Bolsas na UE caem com crise na Espanha e EUA

Números do crescimento da economia e impasse em relação à dívida americana foram agravados pela ameaça da Moody's de rebaixar rating do país ibérico

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2011 | 00h00

Altamente expostos aos Estados Unidos, os mercados europeus fecharam em baixa ontem. Se não bastasse, a zona do euro foi de novo afetada pelo anúncio da agência de classificação de risco Moody"s, que ameaça rebaixar a Espanha por causa das incertezas sobre a capacidade do país em honrar suas dívidas. Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), sem novos cortes de gastos e demissões de funcionários públicos, a Espanha não sairá da crise.

Os primeiros impactos na economia europeia foram sentidos diante dos números do crescimento da economia americana muito abaixo do esperado. O Índice Stoxx Europe 600 fechou em queda de 0,7%. "Os mercados já começam a sentir apenas ao considerar as ramificações de um eventual default ou rebaixamento da dívida americana", afirmou à Dow Jones Simon Denham, chefe da Capital Spreads.

Os bancos foram os que mais sofreram, justamente pelo temor da exposição no mercado americano. O Credit Agricole e Societé Generale perderam 2,4% em Paris, ante queda de 2% para o BNP Paribas. A situação dos bancos acabou fazendo a Bolsa de Paris recuar 1,1%. Em Londres, a baixa foi de 1% e em Frankfurt, de 0,4%.

A tensão dos temores vindos dos EUA foi elevada após a Moody"s alertar que pode rebaixar a dívida espanhola, em mais um sinal de que o pacote de socorro à Grécia acordado na semana passada pode não ser suficiente para frear a contaminação da crise da dívida. Para a agência, novas medidas de cortes de gastos terão de ser tomadas.

Austeridade. O governo de Jose Luis Rodriguez Zapatero anunciou ontem eleições antecipadas na Espanha, num esforço para acalmar mercados e dar espaço para um novo governo atuar em um cenário de maior certeza. Zapatero, desgastado por sua política de austeridade, não concorrerá a novo mandato e seu partido já foi duramente punido nas urnas pelos cortes sociais e de salários.

Segundo o FMI, as políticas de Zapatero não foram sequer suficientes. A entidade desconfia das expectativas de expansão da economia e da capacidade de cortar o déficit. O FMI pede a demissão de funcionários públicos na Espanha, a elevação de impostos e mais austeridade nos investimentos do Estado. Ao mesmo tempo, alerta que a taxa de desemprego de 20% é inaceitável.

A Moody"s segue a mesma linha e alerta que a pressão aumentou sobre a Espanha desde o acordo fechado com a Grécia, já que o entendimento foi visto como indicação suplementar de que o contribuinte europeu poderá ter de arcar com novos pacotes. O principal obstáculo é a incapacidade dos governos regionais em lidar com buracos no orçamento. O déficit desses governos já chega a 121 bilhões, 11% do PIB local. Ontem, a Moody"s rebaixou nota de seis regiões espanholas. As notas do Banco Santander, BBVA, La Caixa, CaixaBank e CECA estão em revisão.

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