Bolsas européias fecham em baixa; Bovespa cai mais de 4%

Mercados mundiais voltam a ter dia de perdas, puxados pelos temores de uma recessão na economia dos EUA

Agência Estado,

23 de janeiro de 2008 | 14h50

Os mercados acionários da Europa e de Nova York voltaram a ter mais um dia de forte aversão ao risco, descolando-se do movimento de compras eufóricas de ações que marcou o pregão nas praças financeiras da Ásia na virada do dia, após o corte agressivo de 0,75 ponto porcentual nos juros dos EUA na terça-feira.   Veja também:  Em meio a incertezas, Copom decide juro  Fed reduz juro e alivia mercados  Com corte de juros dos EUA, bolsas asiáticas fecham em alta  Dólar abre em alta; Na Europa, bolsas operam em baixa  Especialistas recomendam cautela com ações  Entenda a crise nos Estados Unidos   Celso Ming comenta a crise no mercado financeiro     O Dow Jones, que chegou a ceder mais de 2%, reduzia a queda a 0,77% no início da tarde, mas sem convicção. O Nasdaq perdia 1,67%, afetado pela projeção da Apple de que não conseguirá sustentar seu ritmo pujante de crescimento de lucro e pela queda de 84% do lucro líquido da Motorola. Na Europa, minguou a expectativa de que os BCs da região seguiriam o Fed. A Bolsa de Londres fechou em baixa de 2,28%; a de Paris caiu 4,25%, Frankfurt teve queda de 4,88%. Em Milão, a baixa foi de 3,97%, e em Madri de 4,56%.   O mercado brasileiro seguiu colado ao exterior. Passado o impacto positivo da decisão do Fed, o medo de recessão nos EUA voltou a atormentar os investidores. Agora, o mercado se pergunta se esse corte extraordinário de juro não seria um sinal de que a situação da economia é muito mais grave do que se imaginava.   A queda registrada pela Bovespa é acompanhada de giro financeiro fraco. Às 14h49, o Ibovespa declinava 4,32%, com movimento de R$ 2,3 bilhões, projetando para o encerramento do pregão de R$ 4,4 bilhões, metade do que foi contabilizado na véspera (R$ 8,1 bilhões). "O mercado está muito devagar. Há muito tempo não via um mercado tão parado. O telefone nem toca", dizia um operador no início da tarde.   Não é difícil entender o motivo dessa apatia. Depois do "estouro da boiada" na segunda-feira, quem tinha de desmontar posição na Bovespa já o fez e os continuam dentro aguardam a situação se acalmar para tomar decisões. Em quem está fora tem medo de entrar na Bolsa agora porque ninguém o tamanho desse ajuste. O que pode reanimar o mercado de ações são balanços favoráveis nos EUA e indicadores de atividade melhores, dizem os analistas. No mercado de câmbio, o dólar subia 1,06%, cotada a R$ 1,812.   A decisão do Copom, que será anunciada no início da noite, não deve alterar esse cenário de estresse. O mercado não espera nada diferente do que estabilidade na taxa básica de juro, em 11,25%. Mas aguarda com expectativa o comunicado da reunião para ver se o BC faz referência ao cenário externo. Essa também é a grande expectativa em relação à ata do Copom que será divulgada na próxima semana.

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