Bolsas no mundo todo já perderam US$ 27 trilhões no ano

Na Europa, quedas chegam a 43% desde janeiro e, nos dois últimos dias, perdas somam as maiores desde 1987

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

16 de outubro de 2008 | 17h18

A hemorragia nas bolsas de todo o mundo já soma perdas de US$ 27 trilhões no valor de ações desde o início do ano e uma queda nos mercados europeus de 43% desde janeiro. Nesta quinta, o dia foi de novas quedas e a semana pode fechar com novos recordes de prejuízos.   Veja também: Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise  O caminho até o pré-sal    Pelo segundo dia consecutivo, os mercados fecharam em quedas acentuadas nesta quinta. Mais uma vez, a constatação era de que a economia mundial entrará em recessão e que os planos de resgate não dariam uma resposta a isso. Os dois dias de quedas somam as maiores perdas na Europa desde 1987. O fracasso da União Européia em chegar a um acordo sobre um órgão central de regulação também contribuiu para a queda desta quinta.   O índice Dow Jones Stoxx 600 Index perdeu 5%. Desde o dia 14 de outubro, as perdas já são de 11%. Nos dias 19 e 20 de outubro de 1987, a queda somou 16%. Todas as 18 bolsas da Europa ocidental sofreram quedas. Em Londres, a redução foi de 5,4%, contra 5,9% na França e 4,9% em Frakfurt, depois que o governo anunciou que a economia alemã ficará estagnada em 2009.   Na Hungria, país que recebeu 5 bilhões de euros nesta quinta do Banco Central Europeu, a queda na bolsa foi de 8,6%, contra uma redução de mais de 12% na quarta-feira.   Desta vez, as quedas não foram apenas nas ações de bancos, mas de empresas que sofrerão com a recessão. A Rio Tinto e a Vedanta Resources despencaram em mais de 13% depois que os americanos indicaram a pior queda na atividade industrial em 34 anos. O temor é de que a demanda por minerais sofra uma queda importante.   No Reino Unido, as ações da Travis Perkins cairiam em 31%. A empresa é fornecedora de material de construção e a previsão de recessão fez o mercado desabar. As empresas de petróleo também sofreram com o barril caindo abaixo de US$ 70,00. Só a Total perdeu 9,2%. A Royal Dutch Shell teve perdas de 7,2%, também diante de uma queda na demanda pelo petróleo.   Consumo   A queda na demanda também chega às casas das famílias. As ações da Thomson caíram em 18% depois que a empresa de TVs anunciou ontem que suas vendas caíram em 13% no trimestre. O registro de novos carros na Europa também sofreu uma queda de 8% apenas em setembro. A TUI TRavel, maior operadora de turismo da Europa, teve queda de 22% em suas ações, também diante de um Natal fraco à vista.   Os bancos, mesmo com os amplos pacotes dos últimos dias, continuaram caindo. O Barclays registrou queda de 11%, contra 15% para o ING. Na Suíça, os dois bancos socorridos tiveram ganhamos e foram um dos poucos do setor a registrar a alta. O UBS, com um pacote de US$ 60 bilhões, teve alta de 1,5% na bolsa de Zurique. O Credit Suisse, com dinheiro árabe, subiu em 7,7%. No caso do UBS, a tímida recuperação não compensa nem em parte as quedas brutais dos últimos dias.

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