Bolsas européias fecham em queda seguindo NY; Bovespa sobe

Ações do Banco Central animam investidores e Bolsa de São Paulo consegue se descolar de Wall Street

Reuters,

09 Outubro 2008 | 14h48

O mercado brasileiro teve uma manhã de trégua, em boa parte ajudado pelas ações do Banco Central entre quarta e quinta-feira, com leilões de dólar e mais uma flexibilização nos compulsórios, o que resultará numa injeção de R$ 23 bilhões no sistema financeiro. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) não tocou o território negativo nenhuma vez, a despeito de Wall Street continuar mostrando oscilação. Às 14h53, o principal índice da subia 1,57%, aos 39.211 pontos.   Veja também: FMI age para garantir crédito a emergentes   Após socorro aos bancos, Lula deve ampliar apoio à agricultura Em meio à crise, Mantega e Meirelles adiam viagem aos EUA Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Ajuda de BCs mostra que crise é mais grave, diz economista Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Entenda o pacote anticrise que passou no Senado dos EUA  A cronologia da crise financeira  Veja como a crise econômica já afetou o Brasil  Entenda a crise nos EUA    Na Europa, principais bolsas fecharam em baixa - Londres, -1,21%; Paris, -1,55%; Frankfurt, -2,53%. Entre as ações de bancos , as do Barclays caíram 13% e as do Santander perderam 4,3%. Os papéis de companhias ligadas a petróleo caíram à medida que o preço da commodity recuava quase 2%, com as ações da Royal Dutch Shell caindo 3,2% e as do BP se desvalorizando 1,8%.   Nos Estados Unidos, o mercado continua tenso, com o mercado de crédito travado, e as ações da GM são destaque de queda com anúncio de retração de vendas na Europa, ao lado dos papéis do Morgan Stanley. Por volta das 14h10, o Dow Jones cedia 1,17%, o S&P 500 caía 1,41% e o Nasdaq oscilava perto da linha d'água.   Brasil   Depois de cinco pregões sob intenso bombardeio, em que caiu mais de 20%, a Bovespa teve uma trégua e conseguiu operar em alta durante toda a manhã, a despeito da virada das bolsas nos Estados Unidos. Na máxima do pregão, o Ibovespa subiu 4,89%, influenciado pela melhora das bolsas norte-americanas e pela queda do dólar frente ao real. Mas com a mudança de direção do índice Dow Jones, principal referência do mercado brasileiro, a Bolsa reduziu os ganhos. Às 13h34, a valorização era de 2,06%, aos 39.386 pontos.   Entre os analistas, a avaliação é de que o mercado estaria começando a absorver as últimas medidas adotadas pelos principais bancos centrais, como o corte de juros coordenado de 0,50 ponto porcentual anunciado ontem e as várias decisões no sentido de injetar recursos no sistema financeiro para permitir a normalização dos negócios no interbancário.   A decisão do Banco Central brasileiro ontem à noite de mexer novamente nos depósitos compulsórios a prazo e à vista, que resultará na liberação de R$ 23,2 bilhões aos bancos, também ampara essa recuperação técnica da Bolsa. Esses R$ 23 bilhões ajudam a normalizar as operações bancárias e a reduzir a desconfiança do mercado, de acordo com os operadores.   O BC agiu corretamente ao liberar o dinheiro dos compulsórios e ao usar os recursos das reservas internacionais para conter a alta do dólar, avalia o analista da Alpes Corretora, Fausto Gouveia. Segundo ele, o nível "adequado" do câmbio, que ajudaria as empresas exportadores e não pressionaria tanto as empresas endividadas em dólar, seria na faixa de R$ 1,85 a R$ 2,00, considerando-se uma situação ainda de estresse. Hoje, a moeda norte-americana terminou a manhã a cotada a R$ 2,20, queda de 3,46%, reagindo a mais um leilão do BC de venda de dólares no mercado à vista e à calma internacional.   As atuações do BCs lá fora e aqui estão surtindo efeito positivo, mas a avaliação geral é que as medidas não serão absorvidas de uma hora para outra, mas podem estar começando a dissipar o medo de uma quebradeira em série ao redor do mundo.   Uma sinalização considerada importante hoje é o Ibovespa estar se mantendo em alta mesmo com o Dow Jones em baixa. "Isso mostra que tem investidores enxergando que há papéis brasileiros que ficaram muito baratos", disse um gestor. Apesar dessa melhora, os especialistas continuam muito com o pé atrás.   "Qualquer ventinho ruim vindo lá de fora, como notícias sobre resgate de fundos e quebra de bancos, pode desmanchar essa alta", disse uma fonte. A torcida geral é para que o foco mude, mas a volatilidade vai continuar porque a crise não acabou. Essa é a única certeza por enquanto.   Além disso, nesta tarde, o mercado brasileiro aguarda a reunião extraordinária que deve ser feita pelo CMN, segundo fontes, para regulamentar as medidas anunciadas no início da semana pelo governo para fazer frente à crise financeira.

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