Bolsas na Europa despencam; NY deve abrir em queda

Bovespa acompanha mercados internacionais e cai mais de 3%

Agência Estado,

23 de janeiro de 2008 | 11h46

Os resultados divulgados na manhã desta quarta-feira pela Motorola devem provocar uma abertura negativa das bolsas em Nova York. Na Europa, além disso, pesa a frustração dos investidores com uma possível redução dos juros. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanha o pessimismo. Meia hora depois de abrir em queda de 0,49%, as ações aprofundaram a baixa para 3,72% (às 11h38). Veja também: Em meio a incertezas, Copom decide juro Fed reduz juro e alivia mercados Com corte de juros dos EUA, bolsas asiáticas fecham em alta Dólar abre em alta; Na Europa, bolsas operam em baixa Especialistas recomendam cautela com ações Entenda a crise nos Estados Unidos  Celso Ming comenta a crise no mercado financeiro   A Motorola informou que obteve lucro líquido de US$ 100 milhões (US$ 0,04 por ação) no quarto trimestre deste ano. A expectativa era de um lucro de US$ 0,13 por ação. O desempenho representa queda de 84% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a segunda maior fabricante de celulares do mundo apresentou ganho de US$ 623 milhões (US$ 0,25 por ação). No pré-mercado, as ações da Motorola caem 14%. Nesta quarta, também repercutem os resultados da Apple, divulgados na noite de terça, depois do fechamento dos negócios. Como os números vieram abaixo do esperado, as perspectivas não são boas. No mercado pós-fechamento (after hours), as ações da empresa chegaram a cair 10%. E, no pré-mercado desta quarta, baixa de 11%.  Na Europa, em discurso, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, não deu nenhum sinal de afrouxamento da política monetária. Ele afirmou que os bancos centrais devem ancorar as expectativas de inflação em "tempos difíceis" para evitar encorajar a volatilidade dos mercados. As bolsas da região aprofundam a queda. Às 11h30, Londres caía 3,05%. Em Paris, a bolsa recua 4,52%, e Madrid cede 4,45%. O fechamento das bolsas na Ásia foi positivo. Segundo analistas, o clima de instabilidade e oscilações deve continuar, depois da trégua na terça-feira, provocada pela decisão do banco central dos Estados Unidos (Fed) de reduzir de forma surpreendente o juro no país. O fato é que os investidores gostaram da decisão do Fed, mas querem mais. Um novo corte de juro pode sair no final deste mês. O banco de investimentos Merrill Lynch, por exemplo, prevê que o Fed cortará o juro em mais 0,50 ponto porcentual no dia 30 de janeiro - com a redução de ontem, a taxa caiu para 3,5% ao ano. Além disso, espera-se o detalhamento do pacote de ajuda nos EUA e a aprovação do Congresso. No Brasil, o dólar comercial abriu em alta de 1,17% nesta quarta-feira, cotado a R$ 1,8130, na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). No mercado entre investidores (balcão), a moeda norte-americana é negociada a R$ 1,8100, em alta de 1%. Às 11h45, a moeda norte-americana é vendida a R$ 1,8210, em alta de 1,62%.  Decisão do Fed A decisão do Fed de reduzir o juro básico do país - de 4,25% ao ano para 3,5% ao ano -, promovida na terça-feira, animou os investidores, mas não afastou definitivamente o risco de recessão nos Estados Unidos. O presidente do país, George W. Bush, anunciou na semana passada um pacote de ajuda fiscal no valor de US$ 150 bilhões e já sinalizou com aumento dos recursos. Enquanto aguardam a aprovação do pacote no Congresso americano, os investidores pedem mais: no final do mês, o juro americano pode cair novamente. Todas as atenções continuam voltadas para os sinais que a economia dos Estados Unidos dará nos próximos dias. Números do mercado de trabalho e do varejo devem mostrar o ritmo da atividade econômica do país. A cada dado divulgado, os investidores vão reagir. No Brasil, os investidores aguardam nesta quarta a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que deverá manter a taxa básica de juros (Selic) em 11,25% ao ano. Além disso, foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), da Fundação Getúlio Vargas, em 0,98% - dentro das expectativas (entre 0,80% e 1,01%). Ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu 4,45%, mas ainda acumula queda de 12,19% no ano. O dólar comercial fechou no patamar mínimo do dia, em R$ 1,7920 e sobe 0,96% no mês de janeiro.

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