EFE/Justin Lane
EFE/Justin Lane

Bolsas globais caem com guerra comercial

Disputa entre EUA e China derrubou mercado internacional; Ibovespa foi na contramão e avançou 2,6%, maior ganho em um só dia desde fevereiro

Altamiro Silva Junior, Luciana Dyniewicz, Mateus Fagundes e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

20 Junho 2018 | 04h00

A nova escalada da tensão comercial entre Estados Unidos e China deixou o mercado internacional tenso nesta terça-feira, 19, com quase todas as Bolsas encerrando o dia em queda. O índice Dow Jones terminou o pregão com recuo de 1,15%, o DAX 30, de Frankfurt, caiu 1,2%, e o SSE, de Xangai, 3,8%. No Brasil, o Ibovespa foi na contramão e avançou 2,6%, maior ganho em um único dia desde 14 de fevereiro. A alta aqui decorreu, segundo analistas, da sensação no mercado de que a queda do preço dos papéis nas últimas semanas havia sido exagerada.

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Globalmente, o dia começou com perdas até mais acentuadas do que as verificadas no encerramento do pregão – o Dow Jones chegou a recuar 1,68%, por exemplo. A afirmação de Peter Navarro, um dos assessores do presidente Donald Trump, de que Washington está aberta a negociações com Pequim ajudou a melhorar parcialmente o sentimento dos mercados. 

Defensor de medidas mais restritivas em relação ao comércio global, Navarro amenizou o tom adotado pelo presidente americano na noite de segunda-feira, quando Trump ordenou que o Escritório do Representante Comercial identifique US$ 200 bilhões em produtos chineses a serem tarifados em 10%. Ainda que o mau humor prevaleça, a leve diminuição da retórica deu espaço para recomposição de preços de ações.

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Apesar do cenário global conturbado, o mercado brasileiro surpreendeu nesta terça-feira. Um dia depois de o Ibovespa ter testado o suporte psicológico dos 70 mil pontos, as ações do segmento financeiro comandaram uma recuperação da Bolsa brasileira. Investidores estrangeiros deram o pontapé inicial nas compras e contagiaram o restante do mercado, levando o índice a fechar aos 71.394,34 pontos.

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“Não há muita explicação (para a alta das ações) do ponto de vista de fundamentos. O mercado está corrigindo uma queda exagerada da Bolsa e comprando papéis que ficaram baratos”, disse Filipe Villegas, analista de ações da Genial Investimentos.

Para Raphael Figueredo, da Eleven Financial, a queda da Bolsa para menos de 70 mil pontos, na segunda-feira, pode ter sido um dos gatilhos para que o mercado corrigisse excessos. “Os bancos vinham liderando as quedas do Ibovespa nas últimas semanas e era natural que eles liderassem a recuperação. E assim que surge o primeiro sinal de melhora, ninguém quer ficar para trás.”

O Índice Financeiro, carteira teórica da B3 que congrega 15 ações do segmento, terminou o dia com alta de 4,52%. Para os bancos, contou a favor ainda a expectativa pela votação do projeto que trata do cadastro positivo. A Petrobrás também alavancou a Bolsa, com alta de 6,34% nos papéis preferenciais (sem direito a voto) diante da possibilidade de votação do projeto de cessão onerosa na Câmara.

Moedas. No mercado de câmbio, o dólar subiu ante as divisas emergentes com a aversão global ao risco. No Brasil, após ter operado em baixa durante boa parte do pregão, a moeda americana fechou com valorização de 0,16%, a R$ 3,74. Foi a primeira sessão sem leilões de swap cambial pelo Banco Central desde o último dia 5. Instrumento de contenção para a altar do dólar em momentos de volatilidade do mercado, os swaps cambiais equivalem à venda futura de dólares. 

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