Toby Melville/Reuters
Toby Melville/Reuters

Bolsas de Londres e Frankfurt anunciam projeto de fusão

Nova empresa teria controle acionário alemão, mas conselho paritário e manutenção dasmarcas nos países

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2016 | 07h55

PARIS - Os grupos que administram as duas maiores bolsas de valores da Europa anunciaram nesta terça-feira, 23, que retomarão o processo de fusão, abandonado nos anos 2000. O anúncio foi feito pela London Stock Exchange (LSE), que confirmou estar em negociações com a Deutsche Börse para uma fusão dos operadores.

A nova holding, se de fato for criada, terá 54,4% de capital da empresa alemã, e 45,6% da britânica, e valerá US$ 29,4 bilhões. O anúncio fez as duas companhias subirem em seus mercados: 16% no caso de Londres e 7% no de Frankfurt.

A aproximação das duas empresas já havia sido negociada no início dos anos 2000, mas acabou suspensa. Ontem, a LSE confirmou que o diálogo está em curso, conforme a agência Reuters havia divulgado. A transação, se for concretizada, será realizada por troca de títulos e pelo compartilhamento de uma holding da qual os proprietários da bolsa alemã seriam majoritários – embora o conselho esteja sendo desenhado para ter um número igual de participantes das duas empresas.

“Os conselhos acreditam que o potencial da fusão poderia representar uma oportunidade atraente para as duas companhias, fortalecendo uma e outra em uma combinação que definiria a indústria, criando um grupo europeu líder em infraestrutura de mercados globais”, informou o comunicado distribuído pela LSE.

“A combinação de estratégias de crescimento complementares, produtos, serviços e cobertura geográfica de LSE e Deutsche Börse entregaria uma maior capacidade de fornecer uma oferta de serviços completa para clientes em termos globais”, continua o informe de Londres.

As tentativas de aproximação dos dois grupos são recorrentes. Em 2000, a primeira iniciativa de fusão foi interrompida por uma oferta concorrente realizada pelo conglomerado sueco OM Gruppen, que ajudou a precipitar o fim das negociações. Mais tarde, em 2005, uma nova oferta, desta vez de absorção, foi realizada sem sucesso pela Deutsche Börse, que ofereceu US$ 1,8 bilhões pela concorrente.

Na hipótese de o negócio ser concluído, os mercados de Londres e Frankfurt vão continuar a operar sob suas marcas próprias.

Sede. A holding que pode vir a ser formada da fusão entre a London Stock Exchange (LSE) e da Deutsche Börse será sediada em Londres e regulada por autoridades do Reino Unido, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto. 

Garantir que a holding fique sediada em Londres é algo essencial para a LSE e não está aberto a negociações, disse a fonte. A regulação das unidades de negócios individuais continuaria a ser tratada pelas respectivas autoridades nacionais.

Com a manutenção da sede em Londres, a LSE e o governo do Reino Unido podem apresentar o acordo para reforçar a posição londrina como o epicentro financeiro internacional da Europa, apesar da incerteza causada pela votação prevista para junho no Reino Unido sobre se o Reino Unido continuará ou não como membro da União Europeia.

O executivo-chefe da Deutsche Börse, Carsten Kengeter, descartou nesta quarta-feira que o negócio possa resultar em corte de vagas e na perda de controle por Frankfurt. Uma reportagem do Financial Times disse que Kengeter seria o executivo-chefe do grupo a ser formado, segundo os planos discutidos com Xavier Rolet, atual executivo-chefe da LSE, que deixaria o grupo. (Com informações da Dow Jones Newswires)

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