Bolsas européias têm a maior alta em quase 5 anos

Resultados da Nokia e da Allianz e a expectativa de pacote de ajuda a seguradoras acalmaram investidores

Reuters,

24 de janeiro de 2008 | 16h00

As bolsas de valores européias se recuperaram nesta quinta-feira, 24, à medida que fortes resultados da Nokia e da Allianz e a expectativa de um pacote de ajuda para seguradoras acalmaram os investidores, que se surpreenderam com a notícia de fraude no Société Générale. O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações das empresas européias, subiu 5,39%, para 1.330 pontos, após encerrar a sessão da véspera no menor nível em um ano e meio. "Boas notícias fizeram com que os mercados se recuperassem como um elástico", disse Christian Stocker, estrategista de ações na UniCredit Global Research. A ação da Nokia subiu 14,58%, após a fabricante de celulares ter divulgado um crescimento de 57% no lucro por ação de outubro a dezembro. A seguradora Allianz se valorizou em 11,26%. A empresa anunciou que atingiu a meta de lucro líquido anual de 8 bilhões de euros (11,72 bilhões de dólares), apesar de ter registrado baixa contábil de 900 milhões de euros no quarto trimestre. As ações do Société Générale caíram 4,14%, abaladas pela revelação de um enorme rombo no balanço do banco devido às posições tomadas por um operador. Em Londres, o índice Financial Times fechou em alta de 4,75%, a 5,875 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX avançou 5,93%, para 6.821 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 subiu 6,01%, para 4.915 pontos. Em Milão,  índice Mibtel encerrou em alta de 3,68%, aos 25.797 pontos. Em Madri, o índice Ibex-35 registrou valorização de 6,95%, para 13.106 pontos. Em Lisboa, o índice PSI20 teve alta de 2,99%, para 11.004 pontos. Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones sobe 0,27%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de tecnologia e internet - sobe 0,93%. Mercado no Brasil As informações de que o governo americano estuda um pacote de injeção de capital nas seguradoras, como Ambac e MBIA, também foram bem recebidas, assim como a discussão no governo sobre o aumento dos limites de empréstimos da Federal Housing Association (FHA) e das agências subsidiadas pelo governo (GSE) como a Fannie Mae e Freddie Mac. Tais notícias, assim com a queda de 1 mil pedidos de auxílio-desemprego na semana passada nos EUA, ante previsão de alta de 19 mil, amenizaram o impacto negativo da informação sobre a fraude no banco Société Generale (SocGen). Às 16h23, a Bolsa de Valores de  São Paulo (Bovespa) apresenta alta de 5,45%. No âmbito doméstico, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic em 11,25%ao ano em votação unânime não surpreendeu, mas o comunicado mais longo do que o da reunião anterior gerou discussões. Alguns analistas viram no trecho "o comitê irá acompanhar o cenário macroeconômico até a sua próxima reunião para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária", uma sinalização de que o juro pode subir, e que isso poderá ocorrer já em março. Outros acreditam que o Copom não trouxe nada que possa ser interpretado como uma tendência de alta nos juros.De qualquer maneira, são cada vez mais fortes os sinais de pressão na inflação corrente e que podem contaminar as expectativas futuras. Hoje foi divulgado o IPCA-15 de janeiro, que ficou em 0,70%, mesma taxa de dezembro, e veio dentro das projeções dos analistas (0,62% a 0,73%) mas superou a mediana de 0,67%. O destaque negativo foi a aceleração da alta dos preços dos alimentos, de 1,73% para 1,96%, e do índice de difusão, a 67,2%, ante 62% no IPCA de dezembro e 61,7% no IPCA-15 do mês passado.

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