Presidência da República/Marcos Corrêa
Presidência da República/Marcos Corrêa

Bolsonaro admite que capitalização pode ficar de fora da reforma da Previdência

Segundo o presidente da República, modelo que prevê a adoção de contas individuais para os novos entrantes no mercado de trabalho poderia ficar para um 'segundo turno'

João Caminoto, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2019 | 11h35

O presidente Jair Bolsonaro admitiu nesta sexta-feira, 5, em café da manhã com diretores de redação de jornais que a proposta de capitalização na reforma da Previdência poderá não ser aprovada pelo Congresso Nacional. "Vai ter reação. Eles (parlamentares) vão tirar", disse Bolsonaro.

O presidente sugeriu deixar a introdução do modelo de capitalização, que prevê a adoção de contas individuais para os novos entrantes no mercado de trabalho, para um "segundo turno".

É a sinalização de que a discussão da proposta, uma das mais polêmicas, poderá ficar para um segundo momento depois de aprovada a reforma da Previdência. "Minha sugestão é deixar menos complicado", afirmou.

O presidente manifestou confiança na aprovação da reforma. "Ela passa", disse. Mas reiterou mais uma vez que "reforma boa é a que passa". "O teto (idade) e o tempo de serviço são o mais importantes", disse o presidente, que tem feito uma série de conversas, nas ultimas semanas, com a imprensa. O Estado participou da café da manhã desta sexta-feira, 5.

Além da capitalização, o presidente reconheceu as dificuldades para aprovar as mudanças no benefício de assistência social para idosos pobres (BPC) e nas regras da aposentadoria rural. Mas ao responder pergunta sobre a possibilidade de desidratação da reforma, o presidente afirmou: "Tem que perguntar para o Rodrigo Maia".

Após realizar reuniões com várias lideranças dos partidos ontem, o presidente voltou a afirmar que não há "cargos" na negociação da reforma. E deu um recado: "Não temos intenção de forçar a barra (com Congresso), com exceção da Previdência".

O presidente aproveitou ainda para comentar sobre a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). "CLT está engessada no artigo 7° da Constituição", disse. Bolsonaro voltou a repetir a avaliação de que "quanto mais direito você tem, pior para a tua vida".

Economia destravada

O presidente também informou que o governo vai editar uma Medida Provisória com 14 páginas contendo ações para destravar a economia. Bolsonaro contou que já leu o texto da MP durante a viagem que fez para Israel. Segundo Bolsonaro, a MP está agora nas mãos do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, para "polimento" antes de ser editada.

O presidente não deu detalhes das medidas, mas sinalizou que tratavam também de ações de desburocratização.

Como antecipou o Estadão/Broadcast, o governo vai lançar esse mês um pacote de medidas com quatro frentes na tentativa de destravar a economia e tirar as amarras das empresas para fazer negócios. /COLABORARAM ADRIANA FERNANDES E VERA ROSA

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