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Bolsas na Europa fecham em alta com eleição na França e otimismo se reflete no Brasil

Temores na UE diminuíram com resultado do 1º turno; Bolsa subiu quase 1% e dólar caiu para R$ 3,12

Victor Rezende e Sérgio Caldas, Broadcast

24 de abril de 2017 | 15h29

SÃO PAULO - Uma forte alta foi registrada nos principais mercados acionários europeus, que foram impulsionados pelo resultado do primeiro turno da eleição presidencial da França. As bolsas europeias comemoraram a diminuição dos temores na União Europeia (UE) após o candidato centrista Emmanuel Macron vencer a disputa e ser considerado o favorito contra Marine Le Pen, de extrema-direita, no segundo turno. 

O otimismo se refletiu também no mercado brasileiro. A Bolsa encerrou os negócios em alta de 0,99%, aos 64.389,01 pontos. O dólar encerrou o dia em queda de 0,90%, a R$ 3,1268.

Na Europa, diversos líderes se posicionaram a favor da vitória de Macron contra Le Pen. A Comissão Europeia afirmou que Macron representa os valores pró-europeus, enquanto Le Pen procura a destruição da UE. Já o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, disse acreditar que Le Pen não irá vencer a eleição francesa e pediu que os franceses se envolvessem e defendessem o bloco. Na Alemanha, integrantes do governo da chanceler Angela Merkel se posicionaram a favor do candidato centrista. O porta-voz da chancelaria alemã, Steffen Seibert, desejou a Macron "o melhor para as próximas duas semanas". O segundo turno irá ocorrer em 7 de maio.

O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em alta de 2,08% (+7,85 pontos), a 385,97 pontos, no maior patamar desde dezembro de 2015.

Na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 fechou em alta de 4,14%, a 5.268,85 pontos, com o maior ganho diário desde maio de 2010. Instituições financeiras foram as maiores beneficiadas com o resultado eleitoral francês, com o Crédit Agricole subindo 10,86%, o Société Générale avançando 9,86% e o BNP Paribas fechando em alta de 7,52%.

O índice DAX, da Bolsa de Frankfurt, também registrou forte alta, ao avançar 3,37% nesta segunda-feira, para 12.454,98 pontos. O Commerzbank fechou em alta de 9,41% e o Deutsche Bank avançou 9,16%.

Já em Londres, o índice FTSE-100 subiu 2,11%, para 7.264,68 pontos. Entre os bancos, o Lloyds ganhou 2,91% e o Barclays teve expansão de 5,41%. No Reino Unido, a vitória de Macron também repercutiu. Em solo britânico, existe a perspectiva de que uma possível vitória de Le Pen pode ajudar o Reino Unido, já que ela poderia intermediar a favor de um Brexit suave, ao pensar em conseguir seguir os passos em um segundo momento e iniciar o Frexit. No entanto, a vitória de Macron sugere que, apesar do centrista ser favorável ao bloco, ele tornará as negociações do Brexit menos turbulentas.

Em Milão, o índice FTSE-MIB fechou em alta de 4,77%, a 20.684,41 pontos, na máxima. A eleição na França acabou por ofuscar o rebaixamento do rating soberano da Itália, na sexta-feira, pela agência de classificação de risco Fitch, de BBB- para BBB, com perspectiva estável. Instituições financeiras registraram fortes ganhos, com o Intesa Sanpaolo subindo 7,48% e o Unicredit avançando 13,20%.

O índice Ibex-35, da Bolsa de Madri, ganhou 3,76%, a 10.766,80 pontos. Já em Lisboa, o índice PSI-20 avançou 2,48%, para 4.997,54 pontos.

Mercado doméstico. Apesar do otimismo com o exterior, investidores seguiram atentos ao noticiário político local, diante das negociações para garantir a aprovação da reforma da Previdência, na próxima semana.

Na véspera, o presidente Michel Temer afirmou a líderes da base aliada e ministros que o projeto apresentado na comissão especial da Câmara dos Deputados na semana passada é a versão final, sinalizando que não há mais espaço para concessões e cobrando apoio para sua aprovação.

"Amanhã, o governo já vai ter um teste do que pode esperar da reforma da Previdência, com a votação da (reforma) trabalhista. Um adiamento ou derrota pode estressar os investidores", comentou o profissional da mesa de uma corretora local.

O projeto de reforma trabalhista pode ser votado em comissão especial nesta terça-feira, depois de ter sua urgência aprovada na semana passada.

O Banco Central vendeu, pelo quinto pregão seguido, mais um lote de 16 mil contratos de swap cambial tradicional --equivalente à venda futura de dólares-- para rolagem dos contratos que vencem em maio. Dessa forma, já rolou US$ 4 bilhões do total de US$ 6,389 bilhões. /COM REUTERS

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