Bolsas voltam a cair nos EUA após corte dos juros

Pregões na Europa e em São Paulo também acompanham tendência de queda.

Da BBC Brasil, BBC

23 de janeiro de 2008 | 13h45

Um dia depois do anúncio inesperado do Fed (Federal Reserve Bank, o banco central americano) de redução da taxa básica de juros americana, as principais bolsas de valores do mundo voltaram nesta quarta-feira a registrar baixas significativas.Segundo analistas, os investidores não estão convencidos de que a medida do Fed e o pacote anunciado pelo governo americano para impulsionar a economia americana vão ser suficientes para amenizar o desaquecimento econômico e a possibilidade de recessão nos Estados Unidos.Em Wall Street, logo após a abertura do pregão, o índice Dow Jones já registrava queda superior a 2%. Por volta de 13h, hora de Brasília, as perdas haviam diminuído um pouco e o índice registrava baixa de 1,23%. No mesmo horário, o índice Nasdaq estava em -2,86%.Esses dados também foram influenciados por dados divulgados por algumas empresas. Um exemplo foi a Apple, fabricante do iPod, que revelou uma projeção de crescimento das vendas menor do que o esperado pelo mercado.Em São Paulo, os investidores da bolsa refletiram esse pessimismo nos Estados Unidos. Também há expectativa quanto à reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que pode decidir mudanças na taxa básica de juros brasileira. Pouco depois das 13h, hora de Brasília, o índice Bovespa operava com queda de 2,4%. O dólar acompanhava a tendência com alta de 1%, vendido a R$ 1,81.EuropaOs principais mercados europeus também operam em baixa, após uma indicação do Banco Central Europeu (BCE) de que não seguirá a tendência de corte na zona do euro. Durante uma audiência no Parlamento Europeu na manhã desta quarta-feira, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, disse que é "improvável" que haja reajustes nos juros em breve."Nós temos de olhar para o que está acontecendo com a economia real (ligada aos setores produtivos)", afirmou Trichet. "Nós estamos diante de um certo cenário e nesse momento eu não vou modificá-lo." O presidente do BCE ainda disse que a inflação é a preocupação principal da instituição.Por volta das 13h em Brasília, o índice FTSE da Bolsa de Londres operava em baixa de 2,20%; em Paris, o índice CAC acumulava perdas de 3,37% e, em Frankfurt, o índice DAX registrava baixa de 4,20%.ÁsiaNa Ásia, o anúncio do corte de juros nos Estados reaqueceu as bolsas, que fecharam em alta nesta quarta-feira. Investidores receberam bem a redução dos juros anunciada na terça-feira e foram às compras, apesar de um tanto cautelosos quanto ao possível impacto da medida na taxa cambial das moedas da região frente ao dólar.O índice Nikkei 225 do Japão fechou nesta quarta com alta de 2%, após baixa de 5,7% na véspera. Austrália e Coréia do Sul também reverteram a tendência de grande queda registrada ontem.A bolsa de Sydney fechou com ganhos de 4,4%, o que colocou fim a 12 dias de perdas consecutivas, enquanto Seul encerrou o pregão em alta em 1%. Na China, o SSE Composite de Xangai fechou em alta de 3,14%, após ter terminado a terça-feira com perdas de 7,2%. RecuperaçãoMas de todos os mercados da região, Hong Kong foi o que obteve maior recuperação até o momento.O índice Hang Seng registrou dramática valorização de 10,7%, superando as perdas de 8,7% da véspera, a maior queda já registrada num único dia na bolsa.Na Índia, às 14h horário local (6h30 no horário de Brasília), o Sensex de Bombaim operava em alta de mais de 6%, mostrando forte contraste em relação às grandes perdas de ontem. Na terça-feira, o Fed reduziu a taxa baixa de juros de 4,25% para 3,5%, um corte de 0,75 ponto percentual.Estimativas sugerem que os mercados de ações no mundo todo perderam cerca de US$7,3 trilhões em valor com as quedas de ontem.*Colaborou Marina Wentzel, de Hong Kong para a BBC BrasilBBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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