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Bolsonaro diz que 'mafiosozinhos' lucraram com especulações em ações da Petrobrás

Além de falar sobre os especuladores, presidente também voltou a dizer que 'não houve interferência' na estatal e que não baixou o preço dos combustíveis na 'canetada'

Emilly Behnke, Nicholas Shores e Daniel Galvão, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2021 | 21h23

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro afirmou que "especuladores mafiosozinhos" teriam lucrado na Bolsa com especulações envolvendo rumores da troca de comando da estatal. "Não houve interferência. Eu não falei ‘vou baixar o preço na canetada’. Me acusaram de tudo, (de) intervencionista. Especuladores, os mafiosozinhos que tem em tudo quanto é lugar. Abusaram de ganhar dinheiro na Bolsa (de valores) especulando, falando mentiras sobre interferência minha", disse em transmissão ao vivo nas redes sociais nesta noite.

Na quinta-feira, 18 de fevereiro, logo após a reunião entre Bolsonaro e um time de seis ministros no Palácio do Planalto para tratar de preços dos combustíveis e e antes da live em que o presidente disse que “alguma coisa” aconteceria na petrolífera nos próximos dias, duas ordens de compra foram realizadas naquele dia: uma de 2,6 milhões de opções, às 17h35, e outra às 17h44, de 1,4 milhão de papéis, ambas com preço de R$ 0,04.

A movimentação revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão/Broadcast a partir de dados da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, indica que um investidor pode ter lucrado R$ 18 milhões com as opções, negociadas em volume que só faria sentido se ele realmente acreditasse que as ações iriam cair ao menos 8% no pregão seguinte.

Bolsonaro voltou a justificar a sua escolha por trocar a chefia da estatal ao indicar, em 19 de fevereiro, o general Silva e Luna para o comando da empresa, atualmente presidida por Roberto Castello Branco. A mudança no comando da petrolífera foi motivada pelos reajustes anunciados neste ano – cinco desde janeiro – e a pressão de caminhoneiros por conta do preço do óleo diesel.  

O chefe do Executivo lembrou que Silva e Luna ainda precisa ser aprovado pelo conselho da Petrobrás – o colegiado sofreu baixas nos últimos dias após o anúncio de um novo indicado do presidente. "Agora o general vai chegar na Petrobrás e vai fazer o trabalho que eu gostaria que fizesse, que o outro (Castello Branco) não fazia. O outro estava há 11 meses em casa", disse, em referência ao trabalho em regime de home office realizado por Castello Branco durante a pandemia da covid-19.

Como mostrou o Estadão, um quarto dos servidores públicos terminaram 2020 trabalhando em regime de home office por causa dos efeitos da pandemia. 

“O tempo de estar à frente da Petrobrás do senhor Castello Branco se expira dia 20 de março. O que se pode fazer? Renova por mais dois anos ou bota outro no lugar, nada mais normal do que isso", justificou. "O que que eu fiz numa sexta-feira depois que as bolsas fecharam? Anunciamos o nome da pessoa que eu gostaria – eu sou o maior acionista da Petrobrás, quem diria – o nome do Silva e Luna, que é um general de Exército que estava em Itaipu Binacional", disse.

Na live desta quinta-feira, Bolsonaro também destacou medidas do governo para zerar impostos federais sobre o gás de cozinha, de forma definitiva, e sobre o óleo diesel, por dois meses. “Do governo federal não tem mais imposto sobre o gás”, citou. As isenções fazem parte do esforço para agradar os caminhoneiros, uma das suas bases de apoio.

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