Gabriela Biló/Estadão - 19/8/2020
Gabriela Biló/Estadão - 19/8/2020

Bolsonaro aciona Maia e cobra Centrão para manter veto a reajustes de servidores

Segundo fontes, o presidente da Câmara se comprometeu a ajudar o governo a articular a manutenção do veto presidencial na sessão desta quinta-feira

Jussara Soares e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2020 | 10h41
Atualizado 20 de agosto de 2020 | 15h41

BRASÍLIA – Após a decisão do Senado na quarta-feira, 19, o presidente Jair Bolsonaro acionou logo cedo nesta quinta-feira, 20, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e líderes do Centrão para tentar reverter a derrubada do veto ao reajuste de salários de servidores durante a pandemia de covid-19.

O Ministério da Economia calcula que, se confirmada pelos deputados federais na votação marcada para a tarde desta quinta, a derrubada do veto presidencial aprovada por senadores compromete uma economia fiscal entre R$ 121 bilhões e R$ 132 bilhões. 

Segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, Maia se comprometeu a ajudar o governo a articular a manutenção do veto presidencial na Câmara. O novo líder do governo na Casa, Ricardo Barros (PP-PR), também atua nos bastidores em um primeiro teste de sua atuação como substituto do deputado Major Vitor Hugo (PSL-SP).

Uma reunião com líderes dos partidos foi marcada para esta quinta, às 11h, com a participação de Maia. O principal argumento do governo para deputados é que, se a Câmara seguir o Senado e derrubar o veto presidencial, criará um caos fiscal no pós-pandemia da covid-19.

De manhã, Bolsonaro disse a apoiadores na saída do Palácio do Alvorada que com o reajuste “é impossível governar o Brasil”. “Ontem, o Senado derrubou um veto que vai dar prejuízo de R$ 120 bilhões para o Brasil. Eu não posso governar um país se esse veto (não) for mantido na Câmara... É impossível governar o Brasil, impossível. É responsabilidade de todo mundo ajudar o Brasil a sair do buraco",  disse.

Após serem acionados pelo presidente Jair Bolsonaro, líderes do Centrão também atuam para ajudar o governo para reverter o resultado do Senado, entre eles os líder do PP, Arthur Lira (AL), que afirmou estar trabalhando para manter o veto de Bolsonaro ao reajuste dos servidores.

O deputado Elmar Nascimento (DEM-BA) também disse que orientará a bancada a manter o veto de Bolsonaro. “Vamos manter o veto. Temos responsabilidade com o Brasil", disse o parlamentar.

Nesta manhã, os líderes do governo no Congresso disseram que havia espaço para reverter a derrota.  Para eles, a repercussão negativa nas redes sociais contra os senadores que votaram a favor da derrubada do veto pode ser favorável na votação da Câmara. No Twitter, a hashtag "Traidor" foi usada para os parlamentares que apoiaram o reajuste já tem mais de 16 mil compartilhamentos.

O mercado financeiro acompanha essa discussão com preocupação: o dólar atingiu cotação de R$ 5,67 nesta manhã e a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, tinha queda superior a 1,5%, perdendo o patamar de 100 mil pontos.

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