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Bolsonaro voltou a chamar o lucro da estatal de "exagerado" Marcos Correa/PR

Bolsonaro diz que Petrobras pode mergulhar Brasil em caos

Presidente deu declaração no Twitter pouco antes de a estatal anunciar um aumento de 5,2% na gasolina e de 14,2% no diesel

Eduardo Gayer, O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2022 | 11h28

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 17, que a Petrobras pode "mergulhar o Brasil num caos" e reforçou a posição do governo contrária a qualquer reajuste dos combustíveis. 

"A Petrobras pode mergulhar o Brasil num caos. Seus presidente, diretores e conselheiros bem sabem do que aconteceu com a greve dos caminhoneiros em 2018, e as consequências nefastas para a economia do Brasil e a vida do nosso povo", escreveu o chefe do Executivo no Twitter, pouco antes de a Petrobras anunciar o novo reajuste do diesel e da gasolina.

Na mesma rede social, o presidente ainda voltou a chamar o lucro da estatal de "exagerado" e a dizer que a empresa tem uma função social. 

"O Governo Federal como acionista é contra qualquer reajuste nos combustíveis, não só pelo exagerado lucro da Petrobrás em plena crise mundial, bem como pelo interesse público previsto na Lei das Estatais", publicou. 

Nesta sexta, a Petrobras reajustou a gasolina em 5,2% e o diesel em 14,2%. A gasolina estava há 99 dias congelada. Já o diesel ficou 39 dias sem aumento. 

O reajuste busca alinhar os preços dos combustíveis à cotação do mercado internacional, seguindo a alta do petróleo e refletindo maior demanda e o fechamento de refinarias em meio à guerra entre a Rússia e Ucrânia. 

Desde 2016, a empresa pratica a política de preços de paridade de importação (PPI), que significa manter os preços alinhados ao mercado internacional. O PPI leva em conta o preço do petróleo e o câmbio – que dispararam esta semana –, somado aos custos de importação, também elevados na esteira da alta do setor. 

Se a empresa não seguir essa política, outros importadores não conseguem concorrer com os preços mais baixos da Petrobras no mercado interno.

O Brasil produz entre 70% e 80% do diesel que consome e 97% da gasolina. Sem as importações complementares, o abastecimento pode correr risco no segundo semestre do ano, quando é previsto aumento da demanda interna, devido ao transporte da safra, combinado com aperto da oferta por conta da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

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Petrobras reajusta preço da gasolina e do diesel a partir deste sábado

Aumento será de 5,2% para a gasolina e de 14,2% para o diesel, considerando o preço dos combustíveis para as distribuidoras

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2022 | 10h33
Atualizado 17 de junho de 2022 | 13h31

RIO - A Petrobras não cedeu às pressões do governo e de autoridades ligadas ao presidente Jair Bolsonaro e aumentou os preços do diesel e da gasolina nesta sexta-feira, 17. A gasolina será reajustada em 5,2%, passando a custar R$ 4,06 o litro nas refinarias da estatal, em um aumento de 20 centavos. Já o diesel será reajustado em 14,2% e passará a custar R$ 5,61 o litro, um aumento de 70 centavos. Os novos preços entram em vigor neste sábado, 18, nas refinarias da Petrobras. A decisão de elevar os preços nas bombas, no entanto, cabe às distribuidoras e aos donos dos postos de combustíveis. 

A gasolina estava congelada há 99 dias, e o diesel passou 39 dias sem aumentos da Petrobras. Em nota enviada à imprensa, a estatal afirmou que "é sensível ao momento que o Brasil e o mundo enfrentam, de alta de preços, rebatendo declarações que vêm sendo feitas nas últimas semanas por Bolsonaro.

O reajuste ocorre em meio a uma queda de braço entre a liderança da estatal e o governo, que pressionava para que a empresa não fizesse um aumento do preço dos combustíveis enquanto o Congresso discute uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para compensar os Estados que zerarem a alíquota do ICMS sobre o diesel e o gás de cozinha. 

Um pouco antes do anúncio do reajuste da Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro afirmou a empresa pode "mergulhar o Brasil num caos" e reforçou a posição do governo contrária a qualquer reajuste dos combustíveis.  "A Petrobras pode mergulhar o Brasil num caos. Seus presidente, diretores e conselheiros bem sabem do que aconteceu com a greve dos caminhoneiros em 2018, e as consequências nefastas para a economia do Brasil e a vida do nosso povo", escreveu o chefe do Executivo no Twitter, pouco antes de a Petrobras anunciar o novo reajuste do diesel e da gasolina.

