Bolsas da Europa recuam após aperto monetário na China

Mercados também mostram apreensão antes da divulgação, na sexta-feira, de dados do emprego nos EUA

Marcílio Souza, da Agência Estado,

07 Janeiro 2010 | 08h40

As bolsas europeias - e também os índices futuros de Nova York - operam em baixa nesta manhã de quinta-feira, em um mercado sem convicção antes do payroll (levantamento que abrange os números sobre o emprego no setor público e privado dos EUA) de sexta-feira e prejudicado pela debilidade na Ásia, onde o aperto da política monetária chinesa pressionou o índice de Xangai. A forte queda das vendas no varejo da zona do euro contribui para os declínios. No câmbio, o dólar encontra suporte em declarações do novo ministro de Finanças do Japão, Naoto Kan.

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Às 8h20 (de Brasília), o índice FT-100, da bolsa de Londres, recuava 0,44%, enquanto o CAC-40, de Paris, cedia 0,65%. Em Frankfurt, o Dax operava em baixa 1,00%, na berlinda após a agência de estatísticas Destatis estimar que as vendas no varejo da Alemanha caíram entre 1,9% e 2,1% em 2009. A estimativa baseia-se em dados mensais de varejo que incluem os números de novembro e projeções para dezembro, tradicionalmente um dos meses mais fortes do ano.

 

No mesmo horário acima, o Nasdaq-100 Futuro caía 0,37% enquanto o S&P 500 recuava 0,47%. "Será interessante notar se haverá algum movimento por impulso do mercado antes da divulgação do payroll de amanhã", disse o analista Brian Myers, da ODL Securities. "É possível que esse indicador dê o tom para o primeiro trimestre da nova década."

 

Contribui para pressionar os mercados ocidentais o fraco desempenho das ações na Ásia. A bolsa de Xangai fechou em baixa de 1,9% após o banco central do país inesperadamente elevar o juro de referência em sua operação semanal no mercado aberto pela primeira vez desde agosto. A decisão foi interpretada como um sinal de mudança de foco do BC chinês, em favor do gerenciamento das expectativas de inflação. A queda de 1,2% das vendas no varejo da zona do euro em novembro ante outubro, uma repetição de um recorde anterior, também pesa na Europa.

 

No âmbito corporativo, destaque para a queda do setor de telecomunicações, seguindo o fraco desempenho ontem nos EUA, e o de recursos básicos, que faz uma pausa na alta registrada desde o início do ano. A fabricante de autopeças alemã Continental, no entanto, subia 5,9%, após seu conselho aprovar ontem uma emissão de ações com direito preferencial de subscrição que deverá levantar 1,085 bilhão de euros.

 

Ainda no setor automotivo, a holandesa Spyker Cars ganhava 4,2%, em meio à expectativa de que fará uma nova oferta à Saab, marca sueca da General Motors. Sainsbury, terceiro maior grupo supermercadista do Reino Unido, ganhava 1,8% após anunciar vendas trimestrais melhores do que as previsões.

 

No câmbio, o euro recua frente ao dólar, com os investidores realizando lucros antes do payroll, enquanto o dólar avança diante do iene após o novo ministro de Finanças do Japão, Naoto Kan, defender um iene mais fraco e dizer que vai cooperar com o Banco do Japão (BOJ, banco central) para levar a taxa de câmbio a níveis "apropriados". Ele chegou a apontar uma cotação específica que seria desejável. "Há muitas vozes no mundo dos negócios dizendo que o dólar em torno 95 ienes é apropriado em termos de comércio", afirmou.

 

Às 8h25, o euro caía para US$ 1,4350, enquanto o dólar subia para 92,88 ienes. As informações são da Dow Jones.

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