Bolsas europeias fecham em queda com decisão da Alemanha; Allianz cai 3,25%

Frankfurt (-2,72%), Londres (-2,81%) e Paris (-2,92%) registram perdas

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

19 de maio de 2010 | 14h03

As bolsas de valores europeias fecharam em queda generalizada em um momento no qual um esforço isolado da Alemanha para proibir alguns tipos de posições vendidas a descoberto expõe as discordâncias regionais sobre a formulação de políticas e alimenta temores sobre o futuro da união monetária.

O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em 243,82 pontos, uma queda de 2,98% - o terceiro declínio em quatro sessões -, com o recuo acentuado das ações dos bancos e das mineradoras.

Num espectro mais amplo, a proibição a posições vendidas a descoberto diminuiria o apetite por risco dos investidores, uma vez que as atividades de hedge - às quais os investidores recorriam antes - não serão mais possíveis, observou Gerhard Schwarz, diretor de estratégia global de ações do Unicredit. "Serão cobrados prêmios por risco mais elevados, o que significa preços mais baixos", prosseguiu.

As ações vinham esboçando algum avanço na Europa depois do anúncio, na semana passada, de um pacote de € 750 bilhões para as economias mais vulneráveis da zona do euro. Mas a decisão tomada ontem à noite pelo BaFin, órgão regulador financeiro da Alemanha, de proibir uma série de práticas de mercado, entre elas as posições vendidas a descoberto, fez os investidores vacilarem na sessão de hoje.

Entre as ações sobre as quais vigora a proibição alemã, os papéis do Deutsche Bank caíram 2,89% e as ações da Allianz sofreram queda de 3,25%. Os investidores com posições vendidas a descoberto nas companhias afetadas pela decisão terão de comprar as ações para concluir o negócio.

A proibição não ajudou o setor financeiro em geral. Na França, os papéis do Société Générale fecharam em queda de 4,23%; os do Credit Agricole caíram 3,60%. Na Espanha, as ações do BBVA, que tiveram recomendação rebaixada de overweight para neutro pelo JPMorgan, recuaram 3,65%.

Todos os principais índices de ações do Velho Continente fecharam em queda próxima de 3%. O índice CAC-40, da bolsa de Paris, caiu 105,65 pontos, ou 2,92%, encerrando o pregão em 3.511,67 pontos; em Londres, o FTSE-100 recuou 149,26 pontos, ou 2,81%, fechando em 5.158,08 pontos; o índice Dax, da bolsa de Frankfurt, teve queda de 167,26 pontos, ou 2,72%, terminando a sessão em 5.988,67 pontos.

Schwarz acredita que a decisão alemã acarreta uma série de implicações específicas para a Europa por não se tratar de uma postura integrada. "Há um risco de credibilidade para o projeto da zona do euro que não será diminuído colocando dinheiro na mesa ou tentando punir os especuladores", acredita Schwarz. "Eles (os europeus) precisam demonstrar unidade, precisam passar confiança, apresentar medidas amplas e enviar mensagens claras", argumentou.

A Comissão Europeia defende a tomada de ações regulatórias coordenadas para a região.

O ceticismo do mercado com relação à zona do euro tem ficado explícito nos mercados de câmbio. Apesar de estar em território positivo hoje, o euro voltou a atingir sua cotação mínima em quatro anos no overnight.

Para os estrategistas do Citigroup, a decisão da Alemanha de proibir as vendas a descoberto ameaça colocar ainda mais pressão sobre o euro. "Proibir os participantes do mercado de expressar uma perspectiva pessimista sobre a Europa por meio de posições vendidas a descoberto em renda fixa e nos mercados de ações levará esses negócios para o euro, exacerbando a queda", avaliam. As informações são da Dow Jones. 

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