Bolsas europeias caem após alerta da Moody's sobre bancos

Segundo agência, bancos europeus que possuem subsidiárias no leste correm o risco de ter ratings rebaixados

da Redação,

17 de fevereiro de 2009 | 11h01

A crescente preocupação com as economias emergentes da Europa e o temor sobre a saúde financeira do sistema bancário atingiram as bolsas europeias nesta terça-feira, 17, após a agência Moody's alertar para o impacto da deterioração das condições econômicas na Europa do leste. O índice britânico FTSE 100 caía 1,5%; o alemão DAX, 1,8%; e o CAC-40 da França, 1,9%. A queda foi puxada pelas ações de alguns bancos europeus: Société Générale (França), perto de 9%; Deutsche Bank AG (Alemanha), 5%; e Lloyds Banking Group PLC (Inglaterra), 4%.   Veja também: Déficit comercial na zona do euro é o maior da década De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    Bancos da Europa Ocidental que possuem subsidiárias em países do Leste Europeu correm o risco de ter seus ratings rebaixados pela Moody's Investor Service, diante da profunda desaceleração econômica que as nações do Leste enfrentam. Segundo a agência de classificação de risco, bancos na Áustria, Itália, França, Bélgica, Alemanha e Suécia representam 84% de todos os empréstimos bancários no centro e no Leste Europeu, sendo que o sistema financeiro austríaco tem quase a metade da exposição. Os bancos com maior presença no Leste Europeu são Raiffeisen, Erste Bank, Société Générale, UniCredit e KBC.   Os países do Leste Europeu com maior grau de vulnerabilidade externa são os que mostram os maiores déficits fiscais, como Países Bálticos, Hungria, Croácia, Romênia e Bulgária. Outros países da região com pouca dívida externa também estão sob pressão, como Ucrânia, Casaquistão e Rússia.    Na Ásia, as bolsas encerraram em queda nesta terça-feira, com o índice Nikkei despencando para perto do menor patamar de fechamento em quatro meses. O dólar avançou com investidores buscando por segurança diante das deterioração da economia global.  "Operações de aversão a risco provavelmente devem continuar gerando capital - ainda que em meio à volatilidade - até que novas medidas sejam apresentadas pelos governos e bancos centrais nas principais economias", disse Dariusz Kowalczyk, estrategista-chefe de investimentos da SJS Markets, em Hong Kong, em uma nota. Inúmeros pacotes de estímulo econômico e promessas abertas de novas iniciativas até agora foram recebidos com frustração pelos investidores e nem mesmo o orçamento de 787 bilhões de dólares aprovado nesta semana em Washington está melhorando as expectativas. Exportações da Ásia entraram em colapso e a última pesquisa da Reuters com empresas japonesas mostra que a confiança continua atolada perto das mínimas. O índice Nikkei, de TÓQUIO, caiu 1,4%, atingindo o menor nível desde outubro de 2008, conforme as ações do setor financeiro recuaram em meio a contínuas preocupações com o crédito.  O ministro das Finanças do Japão, Shoichi Nakagawa, anunicou nesta terça-feira sua renúncia após ter sido forçado a negar que estava alcoolizado durante a coletiva de imprensa do G7, grupo dos sete países mais industrializados do mundo. A notícia fez com que o iene também retrocedesse, embora não tenha interferido nas ações. As ações do banco Mitsubishi UFJ Financial Group registraram queda de 4%, como consequência de uma grande perda no HBOS, unidade do britânico Lloyds.  As perdas nos setores financeiro, de energia e de tecnologia derrubaram o índice MSCI que reúne as principais bolsas da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão. O indicador recuava 3,75% às 8h17 (horário de Brasília). A bolsa de Hong Kong caiu 3,8%, com bancos como o China Construction Bank e o HSBC sob pressão, enquanto o mercado de SEUL tombou 4,1%. Cingapura perdeu 2,55%, Sydney recuou 1,5%, Taiwan apresentou queda de 2,2% e a bolsa de Xangai caiu 2,93%.

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