Bolsas européias têm reação eufórica à ação contra a crise

Vários governos da região anunciam medidas para combater problemas de crédito e animam investidores

Agência Estado,

13 de outubro de 2008 | 08h32

As bolsas européias disparam na manhã desta segunda-feira, 13, respondendo com euforia à batalha coordenada dos principais governos da região para fazer frente à crise de crédito que abala a confiança do sistema financeiro. Vários governos da Europa devem anunciar entre esta segunda e quarta-feira a criação de fundos nacionais de recapitalização e de garantias do sistema financeiro.  Veja também:Europa vai garantir dívidas bancárias por até 5 anosReino Unido vai resgatar seus 4 maiores bancos, diz jornal Como o mundo reage à crise  Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a criseEntenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Para completar, o governo britânico confirmou a injeção de US$ 63,37 bilhões no Royal Bank of Scotland (RBS) e na instituição que resultará da fusão entre o Lloyds TSB e o HBOS (Halifax). E o Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano) anunciou nesta segunda que proverá o que for necessário de recursos em dólar por meio de suas linhas de swap com os três principais bancos europeus.  Às 8h31, a Bolsa de Frankfurt subia 6,39%, enquanto Paris tinha valorização de 5,11% e Londres 3,71%. Em Lisboa, a bolsa operava em alta de 7,18%, e Madrid subia 6,76%. Os futuros de Nova York inspiram-se nas altas na Europa. Às 7h53, o S&P 500 subia 5,48% e o Nasdaq 100 futuro, 5,26%.  Na Ásia, o principal índice de bolsa de valores subiu 5% depois de ter caído ao pior patamar em quatro anos nesta segunda-feira. Entretanto, o iene permaneceu firme ante o dólar e o ouro também se valorizou, ressaltando a precaução do investidor e pouca disposição para fazer investimentos arriscados no momento, especialmente com mercados de crédito funcionando de forma fraca.  O mercado acionário do Japão registrou queda de 24% na última semana, duas vezes mais o que perdeu na semana da crise de 1987, enquanto as bolsas dos Estados Unidos tiveram queda de 18%, o maior declínio em uma mesma semana da história.  "Os mercados estão enormemente vendidos e todos estão sedentos por boas notícias, então não irá demorar muito para começar um rali de alívio. Mas isso está longe de ser o fim da história", disse Geoff Lewis, chefe de serviços de investimentos do JF Asset Management em Hong Kong.  "Até podermos reconhecer um retorno do apetite pelo risco, é difícil de perceber como a Ásia pode se sobressair em linha com seus fundamentos relativamente superiores", disse Lewis, que antecipou mais pressões sobre bancos sendo gerados por unidades de empréstimos comerciais e de financiamento ao consumidor.  O índice MSCI que reúne os principais da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão disparou 7,41%, depois de chegar a cair mais de um quinto na última semana, para o nível mais baixo desde dezembro de 2004. A bolsa de Sydney teve salto de 5,5%, revertendo parte do declínio de 16% da última semana, depois que o governo australiano garantiu cobertura de todos os depósitos bancários. O índice Hang Seng, de Hong Kong, disparou 10,24%, depois de ter perdido 16,2% na última semana. As ações da China Mobile eram as que mais se valorizaram no índice e papéis de grandes bancos tiveram rali depois de registrarem queda mais cedo na sessão. O mercado de ações do Japão e de Treasuries dos Estados Unidos não operaram em virtude de feriados nesta segunda-feira. O mercado de Seul subiu 3,79%. Xangai avançou 3,65%, Taiwan recuou 2,15% e Cingapura disparou 6,57%. IslândiaA Islândia suspendeu, pelo terceiro dia consecutivo, os negócios na Bolsa de Reykjavík, em meio a temores de novas perdas.  Devido a condições atípicas, os mercados islandeses permanecerão fechados nesta segunda-feira e serão reabertos amanhã", disseram autoridades financeiras do país.  O mercado financeiro de Reykjavík perdeu metade do seu valor deste o início deste ano. De acordo com a correspondente da BBC em Reykjavík Clive Myrie, investidores islandeses aguardavam com ansiedade a reabertura dos mercados nesta segunda-feira, após dias de grande turbulência na semana passada devido ao anúncio do governo de nacionalizar os três maiores bancos do país.  A Islândia tem sido seriamente atingida pela crise financeira mundial. O país tem um Produto Interno Bruto anual (PIB) de US$ 8,61 bilhões, mas suas dívidas remontam a US$ 86,1 bilhões. Para Myrie, o fato de que os mercados asiáticos e europeus tenham respondido bem aos anúncios de líderes mundiais no fim-de-semana e que, ainda assim, a Bolsa de Reykjavík tenha permanecido fechada, é um sinal do quanto o país está sendo afetado pela crise.

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