Os reajustes anunciados nesta sexta refletem a disparada dos  preços dos derivados no mercado internacional, seguindo a alta do petróleo por causa da maior demanda e do fechamento de refinarias em meio à guerra entre a Rússia e Ucrânia. Nesta sexta-feira, 17, os contratos do petróleo tipo Brent para agosto eram comercializados a US$ 119,5 o barril. O câmbio também não está ajudando e já ultrapassa os R$ 5, com a cautela dos investidores impulsionando a moeda americana.

O aumento, no entanto, ficou abaixo do necessário para zerar a defasagem entre o preço da Petrobras e o praticado no mercado externo. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), para alinhar o preço interno com o praticado no Golfo do México, de onde sai a maioria das cargas, o aumento deveria ser de R$ 0,57 para a gasolina e R$ 1,37 para o diesel, diante de defasagens de 13% e 21%, respectivamente.  

Em nota, a Petrobras afirmou que busca o equilíbrio de preços com o mercado global, e evita trazer a instabilidade do mercado internacional para o País, tanto que manteve o preços da gasolina congelado por 99 dias e do diesel por 39 dias, prática que não é comum a outros fornecedores no Brasil e nem fora do País. A Acelen, por exemplo, única refinaria de grande porte privada brasileira, reajusta os preços semanalmente. 

O Brasil produz entre 70% e 80% do diesel que consome e 97% da gasolina. Sem as importações complementares, o abastecimento pode correr risco no segundo semestre do ano, quando é previsto aumento da demanda interna, devido ao transporte da safra, combinado com aperto da oferta por conta da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

A Petrobras disse que o mercado de energia passa por um momento desafiador, pelo impacto da recuperação econômica e da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que reduziram a oferta e aumentaram a demanda, principalmente por diesel. 

Em resposta às críticas do governo a empresa explicou também, que apesar de impactar os preços, a conjuntura tem gerado recursos públicos bilionários, destacando que em 2021 pagou R$ 203 bilhões entre impostos, royalties e participações especiais, e que este ano, até julho, vai desembolsar R$ 32 bilhões para os cofres públicos.

Tensão com o governo

A alta dos combustíveis tem sido ponto de tensão entre a Petrobras e o governo. O presidente Jair Bolsonaro critica a companhia pelos altos lucros e distribuição de dividendos bilionários, inclusive para a União, e pedia para que novos reajustes não fossem realizados. 

Pelo estatuto da estatal, um eventual prejuízo provocado pelo seu acionista controlador (União) tem que ser compensado, ou seja, para segurar os preços em relação ao mercado internacional, a União teria que pagar a diferença à Petrobras. 

Nos últimos dias, outras autoridades ligadas a Bolsonaro vieram a público reclamar da estatal, como o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira.

Ontem, Lira chegou a dizer que a Petrobras "declarou estado de guerra ao povo brasileiro", e que a empresa age como "inimiga do Brasil". Já o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, do mesmo partido de Lira, disse que a Petrobras "não é de seus diretores. É do Brasil".

O presidente Jair Bolsonaro já trocou três presidentes da Petrobras nos três anos e meio de mandato por conta da alta de preços. O atual presidente, José Mauro Coelho, foi a demissão mais recente. Como mostrou o Estadão, Coelho está sendo pressionado a renunciar ao cargo para apressar a troca pelo indicado de Bolsonaro, o secretário de Desburocratização do Ministério da Economia, Caio Paes de Andrade. Com a renúncia, Paes de Andrade não teria que esperar a realização de uma assembleia de acionistas, mas Coelho já afirmou algumas vezes que não vai renunciar.

A decisão do reajuste dos combustíveis é tomada por três membros da diretoria: o presidente da empresa, o diretor de Comercialização (Claudio Mastella), e o diretor Financeiro e de Relações com os Investidores (Rodrigo Araújo). Segundo fontes, os dois diretores também serão demitidos depois que Paes de Andrade tomar posse.

Paridade de preços internacionais

Desde 2016, a empresa pratica a política de preços de paridade de importação (PPI), que significa manter os preços alinhados ao mercado internacional. O PPI leva em conta o preço do petróleo e o câmbio – que dispararam esta semana –, somado aos custos de importação, também elevados na esteira da alta do setor. 

Se a empresa não seguir essa política, outros importadores não conseguem concorrer com os preços mais baixos da Petrobras no mercado interno.

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Cúpula do governo pressiona por renúncia imediata de presidente da Petrobras

Ira sobre o chefe da estatal foi ampliada após a Petrobras anunciar um reajuste de 5,2% na gasolina e de 14,2% no diesel nas refinarias para reduzir a defasagem em relação aos preços praticados no mercado internacional

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2022 | 11h37

BRASÍLIA - O mais alto escalão do governo Jair Bolsonaro pressiona nos bastidores pela renúncia imediata do presidente da Petrobras, José Mauro Coelho

A ira sobre o chefe da estatal foi ampliada após a Petrobras anunciar um reajuste de 5,2% na gasolina e de 14,2% no diesel nas refinarias para reduzir a defasagem em relação aos preços praticados no mercado internacional. 

