Bolsas derretem no mundo todo; Bovespa cai mais de 7%

Na Europa, as bolsas fecharam em queda de mais de 8%. Em NY, Dow Jones tem queda de quase 40% no ano

Da Redação,

10 Outubro 2008 | 12h47

As bolsas têm mais um dia de pânico no mundo todo. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que o país tem ferramentas para conter a crise. Contudo, os investidores estão céticos e correm para tentar um porto seguro para colocar suas aplicações. A falta de crédito, a expectativa de resultados ruins das empresas no terceiro trimestre e os temores de recessão agravam o quadro de incertezas quanto à solidez do sistema bancário mundial.   Veja também: Ações da BM&FBovespa tiveram pior desempenho no ano entre 17 bolsas Bush receberá ministros do G7 na Casa Branca Como o mundo reage à crise  Reino Unido congela ativos do banco islandês Landsbanki FMI age para garantir crédito a emergentes Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira    Na Europa, as bolsas fecharam em queda forte. Londres despencou 8,48%; Frankfurt caiu 7,01%. Paris desabou 7,73%, o menor nível desde outubro de 2003. A bolsa de Madri deslizou 9,1% e fechou no patamar mínimo desde 2005. Em Nova York, a queda do índice Dow Jones no ano se aproxima de 40% e, às 12h40, opera em baixa de 3,90%. A Nasdaq cai 3,22%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) despenca 7,72%, depois de ter alcançado uma baixa de 10% às 10h34 e, com isso, os negócios foram interrompidos pela terceira vez nesta semana.   É o chamado circuit breaker, um procedimento estabelecido pela Bolsa, sempre que o Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas - chega a uma queda de 10% em relação ao índice de fechamento do dia anterior. Os negócios ficaram interrompidos por 30 minutos.   Analistas estão em estado de choque com o rumo que o mercado vem tomando. "É impossível precificar qualquer ativo com o mercado desse jeito", disse uma fonte. A expectativa é que a evolução da Bovespa seguirá as bolsas norte-americanas. Dadas as condições atuais de mercado, analistas dizem que uma queda do índice Dow Jones ao redor de 2% já "seria bom". Nas mesas, já se fala na possibilidade de o Ibovespa cair para os 32 mil pontos.   Empresas   A situação das empresas também preocupa. A General Motors afirmou nesta sexta-feira que não estuda pedir concordata, apesar das quedas de suas vendas e da crise no mercado de crédito, que derrubaram as ações da montadora norte-americana para os menores níveis em quase seis décadas. O papel da companhia, que integra o índice Dow Jones, subia 5,04%, para US$ 5,00, às 11h25 (de Brasília).   No comunicado, a GM afirma que as especulações em torno de um pedido de concordata são "exageradas e não construtivas". Analistas dizem que uma decisão como essa não seria uma opção atraente para a montadora, porque poderia resultar numa queda maior ainda de suas vendas, já que mais clientes evitariam comprar carros de uma empresa concordatária.   Ontem as ações da GM fecharam em queda de 31%, cotadas a US$ 4,76, o menor nível desde 1950. A queda ocorreu após a agência de classificação de risco Standard & Poor's ter afirmado que a classificação para a companhia pode cair ainda mais, restringindo mais o acesso da empresa aos mercados de capitais.   Reuniões no final de semana   Mesmo sem os mercados, o final de semana promete ser agitado. Bush vai se reunir amanhã de manhã na Casa Branca com os ministros das Finanças do G-7 e os presidentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird) para discutir a crise. Uma reunião desse tipo é bastante incomum e demonstra a grande preocupação de Bush.   ''O presidente terá a oportunidade de ouvir diretamente dos ministros das Finanças relatos dos efeitos da crise financeira em cada um dos países e as medidas que estão sendo adotadas para lidar com esses desafios, de forma individual e coletiva'', disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.   Hoje, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, reúne-se com ministros e presidentes de bancos centrais do G7. Mas ele vem tentando baixar a expectativa sobre o encontro e disse que não espera grandes anúncios. Havia pressão para que fosse anunciado um pacote de resgate global.   ''Os participantes vão comparar as medidas que estão sendo adotadas em cada um dos países'', disse David McCormick, subsecretário do Tesouro para assuntos internacionais. Segundo ele, não existe solução única para a crise, embora países venham coordenando cortes de juros, injeções de liquidez e garantias em depósitos bancários.   Missão brasileira   Preocupado com a reação do mercado interno às novas medidas do Banco Central (BC) contra a crise financeira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou uma reunião de emergência ontem, no Palácio do Planalto, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do BC, Henrique Meirelles. No início da noite, Lula já sabia que o uso de reservas do BC para reduzir o preço do dólar teve efeito e a situação no mercado estava "um pouco" melhor. Mas temia perdas de grandes empresas brasileiras, como ocorreu com a Aracruz e a Sadia.   A convocação obrigou Mantega e Meirelles a adiarem para a noite de ontem a viagem a Washington, onde teriam durante a tarde uma série de encontros com autoridades do governo americano e representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI). Um avião Legacy da Aeronáutica foi posto à disposição dos ministros para a viagem ainda ontem.

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