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Bolsas da UE vivem euforia pré-acordo

Desmentidos da Alemanha sobre pacote de medidas para pôr fim à crise da Grécia não convencem investidores, que impulsionam mercados

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2011 | 03h07

As bolsas da Europa estão convencidas de que a crise da Grécia desta vez caminha para um final. Ontem, pelo segundo dia seguido, os investidores levaram os principais mercados a fortes altas, induzidos pela esperança de que a União Europeia (UE) vá mesmo anunciar nos próximos dias o reforço do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef).

Nas principais praças, a alta chegou a 5,79%, caso do índice CAC40, de Paris. Em Londres, o FTSE 100 fechou em 4,02%, enquanto em Frankfurt o DAX ganhou 5,29%. Nos países atingidos pela crise das dívidas soberanas, como Itália, o resultado também foi muito positivo. Milão, por exemplo, subiu 4,9%. Ainda mais forte foi o desempenho do Stoxx 600 Europe Banks, o índice que mede o desempenho do sistema financeiro, que teve alta de 6,82%. Em Paris, três bancos tiveram ontem os três melhores desempenhos: Société Générale, com 16,81%, BNP Paribas, 14,15%, e Crédit Agricole, 13,10%.

O otimismo foi mais uma vez impulsionado pelas especulações de que a UE se prepara para anúncios fortes nas próximas semanas. Ontem, mais uma vez os sinais emitidos pelos líderes políticos foram contraditórios. Em Berlim, a chanceler Angela Merkel recebeu o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, para discutir a crise.

Na capital alemã, o premiê garantiu que seu país cumprirá todos os compromissos e pediu aos alemães que parem as "críticas permanentes" a seu país. Como prova de determinação, Papandreou anunciou ontem a criação de mais um imposto, desta vez sobre os proprietários de casa própria - 70% da população. Também confiante, o ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, classificou de "ridícula" a previsão de que a Grécia vai falir.

No mesmo encontro, Merkel afirmou que o volume de recursos do Fundo Europeu, € 440 bilhões, não será alterado, apesar das expectativas do mercado financeiro. Essa versão, porém, não convence mais os investidores. Isso porque são cada dia mais fortes os rumores sobre as negociações de um pacote de medidas que incluiria o corte de 50% no valor dos títulos da dívida soberana da Grécia, seguido de injeção de recursos no Feef para até € 2 bilhões e da recapitalização do sistema financeiro.

A necessidade de um novo acordo sobre o Feef e sobre as dívidas da Grécia teria crescido ainda mais diante de um suposto racha entre os 17 países da zona do euro sobre o segundo plano de socorro, selado em 21 de julho e estimado em € 158 bilhões. Segundo o jornal Financial Times, sete países, entre os quais Alemanha e Holanda, desejam uma maior desvalorização dos títulos da dívida grega. Já um grupo maior de países, liderado pelo França, seria contra a iniciativa.

Votação. Em Paris, o primeiro-ministro da França, François Fillon, insinuou que novas medidas estão sendo elaboradas. Elas estariam sendo desmentidas apenas porque o Parlamento da Alemanha vai analisar amanhã a proposta de ampliação das atribuições do Fundo Europeu.

Ontem, um grupo de 10 economistas notáveis da Alemanha, da França e da Bélgica defendeu em artigo no jornal Financial Times Deutschland o corte de 50% nas dívidas da Grécia, somada à recapitalização dos bancos - medidas alinhadas às supostamente em negociação em Bruxelas.

Além das negociações em curso, os mercados financeiros esperam que o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, anuncie amanhã a redução da taxa básica de juros, para baratear o crédito e relançar a economia, mais uma vez ameaçada de recessão.

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