MIKHAIL KLIMENTYEV/SPUTNIK/AFP
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Busca por mais autoritarismo que ocorreu nos EUA deve ser evitada pelos brasileiros

Albert Fishlow, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2022 | 04h00

Bolsonaro parece ter tornado sua reeleição este ano um problema internacional. Ele fez isso ao acidentalmente perambular pelo oriente no exato momento em que a Rússia e seu conflito com a Ucrânia tornou-se uma questão urgente. Tendo se encontrado com Putin, ele pode defender sua própria importância. E, talvez, em breve se beneficie do apoio russo, assim como seu querido amigo Trump sempre conseguiu.

Bolsonaro vem se saindo um pouco melhor, mas não o suficiente, nas últimas pesquisas. Ele tem cerca de 25% das intenções de voto. Apesar de adotar completamente o nacionalismo populista em seu primeiro mandato e tentar desacreditar sem rodeios a legalidade jurídica, ele tem falhado com o Brasil ao confiar nos conselhos de sua família.

No Congresso, seu apoio majoritário sempre exigiu recursos extras para pagamentos a líderes específicos. A orientação tem sido confusa, como a insistência em um livre mercado para resolver todos os problemas, mas subsídios para praticamente todos os setores.

Lula, perspicaz, desistiu de traçar um plano econômico detalhado. Tudo o que é certo é um compromisso do PT em dar fim à atual política econômica e ao teto de gastos. A limitação orçamentária não é uma alternativa muito satisfatória. Ela afasta as mudanças que muitos no PT querem impor.

Todos os demais candidatos, de Sergio Moro, Ciro Gomes, João Doria, Eduardo Leite a outra meia dúzia, atualmente somam um total que é inferior às intenções de voto em Lula e Bolsonaro. Além disso, nenhum deles pretende retirar a candidatura e se juntar a qualquer outro.

Praticamente todos contrataram economistas renomados capazes de criar planos adequados – o que, no fim, parece pouco provável de fazer diferença para a população. A violência social e a inflação mais alta são o que parecem preocupar o eleitorado brasileiro. 

Será tarde demais para qualquer um desses candidatos surgir de forma definitiva como uma única voz confiável?

David Brooks chama a atenção no New York Times para os graves perigos apresentados pela crescente barbárie de Putin e Xi Jinping no lugar da expansão da democracia da década de 1990. Até mesmo os EUA quase foram vítimas da busca errática de Trump por mais autoritarismo

Os brasileiros racionais devem evitar sua possível repetição. Portanto, uma campanha séria entre Lula e aquele candidato alternativo pode evidentemente ocorrer, com um vencedor assumindo a Presidência enquanto o Brasil fortalece sua democracia em evolução. / Tradução de Romina Cácia

ECONOMISTA E CIENTISTA POLÍTICO, PROFESSOR EMÉRITO NAS UNIVERSIDADES DE COLUMBIA E DA CALIFÓRNIA EM BERKELEY

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