O aumento ocorreu após o conselho de administração da companhia dar sinal verde na tarde de quinta a um novo aumento dos combustíveis, o que desagradou ao governo. 

A ideia do Palácio do Planalto é emplacar Caio Paes de Andrade, ex-secretário de Paulo Guedes, no comando da empresa na semana que vem.

Na quinta, Bolsonaro afirmou em transmissão ao vivo nas redes sociais que esperava trocar o presidente da Petrobras até o fim da semana que vem. O presidente também afirmou que a troca permitiria que a Petrobras levasse mais tempo para fazer ajustes nos preços dos combustíveis. 

A estratégia do Executivo envolve a articulação direta de dois caciques do Centrão, o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL)

Desde ontem, os dois têm feito uma série de telefonemas para conquistar apoio e forçar a saída de Coelho da Petrobras. Eles argumentam que Coelho já foi demitido publicamente por Bolsonaro e, por isso, deveria renunciar o quanto antes.

Sem a renúncia de Coelho, a troca de comando na empresa só pode ocorrer após a realização de uma assembleia-geral extraordinária de acionistas da empresa e a aprovação dos novos nomes indicados pelo governo para compor o conselho de administração. A assembleia ainda não foi agendada pelo comando da estatal e poderia ocorrer apenas em julho. 

O clima é de tensão entre fontes ligadas ao Palácio do Planalto, que veem um forte impacto de mais um reajuste dos combustíveis na pré-campanha à reeleição do chefe do Executivo. Sob reservas, há quem diga que o fator combustíveis pode ser fatal para o presidente neste ano eleitoral.

O governo pressionava para que a Petrobras segurasse o preço dos combustíveis até o fim das negociações com o Congresso para aprovar uma PEC para compensar os Estados pela perda de arrecadação com o ICMS. O governo propõe pagar os Estados para zerar as alíquotas do imposto sobre o diesel e o gás de cozinha até o fim do ano. 

Nesta semana, a Câmara já aprovou um projeto que fixa um teto de 17% para a alíquota do ICMS sobre combustíveis, energia elétrica, telecomunicações e transporte público. A medida, que agora aguarda a sanção do presidente Jair Bolsonaro, também busca reduzir o preço final da gasolina e do diesel.

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Lira ameaça dobrar imposto sobre lucro da Petrobras para bancar 'bolsa-caminhoneiro'

Presidente da Câmara antecipou que os recursos com o dinheiro da taxação vão ser usados diretamente para bancar a diferença do custo do diesel

Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2022 | 13h18

BRASÍLIA - Em reação ao reajuste de preços do diesel e da gasolina, o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), anunciou que os parlamentares vão aprovar proposta para dobrar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da Petrobras e  mudar a política de preços da companhia atrelada ao mercado internacional. Segundo ele, já há uma proposta similar a essa nos Estados Unidos, feita pelo presidente Joe Biden. “As petrolíferas lá pagam 21% de impostos sobre o lucro e eles estão discutindo dobrar”, ressaltou.

Lira antecipou que os recursos com o dinheiro da taxação vão ser usados diretamente para bancar a diferença do custo do diesel do exterior ou para ser usado para um vale para caminhoneiros, taxistas e motoristas de aplicativos, fora do teto de gastos, a regra que limita o crescimento das despesas à inflação. Na prática, a medida sugerida por ele é de um subsídio.

Hoje, a Petrobras anunciou um reajuste de 5,2% na gasolina e de 14,2% no diesel nas refinarias para reduzir a defasagem em relação aos preços praticados no mercado internacional. 

Em entrevista ao canal GloboNews, Lira disse que o Congresso vai abrir a “caixa preta” da Petrobras e ameaçou também com medidas duras de responsabilização do presidente demissionário José Mauro Ferreira Coelho e da diretoria da petrolífera pelo reajuste de combustíveis. Ele acusou Coelho de agir por retaliação por ter sido demitido do cargo pouco mais de um mês depois de assumir a presidência da estatal.

Lira disse que a função social da Petrobras está prevista na Constituição e avaliou que a empresa não cumpre com as obrigações de transparência. “Ela não revela como faz essa contabilização da política de preços. É necessário que agora tenhamos que discutir essa política de preços da Petrobras e chamar o Cade mais uma vez à responsabilidade pelo monopólio que existe na Petrobras”, afirmou. 

Ele cobrou imediatamente a renúncia de Coelho. “Ele age com absoluta parcialidade para prejudicar o Brasil. Ele está a serviço de quem? E vai sobrar o que dá Petrobras quando ele sair de lá se nós discutirmos um aumento da taxação do lucro absurdo que ela tem com esse monopólio”, disse. Para ele, a Petrobras exerce monopólio e concentração puro de poder “na veia” e trabalha para pagar dividendos aos fundos de pensão internacionais.  

