Bolsas europeias caem com rebaixamento da Grécia e com Fed

Agência S&P reduz nota da dívida grega; BC dos EUA indica que deve retirar medidas de ajuda em 2010

estadao.com.br,

17 de dezembro de 2009 | 10h00

O clima de aversão ao risco domina os mercados europeus hoje, depois que a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou o rating soberano da Grécia de "A-" para "BBB+" e alertou que mais um rebaixamento é possível. Os investidores também reagem ao comunicado do Federal Reserve ontem indicando que vai deixar a maior parte de suas medidas de liquidez expirar no começo de 2010, embora não tenha dado detalhes sobre a estratégia real.

 

O comunicado do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) deu impulso ao dólar, em meio à interpretação de que as palavras são uma evidência de que a recuperação está em andamento e que o Fed vai abandonar sua política ultra-afrouxada em 2010.

 

"O mercado se prendeu ao fato de que o Fed disse que a maioria de suas linhas especiais de liquidez vai vencer em 1 de fevereiro de 2010, antes do que o mercado previa. Isso levantou expectativas de que o banco central vai elevar o juro básico da faixa atual entre zero e 0,25%", disse Michael Hewson, analista de mercado da CMC Markets.

 

Outro agravante do sentimento de aversão ao risco foi o rebaixamento da Grécia, que ajudou a derrubar mais o euro frente o dólar e fazia as ações de bancos recuarem nas bolsas europeias nesta manhã. Segundo comunicado da agência, o rebaixamento reflete a avaliação de que as medidas anunciadas recentemente pelas

autoridades na Grécia para reduzir o elevado déficit fiscal não devem, por si só, levar a uma redução sustentável dos encargos da dívida pública.

 

Ontem, o ministro de Finanças da Grécia, George Papaconstantinou, afirmou que a situação fiscal do país é "bastante grave" e que o governo fará o que for preciso para reduzir o déficit orçamentário. O déficit público da Grécia deve atingir 12,7% do Produto Interno Bruto este ano, muito acima do limite da zona do euro de 3,0%. A dívida, atualmente em 300 bilhões de euros, deve ficar em 113% do PIB em 2009, superando a meta da União Europeia de 60%.

 

Às 10h (de Brasília), a Bolsa de Londres caía 0,85%, Paris recuava 0,49% e Frankfurt operava em baixa de 0,69%. Entre as ações de bancos, Credit Agricole perdia 1,3% e Lloyds Banking Group caía 2,6%.

 

As ações da seguradora francesa AXA recuavam 0,9%, depois que o National Australia Bank revelou uma oferta surpresa de US$ 11,9 bilhões pela unidade Ásia Pacífico da seguradora, ofuscando a oferta rival do gestor de fundos australiano AMP Ltd. A AXA está em negociações exclusivas com a AMP até 6 de fevereiro, mas informou em comunicado em que vai revisar a situação.

 

Analistas disseram que a grande atração da oferta do banco australiano é que já tem o apoio de importantes diretores independentes da unidade, que rejeitaram esta semana uma oferta melhorada da AMP.

 

No câmbio, o euro recuava 0,32%, a US$ 1,4346, enquanto o dólar cedia 0,24%, a 89,97 ienes. A libra tinha forte queda de 0,91%, a US$ 1,6105, em reação aos dados decepcionantes que mostraram a primeira queda mensal nas vendas no varejo no Reino Unido em seis meses. As vendas recuaram 0,3% em novembro ante outubro. As informações são da Dow Jones.

 

(com Nathália Ferreira, da Agência Estado)

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