Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Bolsonaro confunde diretora-geral da OMC com ‘presidente da OCDE’

Presidente disse que teve encontro com a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio, Ngozi Okonjo-Iweala, para tratar de fertilizantes, mas se referiu a ela como ‘presidente da OCDE’

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2022 | 20h42

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro  se confundiu nesta terça-feira,19, ao relatar sua reunião com a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio, Ngozi Okonjo-Iweala, ocorrida no Palácio do Planalto. Bolsonaro disse ter se reunido “há dois dias” com a “presidente da OCDE” - entidade cujo comando, na verdade, cabe ao secretário-geral, Mathias Cormann, e não a um presidente. No entanto, há dois dias, no domingo, o presidente estava na praia. Ele voltou a Brasília somente ontem, após passar o feriado de Páscoa em Guarujá (SP).

“Vou dizer a vocês que há dois dias recebi a presidente da OCDE. Veio pedir para nós exportamos mais alimentos, não temos estoque para isso”, declarou Bolsonaro no lançamento da Marcha para Jesus, em Cuiabá (MT). 

Apesar da confusão, o presidente disse ter pedido a Ngozi Okonjo-Iweala o fim do embargo sobre fertilizantes. “Aproveitei o momento, dado a importância dessa senhora, pedir para ela que embargos de fertilizantes não ocorram no mundo todo, bem como esses fertilizantes não continuem aumentando de preço. Caso contrário, poderemos brevemente estar envolvidos na guerra mais cruel que se possa imaginar. A guerra da segurança alimentar”, declarou.

As sanções internacionais contra a Rússia foram impostas pelos Estados Unidos, União Europeia e países aliados, e não pela OMC, instituição internacional que tem como função regular o comércio mundial. Apesar de criarem dificuldades para as exportações da Rússia, afetando os fertilizantes, as medidas não atingem diretamente os fertilizantes vendidos pelos russos. 

O Estadão/Broadcast procurou a Secretaria de Comunicação do governo (Secom) para esclarecer a confusão do presidente, mas não obteve retorno até o fechamento deste texto.

Bolsonaro tem a crise de fertilizantes como um problema grave para o governo, de olho nos impactos do estrangulamento da oferta sobre o agronegócio, uma de suas principais bases eleitorais, e os desdobramentos no preço dos alimentos em ano de eleição.

O chefe do Executivo ainda reclamou de morar no Palácio da Alvorada, em Brasília. “Por melhor que seja o Palácio da Alvorada, com tudo o que se possa imaginar, o silêncio, a solidão é ensurdecedora”, declarou o presidente sobre sua residência oficial. “Muitas vezes, me sinto um presidiário sem tornozeleira eletrônica”.

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