ 74,33, no pregão eletrônico da Nymex.

 

O segundo mandato do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, a reforma do setor financeiro proposta por Barack Obama, a perspectiva de aperto monetário na China e a debilidade fiscal da Grécia montam um ambiente de precaução entre os investidores. Tudo isso em uma semana que traz a reunião do Fomc (com resultado na quarta-feira), o primeiro discurso sobre o Estado da União do presidente dos EUA (também na quarta), o PIB do país no quarto trimestre (na sexta) e diversos balanços corporativos.

 

"A situação dos mercados deve ficar volátil nas próximas semanas", escreve Andrew Cates, economista do UBS. "Os mercados financeiros enfrentam uma forte dose de incerteza nas próximas semanas e não é surpresa ver os investidores retraírem suas posições", diz Chris Turner, estrategista de câmbio do ING.

 

Depois de vários dias de apreensão, as bolsas internacionais voltaram a sofrer na sexta-feira, desta vez com temores sobre a confirmação do segundo mandato de Bernanke. "O que parecia uma mera formalidade há apenas algumas semanas, se transformou em um drama", afirma Boris Schlosser, da corretora GFT.

 

Senadores passaram a anunciar que votariam contra o segundo mandato do presidente do Fed, faltando poucos dias para o final do primeiro, em 31 de janeiro. A situação parece ter se acalmado durante o final de semana, quando o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, disse acreditar que Bernanke será confirmado no cargo. A Casa Branca também afirmou que está confiante no segundo mandato.

 

De qualquer forma, alguns analistas acreditam que o tema chamará mais atenção do que a própria reunião do Fomc. A política monetária do Federal Reserve é o ponto crucial das estratégias de negócios mundo afora, apontada como principal motivo da liquidez que inunda hoje os emergentes.

 

A analista Julia Coronado, do BNP Paribas, acredita que o Fed manterá em seu comunicado a famosa frase de que os juros devem seguir baixos "por um período prolongado". Mas os especialistas já começam a falar que a autoridade monetária deve elevar em breve a taxa de redesconto, hoje em 0,50%. "Isso seria parte da retirada das políticas emergenciais e não uma indicação de que a taxa de juros (hoje entre zero e 0,25%) irá subir", avalia Julia.

 

O encontro do Fomc acontece em um momento de números irregulares. Enquanto o PIB dos EUA no quarto trimestre deve mostrar expansão forte (o consenso aponta para alta de 4,8%), os indicadores das últimas semanas vieram menos encorajadores, aponta o economista Jan Hatzius, do Goldman Sachs. Para ele, esse cenário deve gerar discussões entre os membros do Fomc. No entanto, o especialista avalia que uma estratégia de aperto ainda é prematura, já que a inflação segue abaixo da meta e o nível de atividade está contido.

 

Na terça-feira, sai o PIB do Reino Unido no quarto trimestre, que deve marcar o fim de um ano e meio de recessão. Ainda assim as projeções apontam para crescimento pífio nos últimos três meses do ano, de +0,4%.

 

Na quarta-feira, começa o 40º. encontro anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos. Não faltarão temas para discussão no evento, diante dos temores de crises fiscais, desemprego crescente e condição da política monetária mundo afora.

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