Bolsas oscilam com mercados atentos aos EUA

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) reverteu a tendência de queda verificada durante a manhã e passa a operar em alta. Por volta das 16h, o Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa - opera com alta de 0,53%. Em Nova York, o índice Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - está em alta de 0,20% e a Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e internet - sobe 0,60%. As condições da economia norte-americana, especialmente as operações de crédito imobiliário voltadas para a população com histórico de calote, conhecido como subprime, continua no foco de atenções dos investidores. As bolsas asiáticas reagiram nesta quarta aos números preocupantes divulgados pelo governo dos EUA na terça e as bolsas fecharam em baixa. A Bolsa de Tóquio despencou 2,92%. Na China, a baixa foi de 1,97%. O mesmo ocorreu na abertura dos principais mercados acionários europeus.Dados divulgados nesta terça mostraram que as taxas de atrasos em pagamentos no quarto trimestre de 2006 subiram para 14,44% e a taxa de residências entrando em processo de execução de hipoteca atingiu o recorde de 0,54% no período.Para piorar, foi apurado que 4,53% dos 5,97 milhões de empréstimos subprime estavam em processo de execução de hipoteca no fim do quarto trimestre, ante 3,86% no terceiro trimestre. Já entre os empréstimos prime, apenas 0,50% dos 33,32 milhões de empréstimos estavam em processo de execução de hipoteca, ante 0,44% no terceiro trimestre.Por que as bolsas são afetadas?O fato é que ainda não é possível saber qual a extensão do impacto da crise do mercado imobiliário para a economia real dos Estados Unidos. O que se sabe é que, com a alta dos juros no país, os americanos estão gastando mais para pagar suas hipotecas e isso reduz o poder de consumo. Outra conseqüência é a redução da riqueza dos norte-americanos. Isso porque, com o calote das hipotecas, muitos imóveis serão retomados e voltarão para o mercado, o que reduzirá o preço dos imóveis - um dos investimentos mais usados pelos norte-americanos.Como o comportamento da economia norte-americana é decisivo para todos os países, este cenário provocou perdas nas bolsas do mundo todo. EquadorNesta quarta, um outro fator foi adicionado á lista de preocupação dos investidores. O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou que o governo não pagará a dívida de US$ 1,1 bilhão que possui com o Banco Central. Independentemente de uma lei ser ou não aprovada pelo Congresso, a administração equatoriana afirma que a dívida, acumulada durante a crise do sistema bancário de 1998 a 1999, é ilegítima. Analistas dizem que o governo teria que aprovar uma lei para declara o não pagamento da dívida.Quanto à dívida externa, Correa declarou que não descarta a possibilidade de declarar uma moratória. Ele disse que a decisão sobre a legitimidade ou não dessa dívida será tomada em seu devido tempo. Correa disse ainda que não acredita que há uma competição entre os setores público e privado, mas sim que os dois se completam.PerspectivasDiante da nova onda de oscilação nos mercados internacionais, a maioria dos analistas tenta manter o sangue-frio, ancorados na aposta de que trata-se de um ajuste temporário. Adrian Schmidt, economista do Royal Bank of Scotland, observou que os indicadores divulgados nos Estados Unidos ontem na terça vieram abaixo das expectativas, ?mas não de uma forma dramática?.?A alta das inadimplências nas hipotecas imobiliárias era esperada?, observou Schmidt. ?Há, obviamente, riscos na economia dos Estados Unidos, mas os dados de ontem não sugerem que um derretimento é iminente.?No entanto, segundo o analista, os mercados não estavam suficientemente precificando (considerando) esses riscos, principalmente no setor de crédito. ?Embora os ativos de maior risco estejam claramente ainda vulneráveis diante da fragilidade no sentimento, não está claro para nós que todos esses produtos estejam excessivamente valorizados ou que as perdas das últimas horas serão ampliadas?, disse. Mas, segundo Schmidt, uma forte recuperação nos mercados no curto prazo ?é improvável?.

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