Bolsas europeias caem com preocupação com a economia

Apreensão no mercado aumenta em razão do início da temporada de balanços de empresas nos EUA, com Alcoa

Marcílio Souza e Nathália Ferreira, da Agência Estado,

12 de janeiro de 2009 | 09h20

As principais bolsas europeias operam em baixa nesta segunda-feira, 12, prejudicadas pela preocupação com a economia. Há também certa apreensão com a temporada de balanços nos Estados Unidos, que começa hoje com a divulgação dos números da Alcoa, após o fechamento. Às 8h30 (de Brasília), o índice FT-100, de Londres, recuava 0,17%; o CAC-40, de Paris, cedia 0,24%; o Dax, de Frankfurt, perdia 0,44%. Veja também:Bolsas asiáticas encerram pregão com perdasDesemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  Em Londres, o setor financeiro sobe com a notícia de que o governo britânico pode ficar com 43% do grupo resultante da fusão entre o Lloyds e o HBOS, por causa do fraco interesse exibido por investidores institucionais nas colocações secundárias feitas pelas duas instituições no processo de união. A pequena procura pelos papéis nessa oferta não surpreende, já que as ações de ambos caíram muito depois de seu anúncio. Apenas 0,24% dos 17,7 milhões de ações adicionais disponibilizados para investidores do HBOS foram subscritos, deixando o restante nas mãos do Tesouro britânico. A oferta de novas ações do Lloyds foi apenas 0,5% subscrita.  Mas o progresso do acordo de ambos é suficiente para ajudar o setor a manter o ímpeto que tem registrado desde que o Banco da Inglaterra (BoE) cortou a taxa de juros para 1,5% na última quinta-feira, o menor patamar da história do BC. As ações do Lloyds subiam mais de 6% e as do HBOS, 5,8%. As mineradoras, ao contrário, mantêm a trajetória de queda apresentada na última sexta-feira, ainda sentindo o efeito do payroll e dos sinais de debilidade da demanda por metais. Sete das dez maiores quedas dentro do índice FT-100 são de papéis do setor. A maior delas era de Antofagasta, de 4,4%. BHP Billiton perdia quase 3%.  Sem direcionamento, a bolsa de Frankfurt cede enquanto os investidores aguardam a Alcoa. Os papéis do Commerzbank lideravam os ganhos, em alta de 2%. Em Paris, STMicroelectronics perdia mais de 3%, após ser rebaixada de neutra para vender pelo UBS, que afirmou que "existe um risco de as receitas do grupo virem abaixo da previsão já revisada em baixa pelo grupo". O próprio UBS cedia quase 5% em Zurique, reagindo a uma notícia publicada ontem de que poderá anunciar prejuízo de mais de US$ 7 bilhões no quarto trimestre. EADS perdia mais de 4%, com a notícia de que pretende renegociar os termos do contrato para seu avião de defesa A400M.  Petróleo Os contratos futuros de petróleo caem mais de 5% no pregão eletrônico da Nymex e operam abaixo de US$ 39 por barril, como reflexo do contínuo pessimismo de que a demanda pela commodity diminuirá por causa da desaceleração da atividade econômica global. Influenciam também as notícias de que uma solução para o impasse de gás natural entre Rússia e Ucrânia foi alcançada e o fluxo de gás para a Europa poderá ser retomado. Isso diminui as expectativas de que a demanda europeia por petróleo e derivados pudesse aumentar para uso como alternativa ao gás natural em aquecimento e geração de energia. A estatal russa OAO Gazprom informou hoje que a Ucrânia assinou um acordo permitindo que monitores sejam colocados nos gasodutos em direção a oeste, uma ação que deve abrir o caminho para a Rússia retomar o envio de gás para a Europa nos próximos dias. Às 8h57 (de Brasília), o petróleo para fevereiro no eletrônico da Nymex caía 5,36%, a US$ 38,65 por barril. Na plataforma ICE, o petróleo Brent para fevereiro recuava 4,32%, a US$ 42,47 por barril.

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