Koji Sasahara/AP Photo
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Europa fecha em alta, mas Ásia e Nova York caem com impasse por estímulos nos EUA

Enquanto algumas das principais lideranças dos EUA apontam que um acordo pode estar perto, Trump disse que são os democratas que não querem passar novos estímulos antes da eleição

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2020 | 07h30
Atualizado 23 de outubro de 2020 | 18h07

As bolsas da Ásia e de Nova York fecharam sem direção única nesta sexta-feira, 23, com investidores ainda na expectativa de que haja um novo acordo fiscal nos Estados Unidos, para lidar com os impactos da pandemia do novo coronavírus, e monitorando desdobramentos da nova onda de infecções pela covid-19. Já na Europa, indicadores econômicos mais favoráveis ajudaram as bolsas locais a fecharem com ganhos.

Na quinta-feira, 22, a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, a democrata Nancy Pelosi, voltou a demonstrar otimismo sobre a perspectiva de chegar a um entendimento com o governo americano sobre um novo pacote fiscal. "Estamos perto de um acordo por estímulos fiscais", disse ela, durante entrevista coletiva em Washington. O presidente Donald Trump, porém, acusou Pelosi de não querer aprovar um acordo antes da eleição de 3 de novembro, durante o segundo e último debate com seu rival democrata, Joe Biden

Ainda sobre o tema, nesta sexta, o chefe de gabinete da Casa BrancaMark Meadows, declarou à imprensa americana que o acordo pode ser fechado "em um dia ou mais ou menos isso". Já o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, manteve a toada recente nesta tarde, ao dizer que houve progressos na busca por um pacote fiscal, mas ainda persistem divergências "significativas" entre republicanos e democratas.

Também continua no radar a segunda onda de casos de covid-19 na Europa, que levou vários países da região a restabelecer medidas de confinamento. Nesta sexta, a França superou a marca de um milhão de casos de coronavírus, enquanto Portugal deu mais um passo em direção ao endurecimento das medidas de controle e decretou que todos os cidadãos do país usem máscaras em espaços públicos. Já os EUA registraram mais de 60 mil novas infecções diárias por dois dias seguidos.

Bolsas da Ásia 

O índice acionário japonês Nikkei subiu 0,18% em Tóquio, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,24% e o Hang Seng teve alta de 0,54% em Hong Kong. Por outro lado, os mercados chineses se enfraqueceram, influenciados em parte por ações do setor médico. O Xangai Composto recuou 1,04% e o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 1,90%. Em Taiwan, o pregão também foi negativo, com modesta queda de 0,14% do Taiex.

Na Oceania, a Bolsa australiana ficou no vermelho, pressionada por ações de mineradoras e de tecnologia. O S&P/ASX 200 caiu 0,11% em Sydney

Bolsas da Europa 

Na agenda de indicadores, os sinais foram mistos. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro caiu de 50,4 em setembro a 49,4 em outubro, na mínima em quatro meses e novamente apontando contração da atividade, mas o PMI da indústria teve uma alta inesperada a 54,4, na leitura preliminar da IHS Markit

Já no Reino Unido, o PMI composto recuou a 52,9 em outubro, abaixo da expectativa. Já as vendas no varejo avançaram 1,5% em setembro ante agosto, acima da previsão de alta de 0,5%. Na Alemanha, o PMI composto recuou a 54,4 em outubro, porém a indústria apareceu como surpresa positiva. 

Ainda por lá, colaborou com o bom desempenho do mercado o balanço do Barclays, que veio acima das previsões. Com isso, o Stoxx 600 subiu 0,62%, enquanto a bolsa de Londres teve ganho de 1,29%, a de Paris avançou 1,2% e a de Frankfurt teve alta de 0,82%. Milão, Madri e Lisboa subiram 1,09%, 1,42% e 0,52% cada.

Bolsa de Nova York

As bolsas de Nova York fecharam o pregão desta sexta-feira sem direção única, diante da falta de resolução para o impasse fiscal nos Estados Unidos. O Dow Jones recuou 0,10%, o S&P 500 subiu 0,34% e o Nasdaq avançou 0,37%. Na comparação semanal, os índices acionários registraram perdas de 0,95%, 0,53% e 1,06%, respectivamente.

A divulgação do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto dos EUA, entretanto, foi bem recebida no mercado. O indicador subiu de 54,3 em setembro para 55,5 em outubro, maior nível em 20 meses.  As ações da American Express, que divulgou balanço hoje, cederam 3,64%. Os papéis da Intel, que informou resultados corporativos após o fechamento do mercado ontem, caíram 10,58%. No S&P 500, o subíndice do setor de serviços de comunicação liderou os ganhos (+1,07%) e o de energia foi destaque de perdas (-0,55%).

Petróleo 

O petróleo fechou o pregão desta sexta-feira em queda, pressionado pela notícia de que a Líbia vai aumentar a produção da commodity e também após um crescimento dos poços em atividade nos Estados Unidos. Hoje, o barril do WTI com entrega prevista para dezembro caiu 1,94%, a US$ 39,85, com perda de 2,52% na semana. Já o contrato do Brent para o mesmo mês recuou 1,63%, a US$ 41,77 o barril, com baixa semanal de 2,70%.

"Acreditamos que os riscos de baixa predominam", diz o chefe de Pesquisa em Commodity do Commerzbank, Eugen Weinberg, sobre o mercado de petróleo. "Há pouco apoio do lado da demanda, tendo em vista o número extremamente alto de novos casos de covid-19", acrescenta o profissional.

Além de preocupações com a demanda, o que pressionou a commodity energética hoje foram as perspectivas de aumento da oferta. A National Oil Corporation (NOC), estatal de petróleo da Líbia, informou que há instruções para uma retomada da produção de parte de suas operações, nos campos de Al-Waha e Al-Haruj. De acordo com a companhia, essa produção deve atingir 800 mil barris por dia em duas semanas e 1 milhão de bpd em um mês./MAIARA SANTIAGO E IANDER PORCELLA

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