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Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

Bolsas mundiais caem em mais um dia de temor com coronavírus

Em Wall Street, Dow Jones caiu 3,15% e S&P 500, 3,03%; bolsas europeias também tiveram dia de perdas

O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 04h00

Em mais um dia de aversão ao risco por causa do temor de rápida disseminação do novo coronavírus, as bolsas mundiais voltaram a fechar ontem em forte baixa. Em Nova York e na Europa, os investidores fugiram das ações para se refugiar em investimentos mais seguros, como o títulos do Tesouro americano. A preocupação é que a epidemia tenha reflexos ainda mais negativos do que os economistas estavam prevendo para o PIB da China e para o do resto do mundo.

Em Wall Street, o índice Dow Jones recuou 3,15%, puxado pela queda de ações de empresas como American Express (-5,76%), Visa (-4,55%) e Dow Inc. (-4,56%). O Standard & Poor’s (S&P 500), composto pelas 500 maiores ações cotadas nas bolsas americanas, caiu 3,03%. E a Nasdaq, 2,77%.

Na Europa, o movimento não foi diferente, especialmente com o surgimento de novos casos do coronavírus no continente. Na Itália, a doença continua a se espalhar, principalmente em duas áreas rurais perto de Milão e Veneza. Pelo menos 322 pessoas foram confirmadas como tendo contraído o vírus no país, disseram autoridades. O número de mortos subiu ontem para 10. 

Em Milão, o índice FTSE/Mib caiu 1,44%; em Londres, o índice Financial Times recuou 1,94%; em Frankfurt, o DAX caiu 1,88%; e em Paris, o CAC-40 perdeu 1,94%. O movimento ocorre após fortes perdas na segunda-feira, que representaram queda de quase US$ 474 bilhões em valor de mercado das empresas listadas nas bolsas na Europa.

“Casos verificados na Itália, Irã e Coreia do Sul podem sugerir que os surtos do COVID-19 agora são possíveis em muitos outros locais”, disse Simon Powell, estrategista de ações na Jefferies. 

Japão

No Japão, onde a doença também tem se espalhado, o primeiro-ministro do país, Shinzo Abe, sugeriu que empresas permitam que funcionários trabalhem de casa como parte do combate à epidemia do coronavírus. “Estamos em um momento extremamente importante para acabarmos com o avanço das infecções enquanto ainda é cedo”, disse Abe, em uma reunião da força tarefa que lida com a epidemia.

Ele afirmou que casos envolvendo rotas de transmissão desconhecidas e pequenos focos de infecções ainda estão acontecendo, e que reduzir o ritmo de novos casos é crucial para interromper o avanço da doença. Com dez novos casos reportados ontem, o Japão agora tem 860 pessoas infectadas, terceiro maior número depois de China e Coreia do Sul.

Nos Estados Unidos, o vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Richard Clarida, afirmou que a instituição está monitorando de perto o coronavírus e que a doença deve ter, ao menos no primeiro trimestre deste ano, efeito considerável no crescimento da China. “A disrupção lá pode transbordar para o resto da economia global. Mas ainda é cedo para especular sobre a magnitude ou a persistência desses efeitos, ou se eles levarão à mudança material na perspectiva”, disse ele, em discurso na conferência anual da Associação Nacional de Economia Empresarial (Nabe, na sigla em inglês), em Washington.

Já o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow, afirmou ontem que o coronavírus está contido nos Estados Unidos e, por isso, não vê possibilidade de impactos na cadeia produtiva. “O coronavírus é tragédia humana, mas não podemos reagir exageradamente. O vírus ainda não provocou interrupções em fornecimento da cadeia produtiva do país. Os Estados Unidos podem lidar com problema de suprimentos quando chegar a hora.” Questionado sobre o impacto do surto na economia global, alertado por nações europeias como a Alemanha, Kudlow disse que os “EUA podem evitar uma recessão se houver impacto global na economia”. /MARCELA GUIMARÃES, AUGUSTO DECKER, RENÉE PEREIRA e REUTERS

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