Johannes Eisele/AFP
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Temor sobre nova onda de coronavírus faz Bolsas de NY caírem mais de 5%

Referência para o mercado americano, índice Dow Jones teve queda de 7%, pior resultado em três meses; Fed divulgou previsões pessimistas para economia americana

André Marinho, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2020 | 14h41
Atualizado 16 de junho de 2020 | 10h52

As bolsas de Nova York fecharam nesta quinta-feira, 11, com quedas superiores a 5%. Referência para o mercado americano, o índice Dow Jones despencou quase 7%, no maior tombo porcentual em quase três meses. Temores relativos ao surgimento de uma nova onda de casos de coronavírus continuaram pressionando os mercados no exterior, após vários Estados americanos informarem aumento no volume de novos diagnósticos da doença.

Na visão de investidores e analistas, o possível avanço da pandemia pode ser um sinal de que as previsões pessimistas divulgadas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para a trajetória da maior economia do mundo podem estar corretas, embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha questionado os números pelo Twitter. O BC americano prevê uma queda de 6,5% para o PIB americano em 2020. Ao fim do ano, espera um desemprego de 9%.

Esses dois fatores se refletiram no comportamento dos índices. No fim do dia, o Dow Jones fechou em queda de 6,9%, aos 25.128,17 pontos, maior contração desde 16 de março. Já o S&P 500 recuou 5,89%, para 3.002,10 pontos. O Nasdaq, que vinha renovando recordes históricos com o bom desempenho dos papéis de tecnologia, se afastou da marca de 10 mil pontos e encerrou em baixa de 5,27%, aos 9.492 pontos.

O mau humor nos EUA afetou também bolsas da Europa, que tiveram um pregão de robustas perdas, com todos os principais índices acionários do continente encerrando nas mínimas do dia. As previsões pessimistas para a recuperação da economia global, reforçadas ontem pelo Federal Reserve, pesaram sobre os negócios e o índice agregado  Stoxx 600 fechou em baixa de 4,1%. As bolsas de Paris, Frankfurt e Londres tiveram retrações semelhantes.

A B3 também deve repercutir nesta sexta-feira o difícil dia nos mercados internacionais. O principal fundo que reúne ativos brasileiros no mercado americano, o EWZ, fechou a quinta-feira em queda de quase 8%.

Balde de água fria

Segundo o analista Edward Moya, da corretora Oanda, as projeções do BC americano jogaram um balde de água fria no otimismo registrado no mercado financeiro nos últimos dias, quando havia sinais de que a retomada econômica seria mais rápida. “Os mercados financeiros recalibraram as expectativas  após a avaliação negativa do presidente do Fed, Jerome Powell, de que as perspectivas e estão caminhando para o lado errado.

Há dúvidas sobre a trajetória da curva epidemiológica do coronavírus, em especial nos Estados Unidos, onde a reabertura econômica ocorre a passos largos. Nesta quinta-feira, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) informou o registro de 20,5 mil casos nas últimas 24 horas, elevando o total para quase 2 milhões. Na medição anterior, o total de novas infecções havia sido de pouco mais de 17 mil.

Em entrevista à rede de televisão Fox Business, o diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Larry Kudlow minimizou o risco de ressurgimento da doença e projetou que o PIB dos EUA terá expansão de 20% nos próximos dois trimestres. Já o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, garantiu que a economia não será fechada outra vez, mesmo que novas ondas de infecção pela covid-19 se confirmem ao redor do país.

O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou o BC do país  no Twitter. “O Federal Reserve está muito frequentemente errado. Eu vejo os números também e eles são muito melhores que os deles. Teremos um bom terceiro trimestre, um ótimo quarto trimestre e um dos melhores anos da história em 2021”, escreveu Trump na rede social. 

Câmbio

O  dólar interrompeu a sequência de perdas registradas há alguns dias e se fortaleceu na comparação com moedas principais e emergentes, enquanto investidores buscam a segurança da divisa americana em meio a um cenário de cautela – no Brasil, onde os mercados permaneceram fechados por causa do feriado, esses efeitos podem ser sentidos nesta sexta-feira, 12. A moeda brasileira, que chegou a ser negociada perto de R$ 6 no mês passado, voltou para menos de R$ 5. 

O índice DXY, que mede a variação do dólar frente a uma cesta de seis moedas rivais, avançou 0,87%, para  96,796 pontos. “As ações globais no vermelho ajudaram o dólar a se estabilizar em relação às  mínimas de vários meses”, explicou o analista de mercado Joe Manimbo, da Western Union.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo tiveram uma sessão de fortes perdas. O barril do petróleo WTI para julho fechou em baixa de 8,23%, a US$ 36,34, na New York Mercantile Exchange (Nymex). O Brent para agosto despencou 7,62%, a US$ 38,55 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE).

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