Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Bolsonaro diz desconhecer investigação sobre Paulo Guedes, alvo de inquérito aberto pela PF

Presidente eleito também comparou o caso com o processo aberto contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF) por apologia ao crime de estupro e injúria

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2018 | 15h35

REZENDE (RJ) - O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse desconhecer o inquérito aberto pela Polícia Federal sobre o seu futuro Ministro da Economia, Paulo Guedes.  Após participar de uma formatura de cadetes aspirantes a oficial do Exército, na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende, no Sul Fluminense, ele respondeu com irritação a questão. A Polícia Federal analisa se Guedes cometeu irregularidades na gestão financeira de fundos de investimento.

“Desconheço investigação sobre Paulo Guedes. Eu integro o Poder Legislativo e integrarei o Executivo. Isso compete ao Judiciário”, respondeu.

Guedes é investigado por um investimento que deu prejuízo ao fundo de pensão dos funcionários da Caixa, a Funcef. O órgão apontou em relatório a suspeita do investimento de R$ 112,5 milhões feitos pelo FIP Brasil Governança na empresa Enesa Participações. Gerido pela BR Educacional, empresa ligada a Paulo Guedes, o FIP causou perda total aos seus cotistas, entre eles a Funcef, que detinha 20% de suas ações.

O futuro ministro da Economia já era investigado em outro procedimento investigatório criminal por suspeita de ter cometido os crimes de gestão fraudulenta e temerária à frente de outro fundo de investimento (FIP), o BR Educacional.

Bolsonaro também comparou o caso com o processo aberto contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF) por apologia ao crime de estupro e injúria. O processo foi aberto após o presidente eleito ter dito que a deputada Maria do Rosário (PT-RS) não merecia ser estuprada porque ele a considera "muito feia" e porque ela "não faz" seu "tipo".

“Eu sou réu no STF, e daí? Vão me questionar agora? Eu defendi uma condenação para estuprador e acabei sendo réu no processo. É justo isso? O povo entendeu que era uma injustiça que estavam fazendo comigo, tanto é que votou em mim”, alegou.

O presidente eleito, no entanto, afirmou que qualquer robustez em denúncias contra ministros levará ao afastamento deste, “ independentemente de quem seja”. 

Questionado, Bolsonaro disse também que fará o máximo possível para que não haja o contingenciamento de verbas para as Forças Armadas. “O que eu e muita gente entendemos é que Forças Armadas não é despesa, é investimento”, declarou. 

 

​Direitos Humanos

Mais cedo, Bolsonaro disse que a advogada e pastora Damares Alves “está na frente” para chefiar o novo Ministério de Direitos Humanos, Família e Direitos da Mulher. O presidente eleito disse que o assunto foi conversado “muito por alto” com ela. “Não foi prometido nada, mas seria do meu entender uma pessoa extremamente qualificada para desempenhar a função”, afirmou.

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