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Bolsas da Europa sobem com otimismo do Fed sobre EUA

BC norte-americano eleva a previsão de crescimento do país em 2010 e dá sinais de que deve manter os juros

Daniela Milanese, da Agência Estado,

25 de novembro de 2009 | 07h42

A agenda lotada desta véspera de feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos por enquanto não amedronta os investidores internacionais, nesta semana de volatilidade elevada. Eles se armam das palavras do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e começam o dia voltados para a compra de ativos de risco, o que deixa as commodities, bolsas e moedas europeias em alta. Na ata de terça-feira, 24, do Fomc, analistas enxergaram uma mensagem clara: apesar de alguns avisos, os juros nos EUA devem permanecer baixos ainda por bastante tempo, portanto a liquidez seguirá à disposição. O Fed também elevou a previsão de crescimento norte-americano em 2010, para uma faixa entre 2,5% e 3,5%, ante projeção anterior de 2,1% a 3,3%.

 

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link Fed pondera riscos de manter juros baixos por longo período

 

Às 7h35 (de Brasília), as bolsas de Londres (+0,54%), Paris (+0,69%) e Frankfurt (+0,53%) subiam. O euro (+0,23%, a US$ 1,5029) e a libra (+0,40%, a US$ 1,6687) também mostravam ganhos. Em relação ao iene, o dólar perdia 0,62%, para 87,73 unidades.

 

As bolsas de valores da Ásia também encerraram a quarta-feira com leve alta, revertendo as perdas do início do dia, impulsionadas sobretudo por motivos locais, além da ata do Fed. O índice MSCI da Ásia Pacífico exceto Japão subia 1,12%, para 412 pontos, às 7h33 de Brasília. Em Tóquio, o índice Nikkei fechou com ganho de 0,43%, para 9.441 pontos, depois de ter atingido a mínima em quatro meses durante o pregão. O mercado de Hong Kong subiu 0,84%, para 22.611 pontos, e em Xangai houve ganho de 2,07%, para 3.290 pontos.

 

Outro destaque desta quarta-feira é o ouro, que desafia as expectativas de uma correção e mantém a trajetória de alta, renovando a máxima histórica no mercado à vista, à medida em que o dólar se enfraquece e as preocupações de bolhas inflacionárias em ativos aumentam. O metal precioso, tradicionalmente visto como hedge contra inflação, atingiu o recorde de alta de US$ 1.180,10 a onça troy no spot, estendendo o rali que começou a ganhar fôlego há um mês. Entre os motivos que dão impulso está a notícia de que a Índia está aberta a comprar mais ouro do Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

Aperto monetário nos EUA segue distante, acreditam especialistas

 

É verdade que o Fed elevou as projeções para a economia norte-americana e alertou para a possibilidade de tomada excessiva de risco nos mercados diante das taxas perto de zero. No entanto, especialistas se apegam principalmente aos prognósticos sobre o mercado de trabalho para concluir que um aperto monetário segue distante. Prevalece o cenário de uma "recuperação sem empregos".

 

"Está claro na ata que estamos muito distantes de qualquer alta de juros", diz Julia Coronado, do BNP Paribas. Para ela, o principal motivo para a expectativa da autoridade monetária de uma retomada gradual e inflação baixa é a fraqueza do mercado de trabalho.

 

"Desemprego e inflação são certamente os principais indicadores que estão sendo monitorados pelo Fed agora que a economia retomou o crescimento", anota Adrian Foster, do Rabobank. Ele lembra que o Fed de Alan Greenspan esperava até três anos após o fim da recessão para começar um aperto monetário.

 

A surpresa da ata veio com a menção ao dólar, algo incomum para o documento. Os membros do Fed descreveram a queda da moeda como "ordenada", mas disseram que qualquer tendência de desvalorização mais acentuada, com pressão sobre a inflação, será "atentamente observada". Tom Levinson, estrategista de câmbio do ING, acredita que, na verdade, a autoridade está confortável com o dólar mais fraco, em um ambiente de inflação baixa e mercado de trabalho desaquecido. "Os investidores continuarão se financiando em dólar até que os juros dos Treasuries de dois anos comecem a subir."

 

A movimentada agenda desta quarta nos EUA traz os gastos com consumo pessoal, a inflação medida pelo PCE, as encomendas de bens duráveis de outubro e o balanço do auxílio-desemprego, às 11h30 (de Brasília). Às 12h55, sai o sentimento do consumidor da Universidade de Michigan e, logo depois às 13h, as vendas de imóveis residenciais novos em outubro. Os estoques de petróleo vêm às 13h30.

(com Reuters)

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