Como principal acionista, a União recebe a maior parte dos dividendos da estatal, que vão direto para o caixa do governo. Como mostrou o Estadão, entre janeiro de 2019 (início do governo Bolsonaro) e março deste ano, a Petrobras já injetou nos cofres federais R$ 447 bilhões, levando-se em conta, além dos dividendos, os impostos e os royalties pagos.

Irritado, o presidente da Câmara revelou que o presidente da Petrobras estava há menos de um mês pedindo para ser apadrinhado no Congresso para permanecer no cargo. Lira revelou que ligou para Coelho ontem para fazer o apelo para não fazer o reajuste. “A sensibilidade dele e do conselho foi zero. Toda ação tem tem um reação. Terá consquências”, ameaçou. Lira adiantou que fará uma reunião “muito dura” nas áreas de energia e petróleo com pessoas que orientem os parlamentares. “Não queremos o caos, mas iremos abrir a caixa preta e responsabilizar essa diretoria e esse presidente por esses atos de má-fé”, ressaltou.

Lira disse que nada justifica a decisão do Conselho de Administração da Petrobras “capitaneado” por um presidente demitido faça uma reunião num dia de feriado para dar um aumento de preço na magnitude do que foi anunciado. Ele ponderou que há várias formas de fazer o reajuste, com vários espaçamentos no tempo, e com “sensibilidade” necessária num momento em que o País está saindo da pandemia no meio de uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia.  

Ele disse que essa postura é que faz como Congresso tenha que tomar medidas mais duras em relação à empresa. Ao comentar o risco de desabastecimento apontado pelo Petrobras, Lira ponderou que o Brasil tem cerca de 85% de autonomia na produção de diesel com importação de 25% do produto. “São esses 25% que estão desequilibrando o preço? São esses 20% que justificam R$ 0,70 de aumento num dia de feriado? Não podemos encontrar alternativas aqui com biocombustíveis. É isso que faz com a Petrobras venda para uma refinaria a Bahia mais cara do que exporta para China?”, cobrou.

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Reajuste da Petrobras deve elevar inflação de 2022 em até 0,25 ponto porcentual, dizem economistas

Economistas do mercado financeiro calculam que o IPCA deve subir por causa do aumento de preços dos combustíveis

Cícero Cotrim, O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2022 | 12h44

O aumento dos preços da gasolina (5,2%) e diesel (14,2%) nas refinarias anunciado nesta sexta-feira, 17, pela Petrobras deve ter reflexos na inflação, pressionando ainda mais os preços para cima e o custo de vida. 

O economista-chefe da Greenbay Investimentos, Flávio Serrano, calcula que o aumento desta sexta-feira deve ter impacto de 0,2 a 0,25 ponto porcentual sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2022. 

O cálculo não leva em conta o efeito do corte do ICMS proposto pelo governo para reduzir os preços dos combustíveis. "É um impacto dividido entre junho e julho, usando a estrutura de impostos atual, ou seja, sem o efeito mitigador das medidas para reduzir o ICMS e tampouco da redução de PIS e Cide sobre a gasolina", explica Serrano.  

 

Já o economista da ASA Investments Leonardo Costa, calcula um impacto de 0,22 ponto porcentual sobre o IPCA deste ano. Costa aumentou as estimativas preliminares para o IPCA de junho (0,60% para 0,80%) e julho (0,07% para 0,29%). As mudanças, no entanto, não mudam a avaliação de que o pico da inflação em 12 meses ficou em abril.    

"Na minha expectativa, temos um IPCA que acelera a 12% nos 12 meses até junho, mas o pico anterior é de 12,13%. Não muda a visão em relação ao pico", diz o economista. Nos 12 meses encerrados em maio, o IPCA acumulava alta de 11,73%.

O economista espera que haja um aumento de 15% dos preços da gasolina no quarto trimestre. Mesmo assim, ele mantém a estimativa de um IPCA de 8,2% em 2022. "Esse reajuste é um deslocamento da inflação do fim do ano para os próximos meses", explica.

Para Flávio Serrano, da Greenbay Investimentos, o reajuste ainda é insuficiente para zerar a defasagem entre os preços domésticos e internacionais da gasolina, que deve continuar entre 5% e 10%. No diesel, por outro lado, a defasagem fica zerada.

Serrano manteve a projeção de um IPCA de 8,5% este ano, sem incorporar no cenário o impacto deste reajuste ou os efeitos das medidas de desoneração de combustíveis. "O efeito líquido, na verdade, ainda acaba sendo negativo", explica.

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