Bolsas despencam em todo o mundo e UE pode recapitalizar bancos

Preocupados com a recessão, com a crise na Europa e com medidas anunciadas pelo Federal Reserve, mercados tiveram fortes quedas

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS , O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2011 | 03h04

O crescente temor de uma dupla recessão e o impacto das medidas anunciadas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) fizeram as bolsas de valores desabarem ontem no mundo todo. Nos maiores mercados europeus, como Londres, Frankfurt e Paris, as quedas chegaram a superar os 5%. Assustados com a gravidade da crise na zona do euro, sete membros do G-20 escreveram ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, para pedir medidas em favor da moeda única.

O novo dia de depressão nas bolsas foi marcado mais uma vez por grandes perdas entre bancos da França, da Itália, da Grécia, da Espanha e do Reino Unido. No final do pregão, em Londres, a queda foi de 4,67%; em Frankfurt, 4,96%. Em Paris, a bolsa fechou com perda recorde no continente, 5,25%, abalada pelas suspeitas sobre a saúde financeira dos bancos BNP Paribas, Société Générale e Crédit Agricole. Ontem, o recuo dessas instituições chegou a 6% na bolsa da capital francesa. Só o Société Générale já se desvalorizou € 28,5 bilhões desde o início do ano.

O jornal britânico Financial Times informou que as autoridades da União Europeia estão tentando acelerar a recapitalização de 16 bancos de médio porte do bloco. Os bancos, que ficaram perto de ser reprovados nos testes de estresse feitos em julho, teriam agora de buscar financiamentos imediatamente, segundo uma importante autoridade francesa citada pelo jornal. Outras fontes dizem que as conversas sobre o assunto ainda estão em andamento.

A Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês), que fez os testes, havia dado um prazo até abril para esses bancos melhorarem os colchões de liquidez. Segundo o jornal, nenhum dos bancos é da França. Sete são da Espanha, dois da Alemanha, dois da Grécia, dois de Portugal e um da Itália, um de Chipre e outro da Eslovênia.

Nos EUA. Além das dúvidas sobre o sistema financeiro, o programa do Fed, que anunciou na quarta-feira a intenção de vender até junho de 2012 US$ 400 bilhões em bônus do Tesouro para comprar o equivalente em obrigações com validade mais longa - o chamado Twist - derrubou a esperança dos investidores de que o presidente da instituição, Ben Bernanke, anunciasse um terceiro ciclo de flexibilização quantitativa (QE3), instrumento de política monetária que combate o risco de deflação e tende a relançar o crescimento.

O temor dos investidores é de que os EUA estejam perdendo uma nova oportunidade de relançar sua economia e, com isso, estimular a engrenagem do crescimento global. Fragilizada pela crise das dívidas soberanas na Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, a Europa sofreria ainda mais com a estagnação. Daí uma das explicações para a queda nas bolsas.

Preocupados com a situação, chefes de Estado e de governo de sete países-membros do G-20 - Reino Unido, Canadá, Austrália, Indonésia, México, África do Sul e Coreia do Sul - assinaram uma carta conjunta endereçada a Sarkozy, na qual pedem a ação coordenada da Europa. "Nós ainda não dominamos os desafios da crise. Os desequilíbrios mundiais continuam aumentando", diz o texto, completando: "Devemos tomar iniciativas para fazer crescer a demanda mundial sem criar novos desequilíbrios".

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