Bolsas esperam que integração seja aprovada em 1 mês

As cúpulas da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e da Bovespa de Valores de São Paulo (Bovespa) esperam que a integração de suas operações seja aprovada pelos acionistas até o fim de abril. No começo do mês que vem, as instituições convocarão assembléia para deliberar sobre o tema. Até o aval dos investidores, as duas ações continuam a ser negociadas normalmente. Enquanto isso, os advogados das duas bolsas trabalham para elaborar o modelo da reestruturação societária que será submetido na reunião. Ainda que a aprovação ao negócio saia antes, um Comitê de Transição funcionará até o dia 31 de dezembro deste ano.A empresa resultante dessa união, provisoriamente chamada de Nova Bolsa, será negociada no Novo Mercado da Bovespa. Seu controle será dividido em partes iguais entre Bovespa e BM&F, na proporção de 50% de ações ordinárias (ON) da nova companhia para cada acionista. A bolsa de futuros pagará um adicional de R$ 1,24 bilhão à Bovespa, recursos que sairão de seu caixa, informou hoje o diretor-geral da BM&F, Edemir Pinto. "Se tudo correr bem, ao final de abril, tendo a assembléia aprovado (a integração), os acionistas receberão este montante", afirmou, reforçando que o pagamento permitirá equalizar as participações das duas bolsas.No mercado, há em torno de 723 milhões de ações da Bovespa e 1,3 bilhão de papéis da BM&F. "Essa é uma integração de iguais." Como o capital das duas empresas é pulverizado e não há a figura de um controlador, não haverá tag along, regra por meio da qual o minoritário tem direito a receber no mínimo 80% do preço pago ao bloco de controle, explicou Gilberto Mifano, diretor-geral e de Relações com Investidores da Bovespa Holding.Com a união, segundo executivos das duas bolsas, espera-se alcançar economia de custos de 25% das despesas operacionais até 2010. No ano passado, cada uma das bolsas anotou gastos de R$ 250 milhões. A integração da Bovespa e da BM&F formará a terceira maior bolsa de valores no mundo, com valor de mercado de aproximadamente US$ 18 bilhões. A primeira é a Deutsche Börse, com US$ 30 bilhões, seguida da Bolsa Mercantil de Chicago (CME), cujo valor é de US$ 25 bilhões. A Bolsa de Nova York, Nyse, ficará atrás da Nova Bolsa, com US$ 17 bilhões.É importante notar que a CME, dona de cerca de 10% da BM&F, o que equivale à maior participação de um só acionista, terá cerca de 5% da Nova Bolsa. A BM&F também tem presença na CME, sendo o sexto maior detentor de ações da Bolsa de Chicago.

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