Bolsas européias viram e caem após dado de emprego britânico

Número de pedidos de auxílio-desemprego no Reino Unido registra a maior alta desde dezembro de 1992

Nathália Ferreira, da Agência Estado,

12 de novembro de 2008 | 08h08

As bolsas européias ensaiaram recuperação na primeira hora de negócios, enquanto investidores aproveitaram a queda de terça-feira para comprar pechinchas, mas logo retomaram o terreno negativo em reação à divulgação de um dado de emprego no Reino Unido. Entre os destaques, as ações de companhias aéreas sustentam boa performance, impulsionadas pelo declínio dos preços do petróleo, enquanto as mineradoras perdem com o recuo dos preços dos metais.   Veja também: Banco Mundial vai ampliar ajuda financeira a emergentes EUA lançam programa para evitar execução de hipotecas Mais países estão precisando de ajuda, diz Zoellick De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos    O número de pedidos de auxílio-desemprego no Reino Unido aumentou 36.500 em outubro, na maior alta desde dezembro de 1992 e o nono mês consecutivo de avanço. Às 7h52 (de Brasília), a Bolsa de Londres operava em baixa de 0,35%, a Bolsa de Paris cedia 0,50% e a Bolsa de Frankfurt recuava 0,41%%. Na abertura, as bolsas tinham sustentado alta com ajuda da melhora na recomendação para os mercados acionários do banco alemão Dresdner Kleinwort.   O Dresdner elevou sua recomendação para as ações européias e norte-americanas de "underweight" para "neutro", afirmando que a crise financeira pode ter atingido o pico no mês passado. "Há um momento em que todos estão com sentimento baixista, quando as notícias ruins não podem mais chocar e os mercados se descolam do fluxo de dados e começam a olhar para o futuro novamente", disseram os estrategistas do Dresdner.   No âmbito corporativo, as ações da British Airways PLC ganhavam 2,01%, enquanto Deutsche Lufthansa subia 1,82%. O contrato de petróleo no pregão eletrônico da Nymex caía 1,99%, a US$ 58,15 por barril, tendo chegado a US$ 57,90 por barril na mínima.   Setor financeiro   O banco italiano Unicredit exibia alta de 5,4%, depois de ter anunciado lucro no terceiro trimestre acima do esperado, disseram operadores. O banco disse que, embora tenha ocorrido uma queda decisiva nas áreas ligadas a mercados, a instituição se beneficiou da diversificação geográfica e de setores. O lucro líquido no terceiro trimestre foi de 551 milhões de euros (US$ 691,8 milhões), 54% abaixo do mesmo período do ano passado.   O grupo financeiro ING ganhava 1,3% com o anúncio de prejuízo abaixo do alertado pela empresa no mês passado. O grupo holandês de serviços financeiros teve prejuízo de 478 milhões de euros (US$ 600 milhões no terceiro trimestre, ante lucro de 2,31 bilhões de euros no mesmo período do ano passado, que tinha sido parcialmente ajudado pelo ganho líquido de 455 milhões de euros em ações vendidas no ABN Amro.   Em 17 de outubro, o ING havia alertado os investidores que esperava um prejuízo líquido de 500 milhões de euros, como resultado de ajustes contábeis em investimentos em ações e bônus e mudanças de valor em imóveis. As baixas contábeis totalizaram 1,51 bilhão de euros (US$ 1,89 bilhão) no terceiro trimestre e o ING alertou que elas podem se estender até o final do ano.   Mais prejúízos   Mas outras ações do setor financeiro sofriam. As ações do francês Natixis caíam 10,6% depois de ter dito que suas operações de banco de investimentos e corporativo registraram um prejuízo de 250 milhões de euros (US$ 313,8 milhões) em outubro.   A seguradora Swiss Life perdia 16%. O grupo disse que não espera lucrar entre 1,8 bilhão e 1,9 bilhão de francos suíços (US$ 1,5 bilhão e US$ 1,6 bilhão) no ano, como havia previsto no final de agosto, citando "a tendência extraordinariamente negativa experimentada nos mercados financeiros desde o final de setembro".   A financeira de imóveis alemã Hypo Real Estate Holding divulgou prejuízo provisional de 3,1 bilhões de euros (US$ 3,89 bilhões) no terceiro trimestre e disse ter completado as negociações com o governo para receber uma linha de liquidez de 50 bilhões de euros (US$ 62,7 bilhões). A Hypo teve cerca de 2,5 bilhões de euros (US$ 3,14 bilhões) em baixas contábeis na sua subsidiária de finanças públicas Depfa. Outros 600 milhões de euros em perdas vieram da exposição ao Lehman Brothers, investimentos na Islândia e outros ativos. As informações são da Dow Jones.   Ásia   A Bolsa de Tóquio, um dos principais mercados da Ásia, encerrou em baixa um pregão com fraco volume de negócios, em meio à cautela dos investidores diante do vencimento dos contratos de opções de novembro e da reunião do G-20, no próximo final de semana. O índice Nikkei 225 recuou 113,79 pontos, ou 1,3%, e fechou aos 8.695,51 pontos. Embora o nível de sustentação do índice continue em 8.500 pontos, "a tendência geral do mercado ainda é ligeiramente declinante", disse o presidente da Investrust, Hiroyuki Fukunaga.   As ações ligadas ao setor de petróleo se enfraqueceram depois que os futuros da commodity fecharam no menor valor dos últimos 20 meses, abaixo dos US$ 60 o barril. A petrolífera Inpex encerrou em queda de 5,4%, enquanto a trading Mitsubishi Corp. afundou 8,1%.   Em Seul, o quadro não foi diferente. O índice Kospi perdeu -0,43%. Em Bangcoc, a queda foi de -1,23%; em Kuala Lumpur, -0,82%; Cingapura, -0,49%; Jacarta, -0,81% e Sydney, -0,97%. Os mercados de Xangai, Hong Kong e Manila foram na contramão das outras bolsas e fecharam em alta de +0,84%, +0,40% e +0,03%, respectivamente.

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