Bolsas europeias caem com pessimismo do BCE sobre crise e indicadores negativos

Dado chinês sugere desaceleração do crescimento do país e desemprego na zona do euro atinge nível mais alto em quase 12 anos 

Danielle Chaves, da Agência Estado,

01 de junho de 2010 | 08h23

O feriado de segunda-feira em Nova York e Londres fez com que muitos investidores expressassem somente nesta terça-feira sua reação aos mais recentes fatores de preocupação com a recuperação econômica global. Comentários pessimistas do Banco Central Europeu (BCE) e dados desanimadores divulgados nesta manhã contribuem para o declínio dos mercados.

Às 8h25 (de Brasília), o índice FT-100 de Londres caía 2,26%, o CAC-40 de Paris recuava 2,49% e o DAX de Frankfurt cedia 1,88%. O índice Ibex-35 da Bolsa de Madri tinha perda de 3,35%. No mercado de câmbio, o euro declinava para US$ 1,2153, de US$ 1,2301 no fim da tarde de segunda-feira, e o dólar caía para 91,03 ienes, de 91,09 ienes.

O rebaixamento do rating soberano da Espanha pela Fitch, anunciado na sexta-feira após o fechamento do mercado europeu, provoca reações mais fortes apenas nesta terça e leva a Bolsa de Madri a cair mais de 3%. O setor bancário, sobre o qual aumentou a pressão desde que emergiram os problemas com os bancos de poupança espanhóis, sente o peso das declarações feitas ontem pelo BCE.

Em um relatório, o BCE afirmou que os bancos da zona do euro sofrerão perdas "consideráveis" com empréstimos neste ano e no próximo que devem provocar baixas contábeis de 195 bilhões de euros e pesar sobre a lucratividade dessas instituições. Hoje Christian Noyer, membro do Conselho de Governo do BCE, alertou que, embora as repostas dos bancos centrais à crise tenham sido bem sucedidas, "estimular a economia pode ser mais desafiador e novos riscos podem pesar negativamente sobre a recuperação em andamento".

Indicadores econômicos também pesam sobre o sentimento dos investidores. Na China, o índice oficial dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês), divulgado conjuntamente pela Federação de Logística e Compra da China (CFLP, na sigla em inglês) e pelo Escritório Nacional de Estatísticas, caiu para 53,9 em maio, de 55,7 em abril. Embora o número aponte expansão da economia, o recuo sugere uma desaceleração do crescimento chinês.

Na Europa, o PMI caiu para o menor nível em três meses em maio, a 55,8, de 57,6 em abril. Além disso, a agência de estatísticas da União Europeia, Eurostat, informou que a taxa de desemprego na zona do euro subiu para o nível mais alto em quase 12 anos em abril, para 10,1%.

A queda de mais de 15% das ações da BP na Bolsa de Londres é o destaque do noticiário corporativo. A operação "top kill" da companhia destinada a conter o vazamento de petróleo no Golfo do México fracassou e agora a empresa busca outra solução para o problema.

As commodities também sofriam os efeitos do sentimento negativo dos investidores. O petróleo para julho negociado na Nymex eletrônica tinha queda de 2,43%, para US$ 72,17 por barril, enquanto o cobre para julho operava com perda de 2,21% na Comex, a US$ 3,0360 por libra-peso. As informações são da Dow Jones.

 
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