Joédson Alves/EFE
Joédson Alves/EFE

Bolsonaro diz que Brasil gerou 3 milhões de empregos em 2021

Números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de dezembro ainda não foram divulgados; até novembro, o saldo de criação de empregos formais era da 2,992 milhões de vagas

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2022 | 10h38

BRASÍLIA - Antes da divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de dezembro, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil ultrapassou a marca de 3 milhões de empregos criados em 2021.

"No mês de dezembro, ainda não pegamos esse números, estão para aparecer esses números. Então, até o final de novembro, foram 2,992 milhões de empregos. Dezembro, como é um mês atípico para melhor, nós ultrapassamos sim 3 milhões de empregos durante o ano de 2021", afirmou Bolsonaro em entrevista à rádio Viva FM, do Espírito Santo. No último mês do ano, no entanto, historicamente há mais demissões do que contratações.

O resultado do mercado de trabalho formal de 2020 foi revisado e, em vez de geração de vagas, como o governo alardeou durante todo o ano passado, houve fechamento de postos. Entre contratações e demissões no ano passado, foram encerradas ao todo 191.502 vagas.

Em janeiro de 2021, o Ministério da Economia divulgou que as admissões haviam superado as demissões em  142.690 empregos no ano passado. 

Revisões em dados do Caged são corriqueiras e podem ocorrer até 12 meses após novas demissões e admissões, mas a magnitude da discrepância revela que de fato um número maior de firmas atrasou o preenchimento das informações sobre demissões no ano passado. De acordo com o Ministério do Trabalho e Previdência, a maioria das declarações enviadas fora do prazo são feitas por pequenas empresas.

Para 2022, de acordo com o presidente, o governo vai investir em desburocratização e desregulamentação para combater o desemprego.

Em meio à discussão sobre o futuro da reforma trabalhista, o presidente defendeu a mudança aprovada no governo do ex-presidente Michel Temer. O tema causou ruído entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador de São Paulo Geral Alckmin, cotado para uma candidatura a vice-presidente na chapa do petista em outubro. "Mente quem fala que a reforma trabalhista retirou direitos do trabalho", disse Bolsonaro.

Inflação

Bolsonaro afirmou também que a inflação vai diminuir neste ano, após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrar uma alta de 10,06% em 2021. Em entrevista à rádio Viva FM, Bolsonaro disse que os efeitos da pandemia de covid-19 na economia foram menores no Brasil, mas reconheceu a alta dos índices nos preços ao consumidor.

"Passamos ainda momentos difíceis pós-pandemia no tocante à economia, em especial. Mas o Brasil é o país que menos está nessa questão perante o mundo, apesar de reconhecer a inflação, aumento de muitos preços. Agora, temos que lutar. Vamos continuar lutando contra o desemprego, pode ter certeza que a inflação vai baixar este ano."

Para os economistas do mercado financeiro ouvidos pelo Banco Central, a inflação deve terminar 2022 acima do teto da meta que precisa ser perseguida pelo BC pelo segundo ano consecutivo. Segundo eles, o IPCA deve fechar este ano acima de 5%. 

Ao falar sobre os preços dos combustíveis, Bolsonaro vinculou a gestão petista ao endividamento da Petrobras, que, de acordo com ele, está sendo reduzido. "A Petrobras pode, sim, trabalhar, melhorar, investir melhor e ter um produto mais barato nas refinarias, mas agora a gente vai entregar essa Petrobras saneada para quem arrombou no passado voltar a arrombá-la no futuro? Essa decisão está nas mãos da população brasileira", afirmou.

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