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Bolsonaro critica ministro francês e questiona o que ele veio tratar com ONGs no Brasil

Quem é que ferra Brasil? ONGs', disse o presidente, que desmarcou agenda com Jean-Yves Le Drian esta semana

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2019 | 11h37

O presidente Jair Bolsonaro criticou o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, por ele ter se reunido com organizações não governamentais (ONGs) durante visita ao Brasil. "O que ele veio tratar com ONG aqui? Quando fala em ONG, já nasce um sinal de alerta", disse. Bolsonaro voltou a afirmar que cancelou agenda com Le Drian esta semana porque tinha outro compromisso, mas admitiu que outros fatores contribuíram.

"Política é tudo igual, dizia Ulysses Guimarães, é olhar para as nuvens e elas mudam constantemente de posição. E tem que agir dessa maneira", declarou Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada.

O presidente disse que "ficou sabendo" que Le Drian marcou reunião com o vice-presidente, Hamilton Mourão, com representantes de ONGs e governadores do Nordeste. Ele também fez uma ironia, dizendo que conceder uma entrevista a um jornalista seria mais importante do que falar com o ministro francês.

"Cancelei. Tinha outro compromisso. Falar contigo (jornalista) talvez é mais importante do que conversar com ele (ministro francês). Eu tenho estratégia de como agir em dado momento. Ele marcou audiência comigo. Aí fiquei sabendo que ele tinha marcado com o Mourão, tinha marcado com ONGs. Quem é que ferra o Brasil? ONGs", avaliou.

Questionado se sentiu desprestígio, Bolsonaro negou. "Negativo. Ele pode conversar com quem quiser. Se descobrir que o papa Francisco é brasileiro, pode falar com o papa Francisco. Marcou também uma reunião com governadores do Nordeste. A gente vê que... O que ele veio tratar com ONG aqui? Quando fala em ONG, já nasce um alerta na cabeça de quem tem o mínimo de juízo."

Doria e ministro francês

Um dia após ter seu encontro com Bolsonaro cancelado, o chanceler da França, Jean-Yves Le Drian, encerrou a visita que fez ao Brasil pelo Estado de São Paulo na terça, 30, devido "à ligação e ao respeito" com o Acordo de Paris. Le Drian fez um breve pronunciamento ao lado do governador João Doria, com quem se manteve reunido por mais de uma hora, e pediu para não responder a perguntas.

Além da questão ambiental, a reunião entre a comitiva francesa e o governo do Estado tratou de temas como saúde, educação e tecnologia. Foi discutida ainda a questão de infraestrutura. Segundo Doria, a França tem "know-how" nas áreas de metrô, ferrovias e aeroportos e essa experiência pode ser compartilhada com o Estado no processo de desestatização.

Acordo de Paris

Doria também afirmou que o Brasil "não pode virar as costas ao tema ambiental". O chefe de Le Drian, o presidente francês, Emmanuel Macron, fez críticas à política ambiental do governo de Bolsonaro, que, sinalizou que queria sair do Acordo de Paris -assim como fez o presidente americano Donald Trump -, mas acabou voltando atrás. "O Brasil não pode abdicar de respeitar o acordo de Paris. Não podemos virar as costas ao tema ambiental, porque isso influi na relação bilateral, especialmente com o continente europeu", disse.

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