Bolsas na Europa fecham em direções divergentes

Investidores deixaram de lado preocupações com a Grécia e Áustria, que haviam pesado na abertura

Suzi Katzumata, Agência Estado

15 de dezembro de 2009 | 16h41

As principais bolsas europeias recuperaram as perdas iniciais e fecharam perto dos níveis de fechamento anterior, animadas pela abertura melhor do que o esperado de Wall Street e de alguns indicadores econômicos positivos dos EUA. Com as expectativas de que os EUA vão liderar a economia global para fora da recessão, os investidores deixaram de lado as preocupações relacionadas com a Grécia e Áustria, que haviam pesado sobre as ações mais cedo.

 

Em Londres, o índice FT-100 caiu 29,57 pontos (0,56%) e fechou com 5.285,77 pontos; em Paris, o índice CAC-40 subiu 3,65 pontos (0,10%) e fechou com 3.834,09 pontos; em Frankfurt, o índice Dax-30 avançou 9,08 pontos (0,16%) e fechou com 5.811,34 pontos.

 

As preocupações relacionadas as dívidas continuaram a pesar sobre o setor bancário, onde as ações da austríaca Raiffeisen International caíram 6,1%, as da irlandesa Allied Irish Banks recuaram 5,9% e as da instituição grega Piraeus Bank fecharam em baixa de 4,8%.

 

Áustria

 

O governo austríaco disse na segunda-feira, 14, que iria estatizar o problemático Hypo Group Alpe Adria. Nesta terça-feira, 15, o jornal local Die Presse informou que a quarta maior instituição financeira da Áustria, Oesterreichische Volksbanken, foi colocada em uma lista de alerta do banco central e da agência regulatória do mercado financeiro local. O banco central austríaco negou a reportagem.

 

"As pessoas devem sentir que não existe fumaça sem fogo particularmente no final do ano, quando estão sentados sobre gordos lucros e querem vender", disse Nigel Rendall, estrategista sênior do RBC Capital Markets.

 

As notícias sobre a Áustria ocorrem na sequência de alertas e rebaixamento de ratings de alguns países europeus, incluindo Grécia, Espanha e Portugal. Na segunda-feira, a Grécia traçou um plano com objetivo de colocar suas finanças em ordem. Contudo, os mercados não ficaram impressionados e, na Bolsa de Atenas, o índice ASE Composite caiu 2,1% e fechou com 2.169,98 pontos.

 

"Ao falhar em apresentar um cenário mais detalhado de como os níveis exorbitantes de gastos públicos serão reduzidos, o governo (da Grécia) se arrisca a frustrar ainda mais os mercados", disse Diego Iscaro, economista do IHS Global Insight.

 

Fomc

 

Nesta terça-feira, o Federal Reserve iniciou seu encontro de política monetária de dois dias e uma reportagem do Financial Times sugeriu que existe uma chance de o banco central norte-americano poder optar por fazer algumas alterações em sua provisão de liquidez. "Existem especulações de que pode haver alguma mudança na política do Fed quando a autoridade monetária tomar a decisão sobre juro amanhã", disse Stephen Taylor, estrategista da Dolmen Securities. "Isto também levou a um significativo fortalecimento no dólar", acrescentou.

 

Entre os destaques individuais, as ações da siderúrgica ArcelorMittal subiram 2,94% depois que foram elevadas de "neutra" para "comprar" e colocadas na lista preferencial do UBS. "Os baixos níveis dos estoques; uma potencial reposição de estoques em 2010 e evidências de melhora na demanda significam que agora vemos uma probabilidade maior de uma forte recuperação dos lucros no primeiro semestre de 2010", disse o UBS.

 

No setor automotivo, as ações da fabricante de autopeças francesa Valeo subiram 3,9% depois de anunciar que está prevendo um aumento de 17% ao ano nas vendas no quarto trimestre, impulsionado pelos incentivos para os consumidores trocarem os carros velhos por um modelo mais novo e de consumo eficiente e uma recuperação na produção de automóveis nos mercados emergentes.

 

O benefício das medidas de incentive para troca de carro foi demonstrado hoje com o dado da associação das montadoras europeias de que o registro de de novos carros de passageiros cresceu em 26,6% para 1,18 milhão de unidades em novembro.

 

Além disso, as ações da fabricante de caminhões Man subiram 2,23% em meio a especulações de que a Volkswagen pode elevar sua participação na companhia. As ações da Volks fecharam em baixa de 0,70%.

 

As ações da Cadbury caíram 0,44% e fecharam a 791,50 pence, depois que a Kraft Food questionou como a companhia britânica conseguirá alcançar as metas de crescimento anunciadas na segunda-feira como parte de sua defesa contra a oferta hostil feita pela gigante norte-americana. A Kraft Foods reiterou que sua oferta representa um prêmio substancial para o preço da ação da Cadbury, excluindo a valorização gerada pelo interesse de compra.

 

Em Milão, o índice FTSE/MIB caiu 35,11 pontos (0,15%) e fechou com 22.617,23 pontos; em Madri, o índice Ibex-35 subiu 29,60 pontos (0,25%) e fechou com 11.735,50 pontos; em Lisboa, o índice PSI-20 recuou 0,84 ponto (0,01%) e fechou com 8.244,84 pontos. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
BolsaEuropaações

